A temporada de Marc Márquez está a entrar numa fase decisiva. O piloto da Ducati continua envolvido na luta pelo Campeonato do Mundo, que este ano se revelou mais complicado do que o esperado, devido a uma Aprilia cada vez mais competitiva e às limitações físicas resultantes da sua lesão. Na Ducati preferem esperar antes de fazer previsões e Davide Tardozzi já indicou quando esperam ter uma resposta clara.
Davide Tardozzi, diretor da equipa oficial Ducati, falou ao Mundo Deportivo durante o GP de Aragão e apontou uma data para perceber quais são as verdadeiras hipóteses de Márquez na luta pelo título.
«Tínhamos de chegar a este ponto, em setembro, para perceber qual é realmente o seu nível. Vamos vê-lo nas próximas duas corridas. Penso que, no final de setembro, depois de Aragão, onde venceu, Misano e Spielberg, ficará claro qual é o nível do Marc. Creio que no final de setembro saberemos se estamos realmente a lutar pelo Mundial ou não», explicou.
O crescimento da Aprilia não surpreendeu a Ducati. Tardozzi recorda que já na segunda metade da época passada o construtor italiano demonstrava um nível muito elevado.
«Depois de Sepang estávamos convencidos de que continuávamos ligeiramente à frente, mas entre Sepang e os testes na Tailândia deram mais um passo em frente. Fizeram um excelente trabalho. Nesse momento, penso que nos ultrapassaram.»
Para o italiano, a diferença entre as duas motos depende muito das características de cada circuito. A Ducati destaca-se sobretudo nas travagens e acelerações quando existe boa aderência, enquanto a Aprilia consegue tirar melhor partido de pistas com menos grip.
«As duas motos têm características diferentes. Há circuitos onde a Aprilia é superior, mas existem outros onde fomos nós que vencemos, o que significa que, nesses casos, a Ducati era superior.»
A evolução de Marc após a lesão
Tardozzi destacou também a maturidade adquirida por Márquez após os últimos problemas físicos. O italiano considera que o acidente na Indonésia representou mais um duro golpe depois de anos a tentar recuperar das consequências da lesão sofrida em 2020.
«É evidente que o Marc amadureceu ainda mais após o acidente na Indonésia, porque passou por momentos muito difíceis. Levou-lhe muitos anos recuperar daquilo que aconteceu em 2020», afirmou.
Além disso, sublinhou a dificuldade em identificar o problema que o piloto enfrentava:
«Demoraram-se muitos meses a perceber exatamente qual era o problema, que só foi realmente tratado depois de Jerez, através de uma nova operação.»
Para lá da sua velocidade em pista, Tardozzi rende-se à personalidade do nove vezes campeão do mundo:
«A humildade, o facto de ter plena consciência de quem é. O Marc sabe exatamente quem é enquanto pessoa e piloto. É uma característica que apenas os grandes campeões possuem, porque aos pilotos rápidos é preciso dizer-lhes que são bons. Ele já sabe isso.»
Márquez não é o problema de Bagnaia
A convivência entre Márquez e Pecco Bagnaia tem sido um dos temas mais debatidos dentro da Ducati. Tardozzi rejeita a ideia de que a presença do espanhol tenha influenciado a quebra de rendimento do piloto italiano.
«Não acredito que o Márquez tenha influenciado em nada as prestações do Pecco», garantiu.
Pelo contrário, considera que a relação entre ambos tem sido positiva:
«O Marc soube criar uma relação de trabalho, confiança e desenvolvimento da nova moto muito saudável com o Pecco.»
Relativamente às dificuldades de Bagnaia, Tardozzi aponta sobretudo para questões técnicas:
«Não conseguimos encontrar o equilíbrio que ele procurava para pilotar a moto. Infelizmente, não conseguiu acompanhar os passos que fomos dando no desenvolvimento da moto.»
Marc e Acosta: uma dupla explosiva
Em 2027, Pedro Acosta irá juntar-se à equipa oficial Ducati para partilhar a box com Márquez. Tardozzi não teme uma possível guerra interna e acredita que ambos podem formar uma dupla extraordinária.
«Contratámos dois pilotos que consideramos os melhores do paddock. Creio que Marc e Pedro formarão uma equipa magnífica e dar-nos-ão muitas alegrias.»
O dirigente italiano encontra até algumas semelhanças entre os dois pilotos:
«Penso que o Pedro é uma versão do Marc nos seus primeiros anos. Tem essa mesma agressividade e essa enorme vontade de vencer que eu via no Marc quando começou.»
A convivência entre ambos também não preocupa Tardozzi, que lembra a forte liderança existente dentro da Ducati:
«O Gigi Dall’Igna é o chefe da equipa e os pilotos respeitam-no. Por isso, não estou minimamente preocupado.»
Com a entrada em vigor dos novos regulamentos técnicos em 2027, a Ducati terá outro grande desafio pela frente. No entanto, segundo Tardozzi, o objetivo continuará a ser exatamente o mesmo:
«O desafio mais difícil é sempre o mesmo: ter a melhor moto do paddock.»
Antes disso, porém, é preciso resolver as questões do presente. E, para saber se Marc Márquez poderá realmente lutar pelo seu décimo título mundial, a Ducati acredita que será necessário esperar até ao final de setembro.
















