A evolução tecnológica no MotoGP levou a exigências cada vez mais rigorosas no controlo das motos e, entre elas, a norma da pressão mínima dos pneus é, sem dúvida, uma das mais controversas da temporada de 2025. O regulamento estipula que a pressão dos pneus deve ser mantida dentro de um intervalo determinado durante grande parte da corrida, sob pena de sanções que podem afetar diretamente os resultados. Mas a questão que se coloca é simples: esta norma beneficia o desporto e os pilotos ou distorce completamente a essência da competição?
O exemplo mais recente ocorreu na corrida Sprint do GP da República Checa em Brno. Marc Márquez, líder isolado na corrida, e Francesco Bagnaia, o seu companheiro de equipa e segundo classificado, foram obrigados a reduzir deliberadamente o ritmo e deixar os pilotos que vinham atrás aproximarem-se, apenas para poderem alinhar-se com a roda traseira de outro piloto e assim recuperar a pressão correta nos pneus. Isto, numa corrida em que ambos tinham mais de dois segundos de vantagem sobre o terceiro classificado.
Este tipo de comportamento não só é absurdo do ponto de vista competitivo, como também é um atentado ao espírito de competição que define o MotoGP. O talento, a estratégia e a coragem de quem lidera uma corrida são neutralizados por um número digital associado a um sensor de pressão. É difícil defender uma regra que obriga os melhores a abrandar e que torna a gestão de um dado técnico um fator mais determinante do que o desempenho na pista.
As justificações da Dorna e da Michelin apontam para a segurança, é claro. Ninguém quer ver pneus a rebentar a 300 km/h. Mas há formas de garantir a segurança sem comprometer o espetáculo. A pressão dos pneus pode e deve ser controlada, mas não de forma a interferir no desenrolar de uma corrida em tempo real. O MotoGP é, acima de tudo, uma competição entre pilotos, não entre sensores.
O que está em jogo não é apenas uma decisão técnica, mas a própria credibilidade da competição. O público quer ver ultrapassagens, disputas ao milímetro e pilotos a dar tudo até à bandeira axadrezada, não quer ver os líderes a travar para respeitar um limite imposto por um algoritmo.
Se esta regulamentação não for repensada, corremos o risco de transformar o MotoGP numa espécie de campeonato de gestão técnica, onde o talento dá lugar à matemática. E isso, para um desporto que vive da emoção, é um erro difícil de justificar.
















