MUITO ÁGIL E FÁCIL DE MANUSEAR A YAMAHA TRACER 700 DESTE ANO, É UMA MOTO AO ALCANCE DE MUITOS UTILIZADORES. SEM PERDER O FEITIO BRINCALHÃO EM ESTRADAS SINUOSAS, PARECE TER GANHO MATURIDADE EM RELAÇÃO À VERSÃO ANTERIOR E NEM SEQUER A ADAPTAÇÃO AO EURO 5 LHE RETIROU VIRTUDES.

Na apresentação deste modelo, foi enfatizada a ideia de ‘Experiência Completa’, um conceito muito além da simples necessidade de deslocação.
A Tracer 700 é um modelo que abrange inúmeros aspetos, e para o gosto europeu, já que foi projetado na Europa e para a Europa. Não é só para o dia-a-dia, porque não lhe falta aquele apelo desportivo que muitos motociclistas procuram, tanto na ida para o ponto de encontro habitual ao fim-de-semana, como em viagem.
Na verdade, o novo design enfatiza esse caráter. A Tracer 700 parece agora muito mais desportiva, apresenta uma linha mais estreita com medidas mais compactas.

Ainda assim, supondo que esta mudança de estilo aplicada em 2020, não a coloca como a moto dos seus sonhos, saiba então que ela tem muito para o surpreender. A sua base mecânica é a mesma da naked MT 07 – uma das motos despidas mais vendidas do mercado – um motor de dois cilindros extremamente versátil e muito fácil de utilizar. O seu raio de ação é muito maior do que a naked, graças ao seu tamanho, proteção aerodinâmica, 17 litros de capacidade do depósito, e também ao maior conforto que oferece para se viajar sozinho ou acompanhado.

Ou seja, a
Tracer é a moto para dar o passo seguinte, até porque a Yamaha define como
‘target’ deste modelo um público jovem, por volta dos 30 anos, motociclistas
que começam a descobrir o mundo das viagens e que pretendem desfrutar da moto
para além das deslocações diárias em cidade. E talvez seja por isso que a
Tracer 700 é uma líder de vendas no nosso mercado, tendo uma procura superior a
modelos de características semelhantes como a Kawasaki Versys 650, Suzuki
V-Strom 650 A e BMW F 750 GS.
Mas, vamos
por partes.
A PRIMEIRA TRACER 700

O conceito
Tracer veio à luz do dia em 2015, com a Tracer 900 e, um ano depois, em julho, seria
lançada a versão de médio porte.
A Tracer 700 entra no mercado em 2016 como um modelo de sport-turismo, sucedendo na altura à FZ-07, com a boa plataforma da MT-07 e o dois cilindros paralelos de cambota desfasada a 270 graus ‘crossplane’ já empregue na FZ-07.

O braço
oscilante foi alongado 50 mm para melhorar a estabilidade a maiores velocidades
de cruzeiro, com passageiro e bagagem a bordo, e as configurações de suspensão
revistas. O ABS vinha de série, não faltando o pára-brisas de regulação manual
em altura, as proteções de mãos, os faróis duplos e um depósito de combustível
maior.
Nessa
altura, em grande parte da Europa, o motociclismo atravessava uma espécie de
renascimento nos principais mercados, consolidando-se nos hábitos como um
diferente modo de vida. Em 2019 saia a versão GT, com toda uma série de
equipamentos que tornavam a Tracer numa moto ainda mais adaptada a viagens, mas
essa, era apenas a ponta visível do iceberg.
Avançando
cinco anos no tempo, chegamos à atualidade e à mais substancial mudança até à
data na Tracer 700. Uma mudança que foi aplicada a diferentes níveis, especialmente
dinâmico, estético e também de conforto e componentes.
A MUDANÇA DE ESTILO

