A BMW F 900 R é uma daquelas motos que encanta pela sua simplicidade. Ciclística capaz e uma posição de condução relaxante permitem encarar cidade e estrada com o mesmo a vontade, Km após km.
As versões R da série F da BMW sempre representaram uma espécie de regresso aos básicos, despojadas de artifícios, vidros elevados, zonas plásticas excessivamente envolventes ou, em geral, complicações. Por isso mesmo, acabam por potenciar o puro gozo das sensações de conduzir uma moto, no caso desta F900R, ainda melhoradas pelas assistências eletrónicas do modelo.
Primeiro,
vejamos quais são as suas concorrentes:

Ducati Monster 821
821 cc/ 109
cv / 180 Kg / 2.170 mm/ 11.825€

Kawasaki Z900
948cc / 125
cv / 210 Kg / 2.070mm /10.395€

Yamaha MT09
847 cc / 115
cv / 193 Kg / 2.075 mm / 9.295€
PREÇO
Por aqui,
vemos que em termos de preço, a BMW está muito competitiva: É a mais barata das
4, embora quase nunca venha a custar os 8.925 com alguns extras, mesmo se
considerarmos um preço médio de 9.600€, só a MT09 é 300 € mais barata, e ainda
bate a Kawasaki por quase 800 Euros e a Ducati, outra marca premium, por uns
incríveis 2.200€
POTÊNCIA
Aqui, as
diferenças são pequenas: A Kawasaki, com 125 cv, assume-se como a mais potente,
seguida da Yamaha com 115, a Monster tem 109 e a BMW é a menos potente com 103…
PESO
O peso ronda
os 200 Kg em todas, nesta caso a BMW e a Kawasaki são praticamente equivalentes
com 211/210, a Yamaha fica a meio com 193Kg e a Monster é um bom bocado mais
leve com apenas 180 Kg.
COMPRIMENTO
Mais uma
vez, pouco a escolher aqui, a Ducati, que parece a mais pequena, é a maior com
2,170mm, a BMW com 2,140 vem a seguir e a Kawasaki e Yamaha, só diferem 5 mm
dos 2,070 que as tornam as mais pequenas… mas a diferença total são 10 cm!
A BMW
Quase
idêntica à 900XR que ensaiámos há dias, a 900R difere apenas em duas coisas: Na
forma do guiador e na ausência de uma frente excessivamente bojuda e com um,
diga-se de passagem, exíguo, vidro à frente.

E não é que
estas duas pequenas diferenças acabam por fazer uma grande diferença?
O guiador mais plano e estreito da R coloca-nos numa posição ligeiramente mais inclinada que na XR, que acaba por potenciar as tais sensações mais puras do que conduzir uma moto devia ser.

Claro que
tudo isto é ajudado pela posição de condução perfeita, pela neutralidade e
excelência da ergonomia e pela disponibilidade permanente de entrega do
bicilíndrico paralelo de 895cc, que debita 103 cavalos mas entrega também 92
Newton metros de binário às 6.500 rpm. Ao mesmo tempo o modelo tem Euro5 e
continua a revelar-se muito económico em consumos.

Mais do que
isso, a condução desportiva é potenciada pela entrega e natureza redonda do
motor, que gosta de ser acelerado para as zonas mais altas do conta-rotações,
onde tudo começa a funcionar mais suavemente… especialmente o shifter adicionado
como um extra a esta unidade, bem como os punhos aquecidos, cruise control, navegador
e modo Dynamic que incorpora a ESA, suspensão ajustável eletronicamente.
O que falta
nesta moto, confirmando o que pensámos da XR, que os plásticos dianteiros
refletem muito os ruídos mecânicos para o condutor, é justamente ruído,

A aceleração
ganha uma nova suavidade, simplicidade e leveza são palavras de ordem, mas ao
contrário da filosofia estabelecida de que necessitamos de carenagens e
guiadores baixos para apreciar condução mais desportiva, aqui basta chegar um
pouco à frente e de repente temos um mundo de sensações à nossa espera.

