Marc Márquez afirma que as atuais motos de MotoGP exigem um estilo de pilotagem “robótico” devido ao impacto da aerodinâmica, acrescentando que os pilotos “já não conseguem contrariar” o comportamento da moto.
Nos últimos dez anos, as motos de MotoGP passaram por uma rápida evolução em áreas como a aerodinâmica e os dispositivos de altura variável (ride height devices).
Esta evolução acabou por ter um impacto negativo no espetáculo em pista, tornando as ultrapassagens mais difíceis, sobretudo devido à sensibilidade cada vez maior do pneu dianteiro.
O sete vezes campeão do mundo de MotoGP tem sido frequentemente crítico em relação à atual geração de motos, descrevendo o estilo de condução necessário como “automático”.
Numa entrevista ao Bike World, o piloto da Ducati voltou a defender essa posição. Márquez considera que as motos de há dez anos permitiam ao piloto fazer realmente a diferença. Hoje, porém, acredita que tudo é condicionado pela aerodinâmica.
“Os anos em que mais gostei de pilotar foram 2014, 2015 e 2016, antes da chegada da aerodinâmica”, afirmou.
“É verdade que as motos atuais são muito agradáveis de conduzir, mas exigem um estilo mais robótico. Tens de seguir aquilo que a aerodinâmica quer e não consegues contrariar a moto. Se tentares contrariá-la, estás a trabalhar contra a aerodinâmica e acabas por ser ainda mais lento. Em 2014, 2015 e 2016, sem aerodinâmica, se forçasses a moto para além do limite, eras mais rápido, porque começavas a deslizar, começavas a perder a frente. Via-se muitas recuperações de quedas.”
Segundo Márquez, a elevada carga aerodinâmica das motos atuais tornou muito mais difícil salvar uma queda.
“Agora já não acontece, porque o problema é que a carga aerodinâmica que temos empurra muito o pneu para o chão. Quando perdes a frente, ela já não recupera. Aquela moto da Honda… mas não é por eu gostar mais da Honda ou da Ducati. Trata-se simplesmente do estilo de moto.”
As motos de 2027 terão uma redução significativa da carga aerodinâmica e os dispositivos de altura variável serão completamente proibidos.
Ainda assim, Márquez já afirmou anteriormente que gostaria de ver uma redução ainda maior da aerodinâmica nos novos regulamentos que entrarão em vigor em 2027.
















