Pecco Bagnaia precisava de um resultado como este. Depois de meses complicados, de trabalho incessante para recuperar sensações perdidas e de lidar com uma Ducati que já não se adapta de forma natural ao seu estilo de pilotagem, o italiano voltou ao pódio em Mugello. E não foi um pódio qualquer.
Perante o seu público, num dos circuitos mais especiais do calendário, o piloto da Ducati liderou durante grande parte da corrida e resistiu até à última curva para garantir um terceiro lugar com sabor a muito mais.
Os momentos finais da corrida estiveram longe de ser tranquilos para Bagnaia. Com Ai Ogura a aproximar-se rapidamente nas últimas voltas, o italiano teve de gerir a pressão até à bandeira de xadrez.
“Quando comecei a última volta com apenas 1,4 segundos de vantagem sobre o Ogura pensei: ele vai chegar.”
Pecco admitiu que ouviu perfeitamente a moto do japonês a aproximar-se nos últimos setores. “Comecei a ouvir o som da moto na curva 12 e disse a mim próprio que tinha de travar o mais tarde possível para não lhe dar espaço.” A manobra foi arriscada, mas eficaz. “Se ele tentasse ultrapassar, sairia da trajetória. Foi uma estratégia arriscada, mas funcionou.”
E reconheceu que perder essa posição teria sido especialmente doloroso. “Perder o pódio na última curva, depois de uma corrida destas, teria sido um desastre emocional.”
Apesar da pressão de Ogura, Bagnaia sabia que tinha uma vantagem importante nas retas.
“Hoje a minha moto era como uma nave espacial. Seria difícil ultrapassar-me na reta.” Ainda assim, o final não foi simples. “Tive pouca tração na última curva. Só esperava sair o melhor possível e evitar o ressalto para não levantar a roda da frente.”
No fim, tudo correu como planeado. “Foi suficiente para subir ao pódio. Também tenho de agradecer ao meu motor.”
Bagnaia explicou que desde o início sabia que teria de gerir os pneus para chegar competitivo ao final.
“Hoje dei tudo desde a primeira volta. Tentei não forçar demasiado o pneu traseiro, mas a partir da metade da corrida comecei a ter problemas.” Também teve de lidar com a pressão de quem vinha atrás. “Sabia que o Bezzecchi estava perto e que ia atacar. Tive de me acalmar, porque caso contrário não teria hipótese de subir ao pódio. Fiz o melhor que pude.”
Apesar do resultado, Bagnaia reconheceu que a Ducati ainda tem trabalho a fazer.
“Está claro que estamos a ter dificuldades.”
O italiano explicou onde está o principal problema. “Falta-me aderência traseira, mesmo em comparação com outras Ducati, e estamos a tentar seguir noutra direção.” E voltou a referir a mudança no comportamento da moto. “Nas últimas duas temporadas a moto mudou o equilíbrio e estamos a tentar voltar ao que prefiro.”
















