O mercado de transferências continua agitado nos bastidores do WorldSBK. Apenas um ano depois de convencer Miguel Oliveira a deixar o MotoGP para integrar o seu projeto oficial, a BMW já está a preparar o futuro. Com Danilo Petrucci em final de contrato, o construtor alemão procura agora o próximo companheiro de equipa do piloto português. E os perfis em análise dizem muito sobre as ambições de Munique.
Segundo a Speedweek, há três nomes no topo da lista: Brad Binder, Manuel Gonzalez e Jack Miller. Três pilotos, três gerações e três apostas muito diferentes.
No papel, Manuel Gonzalez surge quase como o candidato ideal. Líder do Campeonato do Mundo de Moto2, o espanhol não para de impressionar desde o início da temporada, apesar de não beneficiar da mesma exposição mediática de alguns dos seus rivais.
Com apenas 24 anos no início da próxima época, representa sobretudo um investimento a longo prazo. Depois de cinco temporadas na Moto2, poderá ter chegado o momento de abraçar um novo desafio.
Mas a BMW não está sozinha na corrida. A Ducati também está interessada no piloto espanhol e dispõe provavelmente do argumento mais sedutor do paddock: a Panigale V4 R. Com a provável promoção de Nicolò Bulega ao MotoGP pela VR46, poderá abrir-se uma vaga muito cobiçada na equipa oficial Aruba Ducati.
É difícil imaginar um jovem piloto ambicioso a recusar atualmente a moto que domina de forma avassaladora o Campeonato do Mundo de Superbike.
A situação de Brad Binder é mais delicada. O atual piloto da KTM no MotoGP ficou sem lugar para 2027 e as portas parecem estar a fechar-se uma após outra. A Tech3 não parece interessada no seu perfil e a BMW vê-o, para já, como uma alternativa.
Por outras palavras, as hipóteses do sul-africano dependem diretamente da decisão de Manuel Gonzalez. Se o espanhol optar pela Ducati ou seguir outro rumo, Binder subirá imediatamente na lista de candidatos.
Uma reunião com Miguel Oliveira faria, aliás, todo o sentido do ponto de vista desportivo. Os dois pilotos partilharam a box da KTM no MotoGP em 2021 e 2022 e conhecem-se perfeitamente.
O terceiro nome é Jack Miller, cujo futuro se assemelha cada vez mais a um gigantesco jogo de cadeiras. Sem lugar na Pramac Yamaha MotoGP para 2027 e longe de convencer a Yamaha a abrir-lhe as portas do seu projeto no Superbike, o australiano vê as suas opções reduzirem-se gradualmente.
Ainda assim, a BMW poderá oferecer-lhe um projeto interessante. A sua experiência no MotoGP, o seu impacto mediático e a capacidade de desenvolver uma moto continuam a ser argumentos de peso para um construtor que pretende continuar a evoluir. Também aqui existe uma relação prévia com Miguel Oliveira, já que ambos foram companheiros de equipa na Pramac.
Enquanto a Ducati parece poder escolher entre os melhores jovens talentos disponíveis graças ao domínio da sua Panigale, a BMW continua numa fase de construção. O fabricante alemão não procura apenas o piloto mais rápido, mas aquele que melhor se enquadra no seu projeto desportivo.
Um jovem prodígio como Gonzalez para construir o futuro? Um Brad Binder motivado para relançar a carreira? Ou um Jack Miller capaz de acrescentar experiência e personalidade? As três opções fazem sentido.
Uma coisa parece, no entanto, certa: se Manuel Gonzalez escolher a Ducati, a BMW deverá acabar por recrutar um piloto experiente vindo do MotoGP. Se o espanhol aceitar o desafio alemão, poderá concretizar-se uma das contratações mais interessantes do mercado de transferências do WorldSBK para 2027.
A decisão de Gonzalez poderá, por isso, desencadear um efeito dominó muito maior do que aparenta, influenciando também o futuro de Brad Binder e Jack Miller.
















