Enquanto a Ducati reduz gradualmente a presença de pilotos italianos no MotoGP para apostar noutras oportunidades do mercado de transferências, Valentino Rossi continua a desempenhar um papel fundamental na formação da nova geração de talentos transalpinos.
Na próxima época, a Ducati poderá contar com cinco pilotos espanhóis em seis lugares disponíveis no MotoGP. Marc Márquez e Pedro Acosta deverão alinhar pela equipa oficial, Joan Mir e Daniel Holgado pela Gresini Racing, enquanto Fermín Aldeguer e Nicolò Bulega — o único italiano do grupo — são apontados à VR46 Racing Team. Este cenário gerou algumas dúvidas e críticas em torno da identidade italiana da marca de Borgo Panigale, mas Gigi Dall’Igna fez questão de defender a estratégia da Ducati: continuar a apostar em jovens talentos sem abdicar das melhores oportunidades disponíveis no mercado.
Questionado pela MotoSprint sobre esta mudança no equilíbrio entre pilotos italianos e estrelas internacionais, o diretor-geral da Ducati Corse foi direto:
“Acho que isso são simplesmente disparates. Continuamos a investir nos jovens pilotos. Fizemos bem em contratar o Marc e fizemos bem em contratar o Pedro, porque acredito que ele será uma das figuras mais importantes do MotoGP nos próximos anos.”
Dall’Igna reforçou ainda:
“Gosto de recordar que a Ducati, mais do que qualquer outro construtor, contratou um enorme número de pilotos italianos ao longo dos últimos anos. Sem hesitar, diria que foram mais de dez apenas na última década. Não creio que exista outro fabricante ou equipa que possa contar uma história semelhante, e temos orgulho nisso. A nossa filosofia continua a ser a de recrutar jovens talentos.”
O responsável italiano admite, contudo, que a realidade atual é diferente:
“Infelizmente, já não vemos tantos jovens talentos italianos como acontecia no passado, e isso afeta naturalmente a componente italiana do sistema. A Ducati é também um construtor internacional e deve estar aberta a pilotos de todo o mundo.”
A questão sobre quem representará o futuro do motociclismo italiano é inevitável. E, nesse campo, há um nome que continua a destacar-se: Valentino Rossi.
Através da VR46 Riders Academy, o nove vezes campeão do mundo construiu uma verdadeira estrutura de formação destinada a preparar jovens pilotos italianos para alcançarem o topo do motociclismo mundial.
A história começou muito antes da criação oficial da academia. Nasceu da amizade e colaboração com Marco Simoncelli, consolidou-se com Franco Morbidelli e acabou por transformar-se num projeto completo de desenvolvimento de talentos. O conceito é simples: acompanhar jovens pilotos desde cedo, transmitindo-lhes métodos de trabalho, cultura competitiva e um ambiente profissional de alto rendimento.
Os resultados falam por si. A academia já produziu quatro campeões do mundo, 86 vitórias e 215 pódios nas categorias de MotoGP, Moto2 e Moto3. Mais importante ainda, formou uma geração que atualmente é protagonista no campeonato do mundo, com nomes como Francesco Bagnaia, Marco Bezzecchi, Franco Morbidelli e Luca Marini.
Em 2026, a VR46 Riders Academy continua a investir no futuro através de vários jovens pilotos integrados no seu programa de formação. Celestino Vietti, Matteo Gabarrini, Lorenzo Pritelli e Leonardo Casadei representam a nova geração, cada um numa fase diferente do seu desenvolvimento.
Matteo Gabarrini, filho de Cristian Gabarrini, entrou na academia em 2024 e compete atualmente no Moto3 Junior. Lorenzo Pritelli destacou-se no Pre-Moto3 e conquistou recentemente a sua primeira vitória na Moto4 European Cup, em Jerez. Já Leonardo Casadei, o mais jovem do grupo, estreou-se no ESBK Talent e no JuniorGP como wildcard, competindo atualmente também na Moto4 European Cup.
A filosofia mantém-se inalterada: identificar talentos o mais cedo possível, desenvolvê-los durante vários anos e prepará-los para, um dia, chegarem ao MotoGP.
Embora ainda estejam longe de lutar por um lugar na categoria rainha, estes jovens representam parte da esperança do motociclismo italiano. Para além da academia de Rossi, outros nomes como Tony Arbolino, na Moto2, e Matteo Bertelle e Guido Pini, na Moto3, também continuam a alimentar as expectativas de uma nova geração capaz de devolver à Itália o protagonismo que teve durante décadas no Campeonato do Mundo.
