A frente da
nova Tracer 700 está bastante mais agressiva e, observando-a bem encontraremos
nas suas formas algumas semelhanças com a desportiva R1, bem como um sistema de
iluminação de LED’s com uma aparência mais nítida. A mudança foi grande e, na
nossa opinião, para melhor. O visual é atraente, com caráter e elegância.
Misturando
iluminação lenticular e barras led estilo R1, a frente combina modernismo e
agressividade. Uniforme e ligeiramente curvados, os flancos do frontal vestem
lindamente as laterais da Tracer 700, a traseira é bastante estreita sem que
toda a moto fique desequilibrada ou que fique prejudicado o lugar do
passageiro. Ficámos encantados, sinceramente.
Do lado da
Kawasaki e Suzuki, não nos surpreenderá que alguns dos traços desta nova Yamaha
venham a inspirar futuros modelos!
MOTOR ADAPTADO AO EURO 5

E passamos
ao motor. Agora, o bloco de dois cilindros está em conformidade com as últimas
regulamentações ambientais. A evolução para o Euro5 não se ficou apenas por
mais 100cc no motor e pela adoção de um catalisador maior. Fazê-lo, mudaria
totalmente o carácter efervescente do gémeo paralelo CP2. Em vez disso, os
engenheiros da Yamaha que têm vindo a testar o motor paralelo desde o seu
início na MT-07, prevendo a chegada do novo patamar de emissões, trataram de
assegurar que o motor poderia ser facilmente ajustado para cumprir os novos
regulamentos.
O motor de 72,4 cv oferece bom torque e boa resposta a regimes médios e médios/altos. Para ser aprovado pelo Euro 5 o motor perdeu perto de 1 cv, mas os técnicos da Yamaha trataram de compensar essa perda montando na transmissão uma coroa maior de dois dentes (45 contra 43) e… problema resolvido!

O fato é que, em termos dinâmicos, este bloco mantém todas as qualidades que já conhecíamos. Não tem quebras a menos de 3.000 rotações, e acima das 3.500/4.000 rpm ganha uma vivacidade encantadora, acompanhada por uma certa do de vibrações, que permite sentir um certo caráter do motor sem ser incomodado por batidas irritantes.

Ainda para
compensar o pequeno ganho de peso na mudança para o Euro 5 foram ‘emagrecidos’
outros componentes, tais como os faróis, a bateria e “fibras”. Nos
consumos, a Tracer 700 supreendeu-nos com uma média de 4,8 lt./100 km. Outro
ponto a salientar é a versão limitada a 35 kW (47 cv) para os detentores da
Carta A2.
POSIÇÃO DE CONDUÇÃO

Se tem menos de 1,80 m, fica perfeito sobre a nova Tracer 700, mas se a sua altura ficar perto dos dois metros, terá alguns problemas em se acomodar. As mãos caiem naturalmente sobre o guiador e as pernas ficam moderadamente dobradas, posição nada cansativa numa viagem mais longa. A posição de condução do condutor e passageiro foram revistos e o conforto do assento de dois níveos é mais do que satisfatório. Em longas viagens de autoestrada, é possível variar ligeiramente a nossa posição de conduzir, para atrasar ou compensar a chegada do primeiro formigueiro nas mãos.

A proteção ao vento é muito boa. A altura da bolha varia numa distância de 65 mm, que pode parecer pequena, mas muda muito a proteção, pelo menos para um condutor do nosso tamanho (1,82 m). Na posição alta, sente-se apenas uma leve pressão sobre os ombros e o capacete, mas esta é perfeitamente suportável.

O guiador
agora é mais largo – aumentou 34 mm – e a posição geral é mais vertical com uma
integração muito correta entre o depósito, assento e apoios para os pés. A
proteção aerodinâmica é um pouco superior, embora não muito mais e facilmente
podemos ajustar de modo manual através de uma alça o para-brisas para a posição
mais alta. O assento está a 840 mm do solo, o que não é exagerado e o
passageiro beneficia de uma posição confortável, com umas agradáveis alças
laterais para se apoiar.
COMPORTAMENTO DINÂMICO

Em termos
dinâmicos, a Tracer 700 exerce bem a sua função como veículo de deslocação
diária, mas também como uma espécie de válvula de escape após um dia de
trabalho, ou numa viagem de fim-de-semana.
As suspensões deram um salto de qualidade. O tacto melhorou, estão menos macias que anteriormente, sentimos melhor as mudanças de piso e tanto o garfo quanto o monoamortecedor podem agora ser ajustados em pré-carga e extensão. No entanto, na passagem em maus pavimentos, sentimos uma certa secura no amortecimento na passagem de buracos e lombas, às vezes com choques algo violentos na nossa zona lombar.

