Levará Márquez tudo à frente na mais longa época de GP de sempre, ou terá adversários à altura em 2026?
“tipicamente, entre as previsíveis vitórias do homem de Cervera, haverá vitórias esporádicas de 3 ou 4 outros”
Não vou tirar grandes conclusões dos resultados e tempos dos testes de Sepang, pois estes têm invariavelmente o condão de dizer muito pouco em relação ao que depois se passa na época de competição propriamente dita…

Pilotos que brilham num volta isolada depois afundam-se na grelha quando é mesmo a sério a roçar cotovelos, e outros que mal se notam nos treinos depois alinham os alvos e fazem resultados brilhantes em corrida. Ao mesmo tempo, porém, não há fumo sem fogo, e podemos tirar algumas conclusões não tanto dos tempos conseguidos nos treinos, mas de como estes decorreram. Decerto, Marc Márquez, ao chegar e impor-se logo no primeiro dia, deixou um recado ao resto da grelha: O Campeão está de volta, mais uma vez recuperado da lesão que o afastou antes do fim da época passada, e não perdeu nem ritmo, nem capacidade de se colocar no topo ao fim de meia dúzia de voltas.

Como habitual, 1 segundo separava os primeiros 12 pilotos e portanto as diferenças entre ‘bons’ e ‘maus’ são mínimas, com dois lotes de pneus disponíveis, um mais duro e outro mais macio que não dava grandes opções quando se chegou às simulações de corrida.
No entanto, outros sinais do ‘paddock’ dão a entender que a época não vai ser uma de vitórias sem oposição, antes pelo contrário: Bezzecchi na Aprilia acabou o último dia a ameaçar a volta rápida de Alex Márquez, as amarelas da VR46 Pertamina de Rossi com Fabio DiGiannantonio, pelo menos, a testar o novo graal da aerodinâmica (laterais de 2026 com frente de 2025) ficaram perto, e se considerarmos Bastianini na equação, mais o comentário de Acosta de que as KTM estão, simplesmente, mais rápidas, já são 3 marcas ao barulho, não por acaso todas europeias.

Porém, os japoneses não perderam a boleia de forma alguma, se nos lembrarmos que na Honda, o Espargaró da variedade Aleix liderou o ‘shakedown’ para pilotos de teste e entregou o testemunho a Mir, que fez outro tanto a seguir aproveitando a nova velocidade de ponta das RCV.
É natural que isto ainda não seja um carreiro para o pódio, pelo menos na parte inicial da época, mas talvez seja uma via para presença mais frequente no Top 5, impensável há um par de épocas.

As Yamaha também estavam a andar bem, aproveitando o estatuto de Rank D de concessões, que lhes permite realizar mais treinos, com boas exibições de Miller inicialmente, até o teste ser interrompido, quando já estavam desfalcados pela ausência de Quartararo, por uma misteriosa avaria que, lendo nas entrelinhas, foi uma falha de motor que arriscaria ‘a segurança do piloto e doutros em pista’. Perante arriscar e jogar pelo seguro mas com o dano à imagem da marca, a Yamaha teve a coragem de tomar a decisão certa e retirar as YZR-M1V, evitando uma potencial quebra de componentes do grupo térmico do novo V4 da marca, suscetível de espalhar óleo, e logo a seguir, pilotos rivais, pela pista. Há antecedentes de longa data nisto, em falhas no controlo de qualidade da marca, com o escândalo dos motores com válvulas ‘ilegais’ há uns anos e mais atrás no passado, com certas TZ de competição cliente a vir com bielas de comprimentos diferentes que as tornavam impossíveis de afinar… mas fosse o que fosse, foi corrigido a tempo e temos, portanto, que à partida todas as marcas podem brilhar, cada uma à sua maneira.

Realisticamente, ainda não vemos outro piloto a bater Marc Márquez consistentemente. Ele está tão bom como sempre, e a Desmosedici melhor ainda. A Ducati Lenovo vai continuar a ser uma máquina bem oleada com a capacidade de melhorar ao longo da época. Tipicamente, entre as previsíveis vitórias do homem de Cervera, haverá vitórias esporádicas de 3 ou 4 outros, que apimentarão a época, mas que nunca acumularão pontos suficientes para montar uma ameaça à vermelhona oficial. Se um deles for Bagnaia, pode muito bem ser um ‘hat trick’ para Bolonha outra vez…
Atrás, o entretenimento estará assegurado pelo progresso dos rookies Moreira e Razgatlıoğlu, respetivamente na Honda e na Yamaha satélites, pelo que a mais longa época de sempre com 22 Grandes Prémios, incluindo a passagem por Portimão em novembro, vai decerto ser empolgante de seguir…
















