Chegar ao MotoGP não é tarefa fácil. Para além do talento e do trabalho de um piloto, o fator económico é muitas vezes decisivo. Contar com o apoio de uma boa equipa e de patrocinadores fortes pode representar a diferença entre alcançar o sucesso ou ter de abdicar do sonho. Foi precisamente sobre este tema que Scott Redding falou no podcast Scruff Bags by HMY.
Redding coincidiu com Marc Márquez no Campeonato do Mundo e partilhou inclusive um pódio com o espanhol em Donington Park, em 2008, na categoria de 125cc. No entanto, as carreiras dos dois pilotos seguiram caminhos muito diferentes. Márquez tornou-se uma referência absoluta no MotoGP, conquistando nove títulos mundiais, enquanto Redding compete atualmente no Campeonato Britânico de Superbikes.
Segundo o britânico, essa diferença não se explica apenas pelos resultados em pista, mas também pelas oportunidades que cada um teve ao longo da carreira.
Para Redding, a nacionalidade não foi o fator determinante.
«Sempre se falou muito desse assunto e, claro, tem alguma influência. Mas a maior diferença foi o dinheiro e o apoio que Marc Márquez recebeu e que Scott Redding não recebeu», afirmou.
Em 2008, Redding corria pela Blusens Aprilia, enquanto Márquez competia com a Repsol KTM antes de dar o salto para a Red Bull KTM Ajo.
«Ele teve sempre o melhor material disponível. Na Moto2 tinha praticamente a sua própria equipa, com as suas próprias pessoas, e depois todos eles o acompanharam em bloco para o MotoGP.»
Redding considera também que algumas circunstâncias regulamentares acabaram por beneficiar Márquez.
Um dos exemplos foi a chamada «regra dos rookies», que obrigava os estreantes no MotoGP a passarem dois anos numa equipa satélite antes de poderem integrar uma estrutura oficial.
«Essa regra esteve em vigor durante dois anos. Quando chegou a vez do Márquez subir ao MotoGP, já não existia. Entrou diretamente na equipa oficial da Honda. Não estou a reclamar, mas são diferenças que existiram.»
O britânico mostrou-se igualmente crítico em relação ao apoio que os pilotos do Reino Unido recebem.
«Não acredito que o passaporte britânico explique tudo. Acho que o passaporte é apenas o nome que damos a isto para desculpar o facto de não fazermos mais pelos nossos pilotos.
Porque é que nenhuma grande empresa britânica diz: “Temos um dos melhores pilotos britânicos do mundo, venceu o Grande Prémio de casa, existe potencial aqui, vamos colocá-lo numa moto oficial”? Isso simplesmente não acontece.
O Márquez tinha a Repsol e a Red Bull. Contra isso não se consegue competir.»
Redding considera que muitos pilotos começam a carreira já em clara desvantagem.
«No final, acabas por receber aquilo que sobra e, mesmo assim, esperam milagres da tua parte. Isso não funciona. Durante algum tempo consegui sobreviver dessa forma, mas chegou um momento em que deixou de ser possível.»
O britânico recordou ainda um episódio de 2015, quando competia pela Marc VDS.
A Honda iniciou a temporada com um chassis que não produziu os resultados esperados. Enquanto Dani Pedrosa e Marc Márquez tiveram acesso a uma atualização, Redding manteve o material original.
«O Marc disse-me mais tarde que tinha pena de mim, porque sabia perfeitamente contra aquilo que eu estava a lutar», concluiu.
















