Manuel Gonzalez é um caso à parte: o atual líder do Campeonato do Mundo de Moto2 continua sem lugar garantido para a próxima temporada e uma das poucas opções que tinha em cima da mesa, uma vaga na KTM Tech3, poderá fechar-se nas próximas horas.
De facto, Luca Marini revelou recentemente, numa entrevista aos meios de comunicação italianos, que já tem uma solução encaminhada para 2027, muito provavelmente na KTM Tech3. A questão agora é saber quem será o seu companheiro de equipa. A KTM pretendia apostar no australiano Senna Agius, o que poderá deixar Gonzalez sem espaço no projeto.
Nunca um piloto com resultados tão fortes tinha sido tão ignorado pelas equipas de MotoGP. Entrevistas recentes à Speedweek revelaram o pensamento de Günther Steiner, chefe da Tech3, e de Pit Beirer, diretor da competição da KTM, em plena fase de mercado de pilotos.
“Neste momento, não ser espanhol é uma vantagem, porque já existem muitos pilotos espanhóis. Além disso, isso permitiria aos patrocinadores oferecer algo diferente. Ouvimos frequentemente dizer que há espanhóis a mais, mas não devemos penalizá-los por isso. Se são rápidos, o que mais se pode pedir? O sucesso não depende do passaporte, mas sim da pessoa. Se o desempenho estiver ao nível esperado, podemos perfeitamente ter dois espanhóis na equipa. A questão é perceber como essas performances se traduzem na prática. Se tudo fosse apenas matemática, seria simples: somavam-se os resultados e a decisão estava tomada. Mas quando contratamos alguém, queremos um piloto que trabalhe com a equipa, ajude a fazê-la evoluir e contribua para o desenvolvimento da moto. Há muitos fatores em jogo”, explicou Steiner.
No entanto, Pit Beirer foi ainda mais direto, deixando poucas razões para o otimismo no caso de Gonzalez.
“Os jovens pilotos são como ações na bolsa. Aposta-se na sua evolução futura. Se me perguntarem hoje quem é o melhor piloto da Moto2, direi sem hesitar que é o Gonzalez. Mas quem será o melhor piloto de MotoGP? Disso já não tenho tanta certeza. Depende também da altura, do peso, do estilo de pilotagem e da forma como gere o pneu dianteiro. Não facilitamos as coisas se tomarmos decisões apenas com base na última corrida. Eu vejo um potencial de crescimento maior em Senna Agius. É um pouco mais novo e, nos dias em que está ao seu melhor nível, ganha corridas”, afirmou.
Perante este cenário, Gonzalez poderá ser obrigado a procurar alternativas no Mundial de Superbike. Entre as hipóteses apontadas estão uma vaga na Ducati, caso Nicolò Bulega seja promovido para a VR46 no MotoGP, ou um lugar na BMW para substituir Danilo Petrucci.
















