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Esbelta e graciosa como um Ferrari em 2 rodas, e com o vermelho vivo a condizer, a nova Panigale V2 repesca o nome da sua irmã mais feroz de 4 cilindros e aplica-o no tradicional formato da Ducati de 2 cilindros em V a 90 graus, debitando 155 cavalos às 10.750 rpm.

Tempos houve em que a maior Superbike da Ducati, a 888, nem
chegava aos 900cc, mas agora, com a Ducati de Superbike a chegar aos 1198 cc,
este motor Panigale Superquadro de 955cc é a versão mais gentil do motor de
comando Desmodrómico, permitindo explorar toda a doçura de uma ciclística
perfeita ao longo de uma larga faixa de utilização muito linear.
A moto segue a estética da Panigale R, desenhada por GianAndrea
Fabbro, incorporando a solução excêntrica do amortecedor traseiro acoplado ao
lado esquerdo do motor, até para complementar a adoção do monobraço da
Panigale, em contraste com a 959 que este modelo substituiu.
ERGONOMIA

Esta moto não só é lindíssima à vista, mas agrada aos outros
sentidos também, pelo mundo de emoções a que nos consegue transportar sem a
resposta brutal ou dureza de suspensões que por vezes se receia numa Superbike.
Assim que nos sentamos, descobrimos que a bolha é muito
estreita e não chega para nos esconder atrás da carenagem… O que faz, no
entanto, é tirar toda a pressão do nosso peito, quando seguimos ligeiramente
inclinados paa diante, tornando a posição do guiador ideal para uma desportiva.

Nem vamos muito encavalitados no banco, com peso demais nos
pulsos, nem chegados demasiado atrás, sendo possível assumir uma posição mais
agressiva se nos apetecer… por exemplo, para enfrentar uma série de curvas
encadeadas que são a razão de ser desta moto.
Aí, podemos utilizar o apoio dos poisa-pés para a dirigir
como que magicamente, cada pequeno movimento nosso provocando logo a
correspondente resposta da ciclística sem mais esforço, talvez um toque nos
avanços para a colocar na zona mais funda da curva, regressando com o abrir
gradual do acelerador a fazer a moto erguer-se de novo a caminho da curva
seguinte.

Numa reta, a aceleração não é de cortar a respiração, pois a
subida de rotação do bicilíndrico em V leva o seu tempo a dar a volta ao
mostrador TFT, mas há tanta faixa utilizável, que nos permite explorar o motor
em diferentes combinações de passagens de caixa, brincando com a descida de
rotações só para ver quanto conseguimos descer e continuar a sair muito limpa.
MOTOR

O ponto forte é justamente a forma gradual como tudo
acontece, já que a entrega do motor Superquadro de 8 Válvulas é complementada
perfeitamente pela linearidade da ciclística, mas nem se pense por isso que
este motor é anémico.
De facto fazer um bicilíndrico desta dimensão atingir regimes
estratosféricos por volta das 11.000 rpm faz com que haja faixa utilizável com
linearidade entre as 5 e as 10 mil, mas com um puxão mais forte, que é imediatamente
perceptível, entre as 8 e as 9 mil rotações.
Ao mesmo tempo, este motor tem uma sensação que não inclui a
crudeza de anteriores gerações dos V2 da marca de Bolonha, pelo contrário, a
sensação de entrega de potêcia à medida que o motor sobre de regime, é agora
temperada com uma suavidade e ausência de ruídos mecânicos também ela muito
agradável. Se quiserem, não deixa de ser
Ducati, mas é uma Ducati diferente.

Para isso, contribuem também os 3 modos de condução, Street,
Sport e Race:
O Street é um bocadinho manso, pois apesar de manter os 155
cv do motor, modula a resposta do acelerador Ride-By-Wire e seria para
enfrentar chuva ou piso escorregadio, pois torna a resposta do punho mais
gradual, como se nunca fossemos atingir o limite de rotações e por outro lado,
assegura um alto nível de intervenção dos controlos de tração e ABS.
A seguir, vem o modo Sport, que dá uma sensação de
acelerador e subida de rotação mais direta, maximizando o ABS em curva e
regulando as ajudas eletrónicas para uma condução desportiva.
Finalmente, no modo Race, a sensação do punho é muito mais
direta ainda e supostamente, a eletrónica o menos interventiva possível… não é
que com os superlativos Pirelli Diablo Rosso Corsa, perfeitamente à altura de
participar num Track Day, alguma vez estivessemos em risco de provocar
derrapagens, mas o motor sente-se mais cru e tudo começa a acontecer muito
depressa, a resposta motor equilibrada com a rapidez de reação da ciclística.
Na prática, pelo puro gozo que dá e levando em conta a
leveza da moto em condução, este seria o modo escolhido por nós, sem dúvida em
detrimento de consumos mais contidos, mas quem pensa nisso com esta Panigale
V2?
O pacote de assistências inclui os 3 Modos de condução já
descritos, Street, Sport e Race, ABS em curva EVO, Controlo de tração Ducati DTC
EVO 2, Controlo de cavalinho Ducati DWC EVO, Controlo de derrapagem Ducati DSC
e Controlo de travagem motor EBC EVO.
ESTÉTICA

