Aprilia ou Ducati, qual é a melhor moto? Esta é a pergunta que muitos fazem depois de uma comparação que dura desde o início da temporada. Após o fim de semana de Silverstone, a balança parece inclinar-se a favor da marca de Noale, mas a fabricante de Bolonha ainda não está completamente derrotada. É certo que, nos primeiros 12 Grandes Prémios do ano, a RS-GP demonstrou em várias ocasiões ser imbatível, algo que a Desmosedici não conseguiu fazer. Acima de tudo, a moto italiana conseguiu vencer pelo menos uma corrida com cada um dos seus pilotos.
Os números da primeira metade da época mostram uma vantagem da Aprilia: mais pontos totais, mais vitórias e mais pódios aos domingos. Já a Ducati responde aos sábados, nas corridas Sprint. Como sempre, porém, os números precisam de ser interpretados.
As vitórias e os pódios conquistados nos Grandes Prémios dizem muito, até porque a Aprilia conta com menos dois pilotos do que a Ducati (quatro contra seis). O grande destaque tem sido Marco Bezzecchi, com quatro vitórias e sete pódios, enquanto os restantes pilotos da marca venceram uma corrida cada. Jorge Martín soma seis pódios, Ai Ogura quatro e Raúl Fernández três. Mais impressionante ainda, a Aprilia monopolizou por três vezes o pódio de domingo: em Le Mans, Assen e Silverstone.
A Ducati conseguiu vencer com três pilotos diferentes. Marc Márquez conquistou três triunfos, o irmão Alex venceu uma vez e Fabio Di Giannantonio também somou uma vitória. A marca de Borgo Panigale também monopolizou um pódio, no Grande Prémio da Hungria, embora essa corrida tenha sido condicionada pelo incidente na partida provocado por Jorge Martín, que eliminou da luta, além de si próprio, Bezzecchi e Fernández.
Nas restantes corridas, a Ducati não conseguiu demonstrar o domínio de outros tempos. Em Jerez venceu Alex Márquez, mas Bezzecchi e Ogura também subiram ao pódio. Quando Marc triunfou em Brno, Ogura foi segundo, enquanto na vitória do Sachsenring os dois pilotos da Trackhouse terminaram logo atrás dele. Apenas em Barcelona não houve uma Aprilia no pódio, mas tratou-se de um Grande Prémio atípico, marcado por duas partidas.
Outro dado curioso é que Alex e Marc Márquez apenas subiram ao pódio ao domingo quando venceram. Nos Grandes Prémios em que conseguiram fazer a diferença, conquistaram o resultado máximo; mas quando sentiram mais dificuldades, não conseguiram minimizar totalmente os danos. Surpreende, por isso, que o piloto Ducati com mais pódios este ano seja precisamente aquele que mais dificuldades tem enfrentado: Pecco Bagnaia. O italiano soube aproveitar bem as oportunidades.
Na Aprilia, a situação é diferente. Bezzecchi lidera com sete pódios, seguido por Jorge Martín com seis.
Nas corridas Sprint, a Ducati responde à altura. Muito graças a Marc Márquez, que venceu quatro vezes (Alex Márquez e Bagnaia venceram uma cada) e subiu ao pódio em seis ocasiões ao sábado. Na corrida curta, a disputa parece mais entre Márquez e Martín do que entre as duas marcas. Jorge é outro especialista das Sprint e já conquistou três vitórias, enquanto Raúl Fernández também contribuiu com dois triunfos. Já os sábados têm sido o ponto mais fraco de Bezzecchi, que soma apenas três pódios nas Sprint.
Depois desta avalanche de números, parece claro que a Aprilia leva uma ligeira vantagem. É uma moto capaz de extrair o melhor de todos os seus pilotos e adaptar-se a diferentes estilos de condução, além de dominar nos circuitos que mais lhe favorecem sem desmoronar nos traçados mais difíceis. Com alguma ironia, pode dizer-se que a RS-GP se assemelha à Desmosedici de há alguns anos.
A temporada, contudo, ainda está longe de terminar e Gigi Dall’Igna não gosta de perder. O responsável da Ducati terá agora de encontrar soluções para acompanhar aquela que se tornou a sua verdadeira “besta negra” em 2026.
