O percurso
que escolhemos para este ensaio incluiu uma passagem por estrada de montanha,
com muitas curvas encadeadas. Com a posição de condução vertical e o alto
guiador, nesse cenário a Tracer 700 impressionou pela sua excelente
estabilidade, seja em viragens de maior ou menor ângulo. Além disso, a Tracer
700 não é nada cansativa, é muito dócil e movimenta-se com extrema
facilidade.
No que respeita aos travões, nada a dizer. O poder de travagem existe claramente, e uma vez familiarizados com o tacto muito reativo da manete, pode-se evoluir mantendo apenas um dedo na alavanca. O disco duplo de 282 mm à frente ajudado pelo disco traseiro de 245 mm asseguram esse bom comportamento.

A Tracer 700 não é uma moto pesada. Em andamento e com o depósito cheito pesa 196 kg, mas a sensação ao andar é de muito maior leveza, e isso traduz-se numa agilidade notável que acabamos por agradecer numa série de curvas encadeadas como as que encontramos na bela serra da Arrábida. As medidas de pneus escolhidas, 120/70 e 180/55 em rodas de 17 polegadas, pareceu-nos a escolha acertada.

A relação
peso-potência é muito boa e as mudanças de direção são uma delícia, já que não
precisamos de fazer nenhum tipo de esforço excessivo, muito ao contrário da sua
irmã maior Tracer 900.
A CONCORRÊNCIA

Com um preço de 8700 euros, a nova Yamaha Tracer 700 consegue ter um valor concorrencial apelativo face às suas mais diretas opositoras. São elas, a Versys 650 e a V-Strom 650 A, qualquer delas ligeiramente acima do preço da Tracer 900, 8990 euros para a Kawasaki e 8999 euros para a Suzuki, respetivamente. Já fora desse patamar está a BMW F 750 GS, com um PVP que sobe aos 9.886 euros, embora a moto alemã beneficie da sua maior cilindrada para ser a mais potente do lote com os seus 77CV. A Tracer 700 vem logo a seguir com os seus 72,4 cv, seguida de perto pelos 71 da V-Strom e 69 da Versys.
No peso, a Yamaha volta-se a destacar como a moto mais ligeira neste grupo de quatro motos, sendo a única com um valor abaixo dos dois dígitos: 196 quilos. Em sentido oposto, a F 750 GS é a concorrente mais pesada.
GOSTÁMOS
Novo visual
Motor dócil
Capacidade
para viajar
Versatilidade
Travagem
poderosa
A
MELHORAR
Curso limitado
das suspensões
Ausência do controlo de tração

BALANÇO FINAL
Chegando ao final, medindo os prós e
contras, devemos confessar que nos agradou bastante o novo visual da Tracer 700
que parece uma moto muito à frente do seu tempo, tal como acontece com a nova
R1. Gostámos também do seu motor muito dócil e com forte caráter, das suas
capacidades para viajar, da sua versatilidade e da sua capacidade travagem
poderosa. A melhorar, o curso das suspensões que rapidamente chegam ao seu
limite num pavimento degradado. O sistema de controlo de tração seria no
entanto bem vindo, sobretudo para as passagens em piso molhado. Dos modos de
condução não sentimos qualquer falta!
Existem 3 opções de cor para esta moto: Cinzento (Icon Grey), Vermelho (Sonic Grey) e Azul (Phantom Blue), qualquer delas ao preço de 8.700 euros.
EQUIPAMENTO OPCIONAL
Em termos de equipamento a Yamaha disponibiliza um total de 4 ‘packs’ para a nova Tracer 700;
Pack Weekend (+ 859,77 €)

