A Honda revelou que uma ‘Edição Final’ da CB1100 vai estrear em breve no Japão. O que acontece é que esse modelo não atende às regras de emissões Euro5, o que desde logo retira a possibilidade de a vermos chegar ao Velho Continente.
Com a CB 1100 a Honda investiu em tecnologia radical e patenteou a refrigeração a ar para superar a legislação de emissões em vigor quando foi introduzida em 2010, numa época em que outras marcas já tinham abandonado a ideia dos quatros em linha arrefecidos a ar. O icónico modelo da asa dourada resistiu ao tempo durante mais de uma década, porém, mesmo essa renovação não foi suficiente para se manter a par das regras de poluição atuais, e com o fim anunciado para os motores de combustão interna, dificilmente algum fabricante fará o esforço necessário para reavivar a lendária configuração ‘quatro’ refrigerada a ar.

Isto significa a curto prazo o fim de uma das mais icónicas motos de todos os tempos? A esplendorosa CB 1100, a última da saga ‘CB Four’ que desde o início dos anos 70 tantos fãs encantou mundo fora, pode realmente ter os dias contados?
A DIFÍCIL ADAPTAÇÃO AO EURO 5

Com todas as motos atuais a terem que se adaptar ao Euro 5 devido às restristivas normas de emissões, um motor de quatro cilindros em linha dificilmente pode ‘sobreviver’ no mercado. Ao contrário do Boxer da BMW R18, ou mesmo dos motores em V refrigerados a ar, num ‘quatro em linha’ o calor não é o problema, mas a incapacidade de controlá-lo é.
O arrefecimento a água, com canais entre os cilindros e através da cabeça do motor, permite que os motores possam ser aquecidos rapidamente – o que é importante para testes de emissões que incluem medições de inicialização a frio – sendo assim mantidos numa temperatura constante graças ao termostato que controla o fluxo de água através do radiador da moto. Num motor refrigerado a ar, essa temperatura constante é muito mais complicada de obter e, à medida que as temperaturas mudam, os materiais no cilindro, os pistões, os anéis do pistão, as válvulas e os cabeçotes expandem-se e contraem-se.

Assim, é muito mais difícil num ‘quatro em linha’ – onde os cilindros do meio aquecem mais do que os externos – manter o motor inteiro no ponto ideal para baixas emissões. Isso poderia ser feito certamente, mas dada a falta de benefícios óbvios além da estética, é difícil imaginar qualquer fabricante venha a fazê-lo, razão pela qual o famoso motor ‘Four’ pode estar em vias de extinção. Pode no entanto, questonar-se, como a Honda conseguiu dar a este motor uma década de vida extra.
ARREFECIMENTO A AR E ÓLEO

O arrefecimento ar/óleo foi a solução encontrada, com o óleo lubrificante a funcionar como um sistema de refrigeração. Ao sair do radiador de óleo, no estado mais frio, os tubos de óleo vão direto para os cabeçotes do motor. A CB1100 tem uma bomba de óleo extra, puramente para resfriamento e um termostato para contornar o sistema quando frio.

A essência da conquista da Honda ao fabricar a CB1100, foi permitir que o ar circulasse pelo motor e também ao seu redor. Entre as aletas do motor tipicas dos quatro cilindros, o ar circule entre elas onde as temperaturas mais altas surgem. Além de circular entre os cilindros, o ar de arrefecimento é direcionado para cima através da cabeça do cilindro, através de canais ao redor das câmaras de combustão e velas para controlar ainda mais suas temperaturas.
Embora a CB1100 tenha sido colocada à venda em 2010, mesmo nessa fase, os designers da Honda já haviam dedicado anos de trabalho aos seus quatro motores refrigerados a ar de 1140 cc.
O TESTEMUNHO DE MITSUYOSHI KOHAMA

“A aceleração instantânea tem o seu apelo, assim como o estilo moderno que transmite a rapidez da moto. Mas há muito mais no caminho da evolução das motos”, comentou Mitsuyoshi Kohama, o Designer Chefe da CB1100 em 2013.
“Por que está a aplicar o arrefecimento a ar a esse novo motor quando sabe que o seu desempenho não será tão bom? É melhor você ter uma explicação bem convincente! Esse foi o tipo de coisas que as pessoas disseram quando iniciamos o processo de desenvolvimento. E eu poderia entender esse pensamento. Escolher um motor refrigerado a ar parecia algo “retro” para o pessoal da Honda, que há muito favorecia os sistemas refrigerados a líquido em busca do máximo desempenho.“
“Quando solicitado a explicar minha escolha, só pude dizer: ‘O meu único motivo é que muitos clientes gostam de motores refrigerados a ar”. Gosto do som metálico que o motor faz ao arrefecer … O motor de uma moto deveria ter óleo, não água … Só de olhar para as aletas de resfriamento me inspira …’

“Há no entanto algo sobre um motor refrigerado a ar – uma sensação que você simplesmente não pode obter com o motor refrigerado a líquido numa moto de alto desempenho. Para mim, um piloto de moto e um fã das motos, num futuro sem motores refrigerados a ar simplesmente não aprecia. E tinha a certeza de que não era o único que o sentia!
Com base no meu esboço, essa moto que desafia a lógica e exige apenas ser pilotada’ tornou-se realidade. Exibimos o modelo-protótipo CB Four no Salão Automóvel de Tóquio em 1999 e fiquei extremamente grato pela resposta entusiástica que recebi. Em 2007, com o objetivo de criar uma moto que atendesse ainda mais a visão dos fãs, exibimos um novo modelo-protótipo no Salão do Automóvel de Tóquio, a CB1100F. E este modelo se tornou-se o modelo de produção conhecido como CB1100.”













