Algumas declarações soam como simples observações… e outras como verdadeiras confissões. A de Davide Tardozzi enquadra-se claramente na segunda categoria. A Ducati, durante muito tempo intocável, acaba de admitir publicamente aquilo que todo o paddock começa a perceber: a hegemonia vermelha está a começar a rachar.
Após dois Grandes Prémios dominados pela Aprilia — na Grande Prémio da Tailândia de MotoGP e no Grande Prémio do Brasil de MotoGP — a mensagem é clara. A Ducati já não está sozinha. Pior ainda: já não é necessariamente a referência. E desta vez, nem Marc Márquez consegue esconder essa realidade.
“Não podemos contar sempre com o talento do Marc para compensar as nossas fraquezas”, admitiu Tardozzi à Motorsport. Uma declaração dura, quase impensável há um ano, quando a Ducati dependia da capacidade dos seus pilotos — especialmente de Márquez — para transformar uma moto imperfeita numa máquina vencedora. Mas agora, a máscara caiu.
É certo que Márquez não está a 100% fisicamente. O seu ombro continua a ser um fator, uma limitação silenciosa. Ainda assim, a Ducati recusa usar isso como desculpa: “O Marc não está a 100%, mas como todos os grandes campeões, não se prende a isso e trabalha para obter o melhor resultado possível.” Tradução? O problema está noutro lado.
E todos o veem. Em Goiânia, apesar da pole de Fabio Di Giannantonio e da vitória de Marc Márquez na sprint, foi a Aprilia que mandou no domingo. Marco Bezzecchi controlou a corrida, Jorge Martín garantiu a dobradinha… e a Ducati limitou-se a observar. Um cenário impensável em 2025.
