Conta com uma leve mala lateral em
ABS com boa capacidade de transporte, com o para-brisas alto e a proteção do
depósito a melhorarem ainda mais o nível de conforto para desfrutar sempre de
uma condução de qualidade.
Pack Urban (+ 453,87 €)

Caso vá utilizar a Tracer 700 para as
deslocações diárias para o trabalho na cidade, a Top Case preta de 39 litros
com fechadura do Pack Urban oferece a flexibilidade de transportar os seus bens
pessoais de forma segura. Além disso, o prático adaptador USB permite ligar um
dispositivo de navegação por satélite ou carregar dispositivos e manter o
controlo.
Pack Sport (+ 450,00 €)

Com uma leve proteção da corrente e
uma apelativa proteção do radiador integral, bem como proteções laterais e um
suporte de chapa de matrícula compacto, o Pack Sport aperfeiçoa o aspeto
dinâmico da Tracer 700 para conferir um carácter ainda mais urbano a esta
radical moto de cilindrada intermédia.
Pack Travel (+ 1290 €)

Se for o tipo de motociclista que percorre regularmente longas distâncias, o Pack Travel é o indicado para si. Passa a contar com as vantagens do luxuoso assento confortável e do para-brisas alto. Poderá também contar com as malas laterais City com fechadura, e melhorar o lado prático no dia a dia da moto.

Posto isto, fica a pergunta: terá a nova Yamaha Tracer 700 (na foto acima ao lado da irmã mais velha Tracer 900) um futuro risonho pela frente?
Logo que este este maldito vírus tenha a feliz ideia de nos deixar em paz, diremos que sim!
FICHA
TÉCNICA
Marca e modelo: Yamaha Tracer 700
Ano de produção: 2020
Preço base: a partir de 8.700,00 €
Tipo de moto: Trail de Sport-turismo
MOTOR
Tipo de
motor: 2 cilindros a quatro tempos com refrigeração líquida
Distribuição:
dupla árvores de cames (DOHC), 4 válvulas por ciilindro
Cilindrada: 689cc
Diâmetro x
curso: 80.0 mm x 68.6 mm
Taxa de
compressão: 11.5 : 1
Potência
máxima: 54 kW (72,4 CV) a 8750 rpm
(Versão com
potência limitada 35.0 kW 7,500 rpm)
Binário
máximo: 68.0Nm (6.93kg-m) a 6,500 rpm
Sistema de
lubrificação: cárter húmido
Tipo de
embraiagem: multidisco banhada a óleo
Sistema de
ignição: TCI
Arranque: eléctrico
Alimentação:
injeção de Combustível
Sistema de
transmissão: sincronizada, 6 velocidades
Transmissão
final: corrente
PARTE
CICLÍSTICA
Tipo de quadro:
em formato Diamante
Ângulo do
avanço de roda: 24.8 graus
Trail: 90mm
Suspensão
dianteira: forquilha telescópica, curso 130 mm
Suspensão
traseira: braço oscilante com monoamortecedor central, curso 142 mm
Travão
dianteiro: disco duplo hidráulico, Ø282 mm
Travão
traseiro: disco hidráulico, Ø245 mm
Pneu
dianteiro: 120/70 R17 M/C 58W (tubeless)
Pneu
traseiro180/55 R17 M/C 73W (tubeless)
DIMENSÕES, PESO E CAPACIDADES
Comprimento
total: 2140 mm
Largura
total: 806 mm
Altura total:
1290 mm
Altura do
assento: 840 mm
Distância
entre eixos: 1460 mm
Peso
(incluindo óleo e gasolina): 196 kg
Capacidade do
depósito: 17.0 lt.
Consumo de
combustível anunciado: 4.3l/100 km
Consumo de
combustível verificado: 4.8l/100 km
Emissões CO2: 100g/km
AS CONCORRENTES
MODELO PREÇO / POTÊNCIA / PESO
YAMAHA TRACER 700 8.700 € / 72,4 CV / 196 KG

KAWASAKI VERSYS 650 8.990 € / 69 CV / 217 KG

SUZUKI V-STROM 650 A 8.999 € / 71 CV / 213 KG

BMW F 750 GS 9.886 € / 77 CV / 224 KG














