Rotundas,
vias rápidas, estradas sinuosas, tudo esta moto negoceia deixando-nos um
sorriso no rosto. Se escolhermos imitar uma linha branca no chão através de uma
série de curvas, a ciclística segue-a sem esforço da nossa parte, uma
conjugação da distribuição de peso nas peseiras e alguma pressão nos punhos.

Com
dissemos, o shifter só funciona bem a mais altos regimes, digamos a partir das
5.000, abaixo disso salienta a rudeza na caixa, feita pela Loncin na China e
longe de ser a mais suave de uma BMW, quanto mais do mundo das motos… Mesmo
usando o seletor, a passagem é sempre algo dura e ruidosa… Isto no entanto é
compensado pela leveza da embraiagem mecânica, operada através duma manete
ajustável – outro toque útil.

A moto está
mais à vontade entre os 140 e 160 Km/h, quando a falta de proteção aerodinâmica
ainda não é incomodativa, poia o conjunto da ótica direcional e instrumentos
acaba por proporcionar algum descanso à deslocação de ar. Isto, claro encoraja
ainda mais uma condução desportiva, e o melhor de tudo é que a BMW decidiu
colocar esta moto a um preço muito competitivo, 8.925 euros na versão base.
Além da
caixa dura, condução espirituosa vai também ressentir-se dos limites da
suspensão, com o garfo não ajustável a repetir um bocadinho demais a estrada e
dar a mais leve tendência para subviragem ao conjunto.

Os travões
são potentíssimos e doseáveis de altas velocidades, e o de trás é especialmente
útil para aconchegar a moto em curvas mais lentas ou manobras, quando a boa
altura do banco, nominalmente 825mm, também é uma coisa a ter em conta.
Habituar-nos
às muitas opções de informação do écran TFT leva um bocadinho, mas basta dizer
que podemos escolher dois modos, no Sport as rotações são exibidas mais
centralmente e num modo a imitar o analógico, e até podemos selecionar um lap
timer para medir uma determinada jornada… Em resumo, ser uma R não tira nada à
F900 nesta versão mais simples… pelo contrário, achamos que só adiciona ao
encanto do modelo, que aproveitando a boa conjugação de resposta motor e
posição de condução, acaba por ser uma boa opção para cidade ou percursos médios
no dia-a-dia ou até fins-de-semana…
|
FICHA TÉCNICA |
BMW F900R |
| Motor |
Bicilíndrico paralelo, cárter seco |
| Distribuição |
DOHC 8 válvulas |
| Potência | 105 cv às 8.500 rpm (também versão A2) |
| Binário Máximo | 92 Nm às 6.500 rpm |
| Diâmetro x Curso | 86 x 77 mm |
| Ignição /Alimentação | Injeção eletrónica |
| Emissões CO2 | 99 g/Km Euro 5, catalisador de 3 vias |
| ABS | Bosch em curva |
| Cilindrada | 895 cc |
| Embraiagem |
Multidisco em banho de óleo, deslizante, por cabo |
| Ciclística |
Quadro em tubo de aço, motor portante |
| Dimensões | 2.140 x 815 x 1.130 |
| Suspensão Frente |
Forquilha telescópica invertida, 43 mm, curso 135 mm |
| Suspensão Traseira |
Mono amortecedor ZF, curso 142 mm |
| Angulo direção/ Trail |
29,5 graus /105,2 mm |
| Pneus, Frente – Trás | Bridgestone, 120/70 R17 – 180/55 ZR17 tubeless |
| Travão dianteiro | Pinça radial Brembo de 4, discos 320 mm c ABS |
| Travão traseiro | Pinça 2 êmbolos Disco 265 mm c ABS |
| Altura do assento | 825 /775 mm |
| Distância entre eixos | 1521 mm |
| Distância livre ao solo | 141 mm |
| Transmissão final | Corrente |
| Peso, ordem de marcha | 211 Kg |
| Depósito de combustível | 15,5 litros / 3,5 l reserva |
| Preço (a partir de) | 11.700 € |






