Esteticamente, a dianteira está muito próxima da anterior
959, mas a traseira, com o motor portante e o amortecedor colocado do lado
direito, remete para a Panigale e torna a moto mais ligeira e menos
sobrecarregada. A nova Panigale V2 está cheia daqueles pequenos detalhes que
ainda estamos a descobrir uma horas depois de a ter nas mãos e tornam as motos
italianas tão especiais… O emblema da Ducati na frente do vidro, a sigla
Panigale V2 dos lados da carenagem, a inscrição Ducati na cauda que incorpora o
tricolore… Até a Showa e a Pirelli entram na festa, com o piso do pneu gravado
com o nome Rosso Corsa!
COMPORTAMENTO

Se o comportamento dinâmico é exemplar, benefieciando de uma
boa estrada sem solavancos, os travões estão à altura, com aquela sensação
sedosa das manetes Brembo e punhos estreitos que amplificam a sensação de controlo…
A mordida das pinças Brembo é infinitamente modulável, doseando-se com dois
dedos duma leve correção até à violência de desaceleração que quase provoca uma
égua sem esforço, ajudada pela presença do ABS.
Até o pedal do travão traseiro tem um bom tacto, útil para
aconchegar a moto, que se nota por vezes algo leve em curva, mas de uma
estabilidade total…
Os avanços são ao mesmo tempo baixos e largos, e como não
vamos excessivamente empinados na moto nem os pés vão exageradamente elevados,
a posição de condução acaba por ser muito boa para uma desportiva deste tipo…

Do lado da suspensão, o famoso Showa Big Piston Fork proporciona uma variedade de ajustes conjugáveis com a regulação do amortecedor traseiro Sachs.

A única coisa que poderíamos criticar, fiel à sua vocação de moto de Track Day, é a ausência de uma leitura do nível de gasolina até que se acende o aviso de reserva…
De resto, pelos seus 17.795 Euros preço base, a Panigale V2 proporciona as sensações fortes que esperamos de uma Ducati, mas temperadas com uma nova sofisticação e conforto, que permitiria até alargar a sua utilização quase para o dia-a-dia…
|
FICHA TÉCNICA |
Ducati Panigale V2 |
| Motor |
Bicilíndrico em L a 90 graus, refrig. líquida, 4 tempos |
| Distribuição |
DOHC 8 válvulas, comando Desmodrómico |
| Potência |
155 cv às 10.750 rpm |
|
Binário Máximo |
104 Nm/9.000rpm |
|
Taxa de Compressão |
12,5 : 1 |
|
Diâmetro x Curso |
100 x 60,8 mm |
| Ignição | TCI |
| Alimentação |
Injeção eletrónica Magnetti Marelli, Ride by Wire |
| Instrumentação |
Écran TFT de 4,3 polegadas |
|
Emissões CO2 |
100 g/km, 2 catalizadores e 2 sondas Lambda |
| Cilindrada |
955 cc |
| Embraiagem |
Multidisco em banho de óleo servo-assistida |
|
Caixa de velocidades |
6 relações com Ducati Quick Shift up/down EVO2 |
| Ciclística |
Monocoque em liga de alumínio |
|
Braço oscilante |
Monolateral em liga de alumínio com túnel p a corrente |
| Dimensões |
2.138 x 806 x 1270 |
|
Suspensão Frente |
Garfo telescópico invertido Showa BPF 43mm, curso 120 mm |
|
Suspensão Traseira |
Mono amortecedor Sachs, curso 130 mm |
|
Angulo direção/ Trail |
24 graus /94 mm |
|
Pneus, Frente – Trás |
120/70 ZR17 – 180/60 ZR17 tubeless |
|
Travão dianteiro |
Discos Brembo 320 mm c ABS, pinça Brembo radial |
|
Travão traseiro |
Disco Brembo 245 mm c ABS em curva |
|
Altura do assento |
840 mm |
|
Distância entre eixos |
1436 mm |
|
Distância livre ao solo |
140 mm |
|
Transmissão final |
Corrente |
|
Peso, ordem de marcha |
200 Kg/ 176 Kg a seco |
|
Depósito de combustível |
17 litros |
| Preço |
17.795 € |
CONCORRÊNCIA

Honda CBR1000R Fireblade
199 cv, 202 Kg, 22.200€

MV Agusta
F3 800RC
148 cv, 173 Kg, 21.703€

Suzuki GSX-R 1000A
199 cv, 202 Kg, 17.999€













