A redução do calendário de testes de pré-temporada do MotoGP para 2027 significa que os pilotos que mudem de equipa, assim como os rookies que cheguem à categoria rainha, terão menos tempo de pista para se adaptarem do que no passado.
Os rookies terão menos dois dias de testes disponíveis, com o Shakedown de Sepang e o Teste Oficial a serem ambos reduzidos de três para dois dias.
Entretanto, os pilotos que já competem no MotoGP — e que não são elegíveis para participar no Shakedown — verão a sua pré-temporada reduzida de cinco para quatro dias, depois do teste de um dia que terá lugar em Valência, em dezembro.
As alterações surgem apesar de o MotoGP estar prestes a passar por uma profunda transformação técnica em 2027, com a redução da cilindrada dos motores para 850cc e a mudança dos pneus Michelin para Pirelli.
Alguns pilotos, entre os quais Pecco Bagnaia, já manifestaram preocupação com o reduzido número de pilotos autorizado a experimentar as motos e os pneus do próximo ano no teste de Brno. Um segundo teste terá lugar depois da Áustria, embora a lista de pilotos que participarão ainda não tenha sido confirmada.
«Compreendo a ideia de não experimentar a 850cc, porque é normal [uma vez que vou sair da Ducati]. Acho que está correto», afirmou Bagnaia no início desta temporada.
«Mas chegar a 1 de dezembro sem sequer ter experimentado os Pirelli antes e depois pilotar as motos durante um dia em Valência… Começas às 11h00 e terminas às 15h00 [devido às baixas temperaturas].
«Por isso, não há muito tempo. É um pouco estranho, porque não vais perceber os pneus e não vais ter nada para perguntar à Pirelli.»
A redução dos testes de inverno certamente não ajudará os pilotos a recuperar o tempo perdido na aprendizagem dos novos pneus Pirelli.
No entanto, falando em Aragão, o antigo campeão Fabio Quartararo, que também vai mudar de equipa e fabricante ao trocar a Yamaha pela Honda, garantiu que não está preocupado.
«Teremos dois dias em Sepang e dois na Tailândia. Penso que quatro dias são tempo suficiente para me adaptar. Não acho que perder um dia seja algo assim tão importante», afirmou Quartararo em Aragão.
«A experiência que adquirimos durante os testes é uma coisa, mas precisamos do fim de semana de corrida.
«Pilotar a moto parece semelhante, mas é um pouco diferente quando estamos num fim de semana de Grande Prémio, onde temos de ultrapassar, travar, mudar de direção [com as outras motos à nossa volta].
«É algo de que vou ter de ganhar confiança durante um fim de semana de corrida.»
Apesar de ter sido piloto da Yamaha durante toda a sua carreira no MotoGP, Quartararo recordou que já teve de adaptar o seu estilo de pilotagem da M1 com motor de quatro cilindros em linha para a nova V4 utilizada pela marca este ano.
«Não mudei de marca do ano passado para este ano, mas é uma moto completamente diferente. Tive de me adaptar a esta moto. O desempenho [com a V4] ainda não está lá, mas tive de mudar o meu estilo de pilotagem», explicou.
«No próximo ano [com a mudança para a Honda] vai acontecer o mesmo. Além disso, no próximo ano teremos pneus diferentes, por isso será algo que teremos de aprender. Mas não espero subir para a moto e ser imediatamente muito rápido.
«Claro que, em Valência, terei um dia em que vou perceber onde estão as minhas fraquezas e aquilo que preciso de aprender durante o inverno.
«Não espero chegar e ganhar imediatamente. Vou ter de aprender, adaptar-me e maximizar o mais rapidamente possível o desempenho da moto para conseguir ser rápido.»















