Rubén Xaus praticamente nasceu rodeado de motos. Não é, por isso, de estranhar que desde muito cedo tenha desenvolvido uma enorme paixão pelas duas rodas, algo que também lhe foi incutido pelo pai. Nem tudo foi fácil para o catalão, que teve de deixar tudo para trás e partir para Itália, mas em 2004 chegou ao MotoGP.
“Bati-me com todos: Melandri, Edwards, os melhores pilotos daquela geração. Cheguei ao MotoGP com uma moto que não estava ao nível das melhores, mas joguei as minhas cartas”, recordou numa entrevista concedida ao meio Fanpage.it.
Xaus reconhece que a sua passagem pela Ducati foi o momento mais importante da carreira, embora nunca tenha tido a estrutura necessária para “transformar todo aquele talento num título mundial”. Ainda assim, não se arrepende do percurso que fez.
“Fui um piloto de alto nível e cheguei ao MotoGP. Daqui a cinquenta anos, provavelmente serão sobretudo Valentino Rossi, Troy Bayliss, Carl Fogarty e Marc Márquez que serão recordados. Mas isso não significa que todos os outros tenham sido pilotos menos importantes.”
Um dos pilotos que fez história no MotoGP foi Valentino Rossi.
“Valentino foi um criador. Um visionário. Chegou ao motociclismo e criou uma marca à sua volta. Trouxe o seu carisma, a sua imagem, a sua forma de criar espetáculo. Mudou o desporto motorizado. Era extremamente inteligente em corrida, sabia jogar com os adversários, sabia gerir as situações e, acima de tudo, não mostrava as suas fraquezas. Essa foi uma das suas grandes forças”, explicou Xaus.
“Valentino também tornou Stoner e Márquez maiores, porque ambos cresceram tendo uma referência à sua frente. É como ter a cenoura à frente do cavalo: tens algo que te empurra constantemente.
“O Stoner tinha um talento enorme, mas teve uma carreira particular. O Márquez, por outro lado, foi uma espécie de Rossi evoluído. Aperfeiçoou algumas coisas que Valentino já tinha feito. O Marc também aprendeu com Rossi como gerir determinadas situações mediáticas e como não entrar em certos jogos.
“E foi precisamente Márquez que conseguiu completar algo que Rossi não tinha conseguido: vencer com a Ducati”, afirmou.
Apesar do sucesso da Ducati no MotoGP, atualmente a referência é a Aprilia, que conta com os seus dois pilotos oficiais, Jorge Martín e Marco Bezzecchi, na luta pelo título.
“A situação dentro da Aprilia é complexa. O Martín chegou com a ideia de ganhar e levar o número um para outra moto. Depois teve os acidentes, perdeu confiança, teve outros problemas e, à sua volta, começaram a surgir muitos rumores. Hoje, no entanto, voltou a estar em forma.”
“A questão é que a Aprilia tem de dar ao Martín exatamente o mesmo material que dá ao Bezzecchi. Não pode fazer outra coisa. E isso cria uma situação particular para o Marco, porque o seu rival não é apenas o Martín: é também a própria Aprilia, que tem de colocar os dois nas melhores condições possíveis”, concluiu.
















