Esta é uma das maiores rivalidades da história dos Grandes Prémios de motociclismo. Nas décadas de 2000 e 2010, Valentino Rossi e Jorge Lorenzo enfrentaram-se ao mais alto nível, numa disputa de intensidade extrema. Antes de o “Doctor” rumar à Ducati em 2011, a tensão entre os dois era particularmente elevada, ao ponto de ter sido erguido um muro entre as duas boxes da Yamaha. Mais tarde, a rivalidade reacendeu-se com força em 2015, o célebre ano da discórdia. Davide Brivio, então diretor da equipa, recordou agora a origem de tudo.
Em declarações ao Moto.it, Brivio falou longamente sobre esta rivalidade intensa, especialmente nos primeiros anos, entre 2008 e 2010. E a razão pela qual Lorenzo foi escolhido pela Yamaha é surpreendente.
«Depois de alguns bons testes, sabíamos que o Valentino poderia mudar-se para a Fórmula 1 em 2007 e isso preocupava-nos muito. Tínhamos ganho em 2004 e 2005 com uma equipa como a Yamaha, que não vencia há muitos anos, e o apetite cresce com o sucesso. Mas se o Valentino saísse, o que faríamos? Precisávamos de encontrar um jovem piloto capaz de se tornar um piloto de topo como ele, para o substituir caso fosse necessário. Foi assim que surgiu a ideia de contratar Jorge Lorenzo», explicou.
O “problema” era que, além de extremamente talentoso e rapidamente competitivo ao nível de Rossi, Lorenzo tinha uma personalidade muito forte. Além disso, naquela época os pilotos podiam escolher individualmente o fornecedor de pneus, e os dois fizeram opções diferentes.
«A Bridgestone já não tinha capacidade para fornecer mais equipas. Após longas negociações, conseguimos garantir os pneus, mas apenas para um piloto. Assim, Valentino ficou com os Bridgestone e Lorenzo com os Michelin, dentro da mesma equipa. Era um verdadeiro quebra-cabeças para gerir. A equipa estava praticamente dividida em duas e até compartimentada internamente por esse motivo: os dados não podiam ser partilhados e era preciso ter muito cuidado. Imaginem os bastidores: o responsável da Bridgestone para o Valentino e o da Michelin para o Lorenzo tinham de permanecer separados, porque nenhuma das marcas queria partilhar informações. Em termos organizacionais, era bastante complicado. A ideia do muro nasceu daí e não foi uma ideia do Valentino», acrescentou.
Marc Márquez admitiu no passado que, por vezes, recusava utilizar componentes aprovados por Dani Pedrosa apenas para desestabilizar o companheiro de equipa. Mas, segundo Brivio, Rossi nunca agiu dessa forma.
«O Valentino nunca fez isso. Foi sempre honesto, justo e leal. Vi isso inúmeras vezes: durante negociações contratuais, em decisões técnicas e até através da sua astúcia desportiva, da sua inteligência em corrida ou na definição de estratégias. Em matéria de honestidade e lealdade, nunca tive qualquer problema com ele; posso afirmá-lo sem qualquer dúvida», concluiu.
















