Uma época, uma Ducati privada, 3º no Mundial de produção

De meio pelotão a presença regular no pódio, a evolução de Montella vista pelo próprio…
Sem grandes surpresas, o título de melhor piloto independente de 2026 foi para Yari Montella, da Ducati Barni. Há muito que tínhamos identificado o inegável talento do pequeno italiano de olhos ferozes nas suas aparições em Portugal no CEV Moto 2 de há uns anos, que aliás, venceu em 2020.
Seguiram-se 3 épocas nas Supersport em que, nomeadamente, foi 3º em 2024, para o piloto de Olivetro Citra, perto de Salerno no Sul de Itália, já de si pouco habitual por serem a maioria do norte mais rico.
Duma época algo indiferente em 2025, marcada por um ocasional desempenho mais marcante, com um melhor de 7º na primeira manga de Balaton, mas muitos erros e muitas quedas que o mantiveram longe do pódio, chegou a 2026 revigorado pela renovação com a Ducati Barni. Logo, a primeira corrida em Phillip Island produziu um 2º que deixou todos sem sentido ao ser batido apenas pelo futuro campeão Bulega. Em Portimão passou despercebido com dois 16º sem pontos, embora fosse mesmo assim 6º na Corrida Superpole.

No Estoril, a uma prova do fim, Yari Montella garantiu o título de Melhor Piloto Independente, além do terceiro lugar no Mundial, quando terminou a Corrida 2 no quarto lugar, após uma recuperação impressionante. Foi um fim de semana de resultados variados com Montella a partir da sexta posição da grelha mas a ter uma corrida complicada, pois envolveu-se num toque com Alex Lowes na primeira curva da volta inicial da corrida Superpole, o mesmo incidente que levou Oliveira ao exterior na pista. Depois de perder posições no pelotão, recebeu uma penalização de “Long Lap” (volta longa) por pilotagem irresponsável no incidente com Lowes. Apesar do contratempo, reagiu, recuperou várias posições e terminou no 13º lugar.

Vamos deixá-lo descrever a época nas suas palavras:
“Bem, aquele incidente no princípio da corrida Superpole, chegamos lado a lado à Curva 1, o Lowes por dentro, o Miguel a tentar ultrapassar o Alex, mudou de trajetória e eu estava por fora.… é uma curva em que dois pilotos poderiam curvar lado a lado, mas três, dificilmente… eu defendi-me como pude, toquei ligeiramente no Lowes, tive de levantar a moto, que causou afastar o Miguel para fora, mas não podia fazer outra coisa… Do meu ponto de vista, foi um incidente de corrida normal, não acho que merecesse uma penalização de Volta Longa! Depois, tinha a corrida estragada, mas na segunda, consegui forçar mais o ritmo para voltar a disputar o pódio e percebi, com a vantagem pontual que tinha que era o melhor independente, por isso, sentimentos contraditórios, frustração e alegria ao mesmo tempo…”
“Se pensava no princípio da época que iria ser campeão independente? Não, não pensava… depois dos resultados em 2025, nessa altura, terminei a época em décimo oitavo lugar na classificação geral, enquanto agora estamos em terceiro… a meio da época, perguntei ao Barni (Marco Barnabò, dono da equipa, N. do A.) se ele estava à espera que eu ganhasse e ele disse: Não!” (Risos)

Chegámos a um ponto em que, se acabássemos em quinto, fazíamos uma reunião a analisar o que tinha corrido mal!”
“Comecei a época com o objetivo de estar sempre entre os 5 primeiros, com alguns pódios, talvez, esse era o plano inicial! A verdade é que começámos a trabalhar muito bem juntos, eu e a equipa; os resultados começaram a chegar e chegámos a um ponto em que, se acabássemos em quinto, em vez de ser um resultado normal, havia caras preocupadas na garagem e fazíamos uma reunião a analisar o que tinha corrido mal!”
“Agora, sinto-me mais tranquilo. Há muito que falávamos com a equipa sobre a possibilidade de conquistar este título e, no final, conseguimos. Estou muito feliz e orgulhoso do trabalho que temos realizado ao longo do ano com a equipa Barni, o meu preparador físico e o meu psicólogo. Demos um grande passo em frente em relação ao ano passado.
“O objetivo inicial passou a ser o pior resultado; ainda não podia chegar ao Bulega e Lecuona. Esses tipos são incrivelmente rápidos e não cometem erros, mas a partir de Balaton tive uma série de pódios em terceiro e comecei a sentir-me muito bem na moto, o que foi fundamental! Comecei a bater o Lowes regularmente e a ser a melhor Ducati independente e começámos a perceber que ser melhor independente era um objetivo real…”
“Agora seguimos para Jerez mais tranquilos e confiantes, prontos para aproveitar ao máximo as oportunidades.”

Montella continua na Barni, que já confirmou a passagem a 2 pilotos com a chegada de Xavi Vierge em 2027, como noticiámos. A propósito, Yari disse ainda: “Bem, o Xavi como colega de equipa? Vai correr bem; ele é bom. Sei que a moto que tinha não ajudava, mas normalmente era sempre a melhor Yamaha e tenho a certeza de que se vai adaptar muito bem!”


















