MotoGP, as equipas: A Yamaha

Por a 15 Junho 2020 16:00

O pior inimigo de Biaggi era, frequentemente, o próprio

A Yamaha Motor Racing ou Yamaha Factory Racing, também conhecida como Yamaha Monster Energy pelo seu actual sponsor, é a equipa oficial de fábrica da Yamaha no MotoGP.

A equipa foi fundada em 1999 após a retirada de Wayne Rainey, que tinha dirigido uma equipa de 500 apoiada pela fábrica nos dois anos anteriores, com Phil Read, Kenny Roberts e Giacomo Agostini a gerirem as suas próprias formações apoiadas pela fábrica antes dele indo para trás até aos anos 60 do século passado.

A equipa estava originalmente sediada na Holanda, mas foi transferida para Itália em grande parte devido à influência da BYRD, a Belgarda Yamaha Racing Division, que foi essencial, através do seu manager Davide Brivio, em convencer Valentino Rossi a escapar da Honda para a marca de Ywata e assim lançou a Yamaha na senda dos seus mais recentes sucessos com Rossi e Lorenzo.

Antes, a Yamaha YZR500 de fábrica, normalmente com as cores da Marlboro, tinha sido montada por Max Biaggi na temporada de 2001.

De facto, Max Biaggi e Carlos Checa correram pela equipa de 1999 a 2002. Biaggi alcançou um total de 8 vitórias em corridas nesse período, primeiro montando a Yamaha YZR500 e mais tarde a Yamaha YZR-M1 em 2002, quando a formula passou a quatro tempos.

Em 2003, Biaggi deixou a Yamaha e Checa foi acompanhado por Marco Melandri. A equipa teve uma temporada de resultados médios, mas sem pódios. Em 2004, Valentino Rossi juntou-se a Checa na equipa.

Nesse ano, Rossi conseguiu 9 vitórias e ganhou o campeonato. Colin Edwards juntou-se à equipa em 2005, quando Rossi voltou a vencer o campeonato, arrecadando 11 vitórias, ainda mais que no ano anterior.

Apesar de não se darem bem, Lorenzo e Rossi formaram um alinhamento formidável na Yamaha

Rossi e Edwards ficaram com a equipa em 2006 e Rossi obteve 5 vitórias e terminou em 2º lugar no campeonato. Para a temporada de 2007, ambos os pilotos permaneceram com a equipa montando o novo modelo de 800cc da Yamaha YZR-M1. Rossi teve 4 vitórias e terminou a temporada 3º na geral.

Em 2008, a Yamaha obteve uma formação única, um autêntico “dream team”, com Rossi a ser acompanhado na equipa por Jorge Lorenzo.

Embora a dupla estivesse a lutar pelo título com estruturas separadas de diferentes lados da boxe, já que Rossi optou por usar pneus Bridgestone e Lorenzo continuou com os Michelin, a Yamaha operava como uma equipa e não duas entidades distintas.

Os sucessos do Doctor na Yamaha são lenda

O título foi conquistado dominantemente por Rossi, que venceu 9 das 18 corridas e terminou no pódio em todas as corridas, exceto duas. Apesar de este ter sido um ano de aprendizagem na classe rainha para Lorenzo, também ele conseguiu chegar à vitória no Estoril e terminou em 4º lugar no campeonato.

Em 2009, a Yamaha dominou o MotoGP, com Rossi a ganhar o título e Lorenzo a terminar em segundo. A dupla, na altura patrocinada pela FIAT, venceu 12 das 17 corridas e consequentemente a Yamaha venceu o Campeonato de Construtores.

Entre 2010 e 2012, além dos regulares Lorenzo e Rossi (substituído por Spies em 2011) a equipa alinhou tentativamente com um piloto wild card Japonês, Wataru Yoshikawa em 2010, e Katsuyuki Nakasuga em 2011 e 2012, e se em 2010 Yoshikawa apenas conseguiu um ponto na Catalunha, já o veterano mas feroz Nakasuga fez 2 segundos lugares na última corrida do ano em Valencia nas duas ocasiões…

Spies teve dificuldades, como previra, entre os “tubarões” do MotoGP

Entre 2011 e 2013, com Ben Spies na equipa, a Yamaha atravessou um período difícil, sem sponsor titular, em que mesmo assim ficou em segundo no campeonato de Construtores, com uma incrível exibição de Jorge Lorenzo em 2012, quando o Maiorquino acabou todas as corridas no pódio menos duas, e seis desses pódios foram vitórias para o seu segundo título de MotoGP…

Depois de sete anos na Yamaha, Rossi deixou a equipa para competir com a Ducati por duas temporadas, mas Lorenzo também não teve sorte na corrida ao título. Em 2013, Rossi regressou à equipa e no ano seguinte, provavelmente por isso mesmo, a Yamaha obteve o apoio da Movistar e em 2015 ganhou o título com Lorenzo, que entretanto foi também aliciado pela Ducati, sendo substituído na equipa por Maverick Viñales.

No ano anterior, Davide Brivio tinha-se afastado, pois após gerir a carreira de Rossi brevemente, tinha aceite liderar o projeto de regresso da Suzuki ao MotoGP e Lin Jarvis, que geria até então os projectos de apresentações internacionais à imprensa, passou a ser o director de competição da Yamaha, embora seja outro “refugiado” da BYRD, Massimo Meregalli, a gerir a equipa no dia-a-dia.

Viñales é cada vez mais consistente na melhorada M1

Tecnicamente sempre perto do topo, até pela continuada presença do exigente Rossi, a equipa tem lutado com problemas de configuração na sua Yamaha M1, que não só estava atrás em velocidade, mas continuava a exibir um problema de chassis que fazia colocar a potencia no chão um problema: a escolha era afinar para aderência, e a moto escorregava de frente à saída de curvas, subvirando, ou afinar para saída de curva e a traseira derrapava excessivamente, desgastando prematuramente os pneus traseiros.

Isto pode ter sido parcialmente escondido pelos anos de Lorenzo, devido à sua proverbial pilotagem em suavidade, mas não favorece um piloto mais agressivo como Maverick Viñales, que ora vence, ora cai…

Ao todo, a versão “moderna” da equipa tem 7 títulos de MotoGP, 4 com Rossi entre 2004 e 2009 e os 3 mais recentes, em 2010, 2012, e 2015, com Lorenzo…

Para 2020, os dois pilotos acusaram melhorias, mas que segundo Valentino Rossi, ainda não resolveram todos os problemas… só que em 2021 vai para a formação um jovem chamado Fabio Quartararo… poderá o Francês colocar a Yamaha no topo de novo?

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