As tensões entre Fabio Quartararo e a Yamaha parecem ter-se agravado durante o fim de semana do Grande Prémio de Aragão, com o francês a afirmar que agora “não quer ajudar” no desenvolvimento da moto.
Antes do arranque da atual temporada, surgiram notícias de que o campeão do mundo de 2021 tinha assinado com a Honda para a campanha de 2027.
A nova Yamaha equipada com motor V4 não trouxe o salto de desempenho esperado pela marca, tendo Quartararo alcançado como melhor resultado um quinto lugar em Barcelona, depois de na época passada ter conseguido lutar por pódios.
O francês nunca escondeu o seu descontentamento com a situação que vive atualmente.
Contudo, a frustração aumentou durante o fim de semana em Aragão, onde revelou no domingo que vai “deixar de experimentar 100 coisas” durante os Grandes Prémios para ajudar a Yamaha.
No sábado, em declarações à imprensa francesa, afirmou:
“Para o futuro, não estou numa posição para ajudar. E, por razões pessoais, não quero ajudar.”
A recusa da Yamaha em deixá-lo testar levou Quartararo a endurecer a posição
Segundo a edição francesa do Motorsport, Quartararo revelou no domingo que a Yamaha lhe recusou autorização para participar nos testes com pneus Pirelli na segunda-feira após o Grande Prémio da Áustria.
Como parte da preparação para 2027, estavam previstos testes em Brno e na Áustria para permitir aos pilotos experimentar os pneus Pirelli, que substituirão a Michelin.
Devido às várias mudanças de pilotos entre fabricantes para o final da temporada, poucos pilotos do atual pelotão participaram efetivamente nos testes de Brno.
Pecco Bagnaia já tinha criticado esta situação no início do ano, embora o Crash.net indique que mais motos poderão estar presentes no teste da Áustria.
Caso isso aconteça, Quartararo garante que já foi informado pela Yamaha de que não poderá participar.
Como consequência, afirma não ter qualquer interesse em ajudar a desenvolver a moto da Yamaha com vista à temporada de 2027.
“Para esclarecer as coisas, é o seguinte… não sei se devia dizer isto, mas vou dizê-lo na mesma: eu queria fazer os testes na Áustria”, explicou à imprensa francesa em Aragão.
“Mas, infelizmente, a Yamaha não quer que eu pilote com pneus Pirelli. Eu queria fazer alguma coisa, mas eles não deixam.”
“Pessoalmente, não quero desenvolver a moto para os pilotos de 2027.”
“Se conseguirmos melhorar alguma coisa para esta época, farei isso.”
“Mas não vou esforçar-me ao limite nem fazer o papel de piloto de testes como fiz este fim de semana.”
Quartararo revelou ao Crash.net em Silverstone que a decisão de deixar a Yamaha foi tomada ainda no teste de Valência do ano passado:
“No teste de Valência senti que precisava de algo novo. Foi aí que decidimos afastar-nos da Yamaha. Nessa altura ainda não sabia exatamente para que equipa iria, mas sabia que queria mudar e acho que foi o momento certo.”
Tendo em conta que a Yamaha já não tinha hipóteses de renovar com o francês, não surpreende que a marca não queira conceder-lhe uma vantagem antecipada ao permitir-lhe experimentar os pneus Pirelli antes da mudança para a Honda.
No entanto, esta decisão poderá também estar a prejudicar a própria Yamaha.
Apesar dos dois últimos lugares em Silverstone e Aragão, Quartararo continua a ser o piloto Yamaha mais bem classificado no campeonato e tem superado o potencial da moto nos últimos anos.
Sobre a evolução da Yamaha V4, explicou em Silverstone:
“Esperava que estivesse muito melhor do que está agora, especialmente depois do primeiro teste em Barcelona. Na verdade, não foi um grande teste, fomos mais lentos do que a moto de quatro cilindros em linha, mas as condições da pista não eram as melhores.”
“Vimos que o meu tempo por volta não era mau para a primeira vez que pilotei a moto. Fui bastante rápido.”
“O problema é que em setembro, outubro e novembro não demos passos em frente e, na realidade, temos um pacote muito semelhante ao da primeira moto que experimentámos.”
“Quando se inicia um novo projeto, normalmente os primeiros progressos são grandes e depois torna-se difícil encontrar os últimos décimos. Mas nós nunca demos esse grande passo entre a moto nova e uma moto que já tem quase um ano.”
“Por isso penso que estamos numa situação realmente difícil.”
Com o desenvolvimento da Yamaha V4 a avançar mais lentamente do que o esperado, a marca poderia beneficiar de toda a ajuda possível para preparar a sua moto de 2027. No entanto, este conflito entre Quartararo e a Yamaha poderá acabar por prejudicar ainda mais a evolução do projeto para a próxima temporada.
















