Cinco anos depois de ter colocado um ponto final na sua carreira no MotoGP, Valentino Rossi voltou a dar que falar sobre uma moto de competição. O italiano participou recentemente numa sessão de treinos organizada pela VR46 Riders Academy no circuito de Misano, uma oportunidade para avaliar o nível que ainda mantém sobre duas rodas e comparar os seus tempos com os dos pilotos oficiais da Yamaha no Campeonato do Mundo de Superbike.
Embora desde a sua retirada, no final de 2021, o nove vezes campeão do mundo tenha concentrado a sua carreira nas competições de resistência e GT3 com a BMW, esta aparição despertou enorme interesse entre os fãs. Não se tratou de um teste oficial nem de uma sessão de desenvolvimento, mas sim de um treino privado onde Rossi voltou a pilotar uma Superbike num dos circuitos mais marcantes da sua carreira.
A VR46 Riders Academy utiliza regularmente o traçado de Misano para treinos com os seus pilotos. No entanto, segundo o meio italiano MOW, esta foi a primeira vez que Valentino Rossi participou numa dessas sessões ao lado dos membros da academia.
Para a ocasião, o italiano pilotou uma Yamaha R1 GYTR Pro Superbike com uma decoração personalizada e completou três séries de cerca de uma dúzia de voltas cada. Tudo isto sob as elevadas temperaturas típicas do verão na costa de Rimini e sem qualquer objetivo competitivo, apenas para voltar a desfrutar da condução num circuito que conhece como poucos.
Misano ocupa um lugar especial na carreira de Rossi. Além de ser a pista mais próxima da sua cidade natal, Tavullia, o italiano conquistou ali três vitórias na categoria rainha, razão pela qual continua a ser uma das figuras mais acarinhadas sempre que o MotoGP visita San Marino.
Os dados recolhidos durante a sessão permitem perceber o ritmo que Valentino Rossi ainda consegue manter, apesar de já estar afastado das competições de motociclismo há vários anos.
Segundo o mesmo meio italiano, o antigo piloto rodou consistentemente entre 1m37s e 1m38s por volta com a Yamaha R1 GYTR Pro Superbike.
A comparação mais direta surge com Andrea Locatelli, principal representante da Yamaha na ronda do Mundial de Superbike realizada este ano em Misano. O piloto italiano registou em corrida uma volta de 1m34,179s, uma diferença próxima dos quatro segundos relativamente aos tempos de Rossi durante este treino.
Embora seja uma diferença significativa do ponto de vista competitivo, o contexto da sessão aconselha alguma cautela na interpretação desses números.
Tudo indica que Valentino Rossi encarou este regresso às duas rodas de uma forma muito diferente da de um piloto em plena competição.
Desde a sua retirada do MotoGP, o italiano mantém um intenso programa desportivo ao volante dos BMW da BMW M Team WRT em diversas provas do GT World Challenge, além de participar em competições de referência da resistência, como as 24 Horas de Le Mans e as 24 Horas de Spa.
Nesse contexto, uma queda durante um simples treino de moto representaria um risco desnecessário que poderia comprometer os seus compromissos no automobilismo. Por isso, é pouco provável que Rossi tenha explorado todo o potencial da moto ou procurado aproximar-se dos tempos dos pilotos oficiais de Superbike.
A comparação pode ser alargada aos tempos registados no MotoGP no mesmo circuito. O artigo recorda que a pole position do Grande Prémio de San Marino da temporada passada, conquistada por Marc Márquez, foi cerca de seis a sete segundos mais rápida do que os tempos realizados por Rossi nesta sessão.
Contudo, esta comparação deve ser analisada tendo em conta as diferenças técnicas entre as motos. Enquanto as máquinas de MotoGP são protótipos desenvolvidos exclusivamente para a categoria máxima, a Yamaha R1 utilizada por Rossi baseia-se num modelo de produção adaptado às especificações das Superbikes.
Mais do que os tempos por volta, a sessão teve um forte significado emocional para Valentino Rossi. O objetivo não era preparar um regresso às corridas de motociclismo, mas sim manter o contacto com uma modalidade que definiu toda a sua vida desportiva e voltar a sentir as emoções proporcionadas por uma moto de alta performance.
Cinco anos após a despedida do MotoGP, Rossi continua a demonstrar que conserva grande parte da sua velocidade e talento sobre duas rodas. Embora a sua carreira atual decorra ao volante de carros de competição, a presença em Misano voltou a evidenciar a ligação profunda que mantém com o motociclismo e com um circuito onde escreveu alguns dos capítulos mais importantes de uma trajetória que o transformou numa das maiores lendas da história do desporto motorizado.
















