Uma figura sénior da Yamaha MotoGP pediu a Fabio Quartararo para “seguir o exemplo de Jack Miller”, depois de o francês ter afirmado que já não iria participar no desenvolvimento da moto da equipa.
Fabio Quartararo admitiu no início deste ano que não tinha tido qualquer conversa sobre uma possível renovação do seu contrato com a Yamaha para além de 2026, acabando por assinar um contrato com a Honda.
No meio de uma temporada difícil aos comandos da nova Yamaha V4, a frustração do campeão do mundo de 2021 com a marca tem aumentado, uma vez que considera que a Yamaha fez pouco para melhorar a moto desde a sua estreia no ano passado.
As tensões entre Quartararo e a Yamaha, contudo, atingiram um novo nível depois de o francês ter afirmado no Grande Prémio de Aragão que, “por razões pessoais”, deixaria de ajudar a marca japonesa no desenvolvimento da sua moto.
Quartararo diz que a decisão está relacionada com a escolha da Yamaha de não lhe permitir testar os pneus Pirelli na M1 depois do Grande Prémio da Áustria. O francês considera essa decisão injusta, tendo em conta o trabalho de desenvolvimento que lhe foi pedido com vista a 2027.
As figuras de topo da Yamaha, Paolo Pavesio e Massimo Meregalli, responderam agora às declarações de Quartararo numa entrevista à L’Équipe.
Pavesio afirmou: “O Fabio queixa-se regularmente de que não estamos a desenvolver a moto e, quando lhe pedimos para testar novas peças, critica-nos por isso, dizendo que perde o rumo.
“Falta-lhe um pouco de objetividade. É claro que não estamos ao nível que gostaríamos de estar. Mas, tal como os nossos rivais, estamos a tentar avançar.”
Meregalli foi ainda mais direto na sua avaliação e pediu a Quartararo que agisse mais como Jack Miller, considerando que o australiano continua a dar tudo no trabalho de desenvolvimento apesar de ter perdido o seu lugar na grelha.
“O Fabio deveria seguir o exemplo do Jack. Ele dá sempre tudo e garante que, mesmo quando as coisas ficam difíceis, todos mantêm o bom ambiente.”
Sobre o próximo teste na Áustria, Meregalli revelou que Toprak Razgatlioglu e o novo piloto da equipa para 2027, Izan Guevara, estarão aos comandos da moto. O responsável acrescentou que a abordagem da Yamaha não é diferente da adotada pelos outros fabricantes relativamente aos pilotos que vão deixar as respetivas equipas no final de 2026.
“Vamos utilizar o Razgatlioglu e, muito provavelmente, o Guevara no teste da Áustria, porque estarão connosco no próximo ano.
“Todos os fabricantes tomaram esta decisão [de não utilizar pilotos que estão de saída]. O [Jorge] Martín e o [Ai] Ogura não vão testar a Aprilia, o [Pecco] Bagnaia não vai testar a Ducati, o [Pedro] Acosta não vai testar a KTM e nós também não vamos permitir que o Miller teste a nossa 850cc.”
No primeiro teste durante a temporada dedicado aos pneus Pirelli e às motos de 850cc para os pilotos titulares, a KTM decidiu, contudo, colocar Acosta aos comandos da nova moto, apesar de o espanhol deixar a marca no final do ano para rumar à Ducati.
O diretor da KTM, Pit Beirer, explicou que esta decisão fazia sentido porque Acosta é o melhor piloto da marca e os seus dados serão valiosos, mesmo que isso lhe permita obter informações sobre a moto que poderá levar consigo para a Ducati.
A Honda também permitiu que Joan Mir e Luca Marini tivessem tempo de pista com os pneus Pirelli.
















