Pedro Acosta terá pela frente, no próximo ano, um desafio tão importante quanto difícil: vestir as cores da equipa oficial da Ducati e partilhar a box com um certo Marc Márquez. Isso significa chegar àquela que tem sido a melhor equipa dos últimos anos, onde o único objetivo possível é vencer. Precisamente aquilo que o espanhol ainda não conseguiu alcançar no MotoGP, também porque a KTM nunca esteve ao nível da melhor concorrência.
Pedro, no entanto, deixa a marca austríaca com o devido reconhecimento, considerando que foi a KTM que o fez crescer, mas também consciente de que não teve as armas necessárias para lutar pelas posições cimeiras. O piloto explicou-o numa entrevista concedida ao Motorsport.com.
«Acredito que a KTM deu tudo o que tinha em cada momento da minha carreira e em cada fase da nossa relação. Mas cheguei a um ponto em que preciso de um novo desafio», explicou. «Não quero que isto soe presunçoso, mas desde que cheguei ao MotoGP fui sempre a primeira KTM da grelha. Talvez precise de um novo desafio ou de algo que me devolva um pouco da chama. A KTM deu-me a oportunidade de conquistar o campeonato de Moto3 e todas as ferramentas para tentar vencer o de Moto2. Se a possibilidade de construir uma moto competitiva estivesse mais próxima, talvez tivesse ficado.»
No entanto, isso não aconteceu e Acosta acabou por perder a paciência.
«Provavelmente, sim», admitiu. «Acreditei neste projeto durante três anos e dei-lhe uma oportunidade atrás da outra. Mas acredito que posso chegar mais longe e foi por isso que tomei a decisão de sair.»
Assim, escolheu mudar-se para Borgo Panigale, onde encontrará precisamente Márquez, piloto com quem é comparado desde que era ainda muito jovem.
«Não sou uma pessoa que leia demasiado sobre si própria e tenho à minha volta pessoas muito sinceras, que me dizem as coisas diretamente. Essas expectativas existem desde o primeiro dia. Em Moto3 já me comparavam com o Marc. Acredito que dei um enorme passo de maturidade da Moto2 para o MotoGP», afirmou.
O espanhol tem consciência de uma coisa: na Ducati, já não terá desculpas.
«Neste momento tenho muitas dúvidas sobre como tudo vai correr. Não sou alguém que normalmente aponta o dedo aos outros para deixar claro que algo não é culpa minha. Pode acontecer que no próximo ano seja assim, que já não existam desculpas e que, se as coisas não correrem bem, a culpa seja minha», afirmou. «É algo que me deixa muito feliz. Sou uma pessoa muito direta, inclusive comigo próprio, e isso só vai trazer coisas positivas para a minha carreira.»
















