Valentino Rossi terminou a sexta-feira do Grande Prémio de San Marino com motivos para sorrir. A equipa VR46 colocou os seus dois pilotos entre os cinco mais rápidos no primeiro dia de ação em Misano, com Fabio Di Giannantonio e Franco Morbidelli a demonstrarem competitividade tanto em volta rápida como em ritmo de corrida. Uma prestação que o nove vezes campeão do mundo valorizou, embora tenha preferido manter alguma cautela.
“Estou muito contente com a forma como correu. Hoje fizemos um bom trabalho desde esta manhã e os nossos dois pilotos estiveram muito bem”, explicou Rossi em declarações à Sky Sport. O italiano destacou especialmente a evolução dos dois pilotos durante a tarde e a forma como aproveitaram os ataques ao cronómetro, mas lembrou que o equilíbrio atual da MotoGP não permite relaxamentos. “É apenas sexta-feira e todos os pilotos melhoram muito, por isso, se quiserem estar lá na frente, terão de melhorar ainda mais.”
O antigo piloto observou também com atenção aquilo que aconteceu na pista de Misano. Marco Bezzecchi e Marc Márquez voltaram a afirmar-se como referências, enquanto Álex Márquez mostrou igualmente um ritmo forte. Nesse contexto, Rossi acredita que Di Giannantonio e Morbidelli têm argumentos para continuar na luta pelas posições cimeiras ao longo do fim de semana.
O lado menos positivo para a Ducati foi a situação de Francesco Bagnaia. O italiano voltou a terminar longe dos lugares da frente e Rossi identificou dificuldades relacionadas com a travagem e o comportamento da traseira da Desmosedici.
“Vejo-o bastante em dificuldade, não consegue pilotar bem”, admitiu Rossi. O antigo piloto foi mais longe na análise: “Parece-me que na travagem a traseira desliza muito, como se a afinação do travão-motor e da eletrónica não estivesse totalmente correta.”
Rossi considera que Bagnaia e a sua equipa continuam à procura de soluções, mas a impressão deixada na sexta-feira foi clara. “Hoje vi-o um pouco em dificuldades.” Uma opinião particularmente relevante por vir de alguém que conhece profundamente as exigências do circuito de Misano e acompanha de perto a evolução da MotoGP moderna.
Se Bagnaia preocupou, Luca Marini foi um dos pilotos que mais impressionou Rossi. O piloto da Honda protagonizou uma exibição sólida e o seu meio-irmão não escondeu o orgulho.
“Está a puxar muito forte e foi realmente rápido durante toda a sessão”, afirmou Rossi. O italiano destacou tanto o ritmo apresentado como a velocidade demonstrada com pneus novos e garantiu sentir-se “muito orgulhoso” do desempenho de Marini.
Ao falar da luta pelo campeonato, Rossi considerou que a temporada tem sido marcada por altos e baixos dos principais candidatos, algo que mantém a disputa pelo título em aberto.
“Parece que este campeonato está um pouco amaldiçoado”, brincou, recordando que tanto Bezzecchi como Marc Márquez passaram por momentos difíceis depois de se encontrarem em posições privilegiadas.
Questionado sobre quem poderia surgir como terceiro candidato ao título, Rossi respondeu sem hesitar: “Acosta.” Para o italiano, o piloto da KTM tem potencial para aproveitar qualquer deslize dos dois principais protagonistas da temporada.
Outro dos temas abordados foi a chegada de Nicolò Bulega à equipa VR46 em 2027. Rossi conhece bem o atual piloto de Superbike, que fez parte da Academia VR46 nos primeiros anos da sua carreira.
“Estamos muito contentes porque começou connosco, na Academia, por isso conhecemo-lo muito bem”, explicou. O desempenho de Bulega no Mundial de Superbike convenceu a estrutura italiana de que está preparado para dar o salto para a MotoGP.
Rossi acredita ainda que o italiano parte com uma vantagem importante: “Acho que pode fazer um bom trabalho porque já conhece a moto e os pneus.” Essa adaptação poderá revelar-se fundamental numa época marcada pela introdução do novo regulamento técnico.
A chegada de Bulega significará, contudo, a saída de Franco Morbidelli do projeto VR46. Rossi reconheceu que a situação lhe provoca sentimentos contraditórios. “Lamento pelo Franco, lamento que tenhamos de nos separar e que ele não tenha encontrado outro lugar na MotoGP, porque esse era o seu objetivo.”
Apesar disso, acredita que o italiano terá um futuro competitivo no Mundial de Superbike. “Muito provavelmente terá uma excelente oportunidade nas Superbikes e poderá lutar pelo título.”
O novo regulamento que entrará em vigor em 2027 também despertou curiosidade em Rossi. A redução da aerodinâmica, o desaparecimento dos dispositivos de altura e a introdução dos motores de 850cc prometem transformar profundamente a categoria.
O italiano admitiu que gostaria de experimentar as motos atuais, por serem muito diferentes das que pilotou durante a sua carreira, mas também não descartou a possibilidade de testar uma MotoGP da nova geração.
“Sou embaixador da Yamaha, por isso, se me pedirem para a testar, porque não?”, respondeu entre risos.
Para já, o foco da equipa VR46 continua em Misano. Rossi deixou elogios especiais a Morbidelli após a sessão de sexta-feira. “Bravíssimo hoje, gostei muito. Está em forma e é rápido.” Ainda assim, fez questão de sublinhar que o desempenho demonstrado no primeiro dia não será suficiente para garantir os mesmos resultados no resto do fim de semana, já que a evolução dos adversários obrigará os seus pilotos a dar mais um passo em frente.
















