O Grande Prémio de Aragão voltou a confirmar o enorme momento que Marc Márquez atravessa, mas também deixou uma leitura diferente sobre o piloto da Ducati. A sua condição física obriga a analisar cada fim de semana de uma forma distinta e, segundo o site https://www.motosan.es, esta nova realidade pode ser determinante na luta pelo Mundial de MotoGP.
O analista, no programa Dura la Vita, explicou como mudou a forma de interpretar o desempenho de Márquez depois do que aconteceu em Silverstone. Na altura, até o próprio piloto esperava encontrar-se em melhores condições depois da pausa.
«Praticamente, acho que agora temos de analisar o Marc a cada Grande Prémio. Antes conseguíamos projetar e perceber exatamente o que ele iria fazer em função da sua condição física, como vimos em Silverstone, onde até ele próprio ficou surpreendido, porque pensava que depois da pausa estaria fisicamente melhor e poderia começar a forçar desde sexta-feira», explicou.
No entanto, aquela corrida serviu para Márquez perceber que a sua recuperação não seria assim tão simples: «Foi aí que percebeu que ainda, e provavelmente, a sua nova realidade não é aquela que pretendia recuperar», apontou Martínez.
Em Aragão, essa tomada de consciência traduziu-se numa gestão diferente do fim de semana. Márquez não precisou de assumir riscos excessivos e soube aproveitar um circuito favorável para conseguir o melhor resultado possível.
«A partir daí, aqui fez uma gestão diferente, com mais tranquilidade. Vimo-lo durante o fim de semana, não queria cometer nenhum erro grave. Geriu tudo na perfeição», destacou.
Para Martínez, o objetivo é claro: aproveitar ao máximo os circuitos onde Márquez pode fazer a diferença.
«Conseguiu um feito importante para ele, que é conseguir os 37 pontos nos locais favoráveis», explicou, referindo-se à necessidade de maximizar a pontuação nos cenários que melhor se adaptam às suas características.
O problema aparecerá quando chegarem os circuitos menos favoráveis.
«Porque o problema que o Marc tem agora é, sobretudo, gerir os maus momentos, onde há outros pilotos que podem ter um desempenho superior», acrescentou.
E é precisamente aí que, na sua opinião, poderá decidir-se um Mundial particularmente equilibrado.
«É um Mundial em que os maus momentos de todos os pilotos estão a fazer com que tudo esteja tão equilibrado e o Marc, em casa, fez aquilo que era previsível», afirmou.
O próximo Grande Prémio será precisamente um novo teste para Márquez. Segundo Martínez, não será um cenário tão claramente favorável, embora as suas características e o histórico do piloto façam dele um candidato.
«Vamos ver agora o próximo, que não é tão favorável para ele. Apesar de ser um circuito de direita, é um dos circuitos de direita favoráveis, onde teve prestações muito boas», recordou.
Por isso, considera particularmente interessante observar como Márquez reage perante esta nova situação.
«Estamos perante um novo momento de Marc, e é sempre interessante ver como um fenómeno como ele se desenrasca neste tipo de circunstâncias», concluiu.
Martínez alargou a sua análise a um aspeto que considera fundamental no campeonato: o estado emocional dos pilotos.
«O campeonato é muito intenso, são muitas corridas, a dupla corrida ou a corrida Sprint acrescenta ainda mais algum stress à situação», explicou.
Nesse contexto, quando um piloto entra numa dinâmica positiva, tudo se torna muito mais simples. Mas quando a confiança desaparece, a situação pode complicar-se rapidamente.
«Quando estás numa boa dinâmica, tudo flui muito mais. Entras numa situação de poupar os esforços e as energias que tens de fazer para alcançar os resultados», explicou.
A chegada de Márquez à equipa oficial da Ducati foi outro dos grandes temas abordados por Martínez.
«A contratação de Márquez para a equipa oficial foi uma confirmação daquilo que ele representa para o Mundial», afirmou.
A mudança teve uma dimensão muito maior do que a simples contratação de um piloto competitivo.
«Quando tens um piloto que, para além de piloto, transcende com a sua pessoa para lá da pista, normalmente é merecido», explicou.
Mas a verdadeira questão era perceber o que Márquez poderia provocar dentro da própria box.
«Quando o Marc é capaz de condicionar todos, a pergunta recorrente é o que é que ele é capaz de fazer tendo o Marc na box», apontou.
E, para Martínez, a resposta começa já a ser visível. A Ducati construiu durante anos uma estrutura baseada no equilíbrio entre os seus pilotos e numa evolução muito detalhada. A chegada de um piloto como Márquez altera essa dinâmica.
«Quando alguém como o Marc irrompe, com a capacidade que tem de se adaptar a muitas situações diferentes, também acaba por quebrar um pouco a linha de evolução ou de trabalho da própria marca», explicou.
A consequência é significativa: a referência proporcionada por Márquez pode elevar o nível de toda a estrutura, mas também pode tornar mais difícil que os restantes pilotos consigam reproduzir os seus resultados.
«Quando construíste tudo muito ao pormenor e os pilotos foram adequados a isso, faz com que o nível de tudo suba», acrescentou.
Ao ponto de Martínez considerar que atualmente existe um equilíbrio interno surpreendente entre as duas estruturas.
«É um pouco, diria, o alinhamento de pilotos mais equilibrado na Aprilia neste momento do que na Ducati, de alguma forma», afirmou.
Pedro Acosta foi outro dos protagonistas da análise. Martínez voltou a destacar o enorme talento do piloto da KTM e a sua capacidade para fazer a diferença dentro de uma mesma fábrica.
«É evidente que Pedro Acosta é um dos talentos emergentes. Tem aquela capacidade que pilotos específicos possuem de, quando estão numa marca, anular os restantes», explicou.
Para ilustrar a ideia, recorreu a uma comparação com enorme peso histórico.
«Isso mostra que acontece aquilo que acontecia com o Casey. Quando o Casey estava dentro de uma marca, era muito difícil para os restantes, porque fazia coisas que eram muito difíceis de repetir pelos outros», afirmou.
Segundo Martínez, algo semelhante está agora a acontecer com Acosta na KTM.
«O Marc faz o mesmo e o Acosta faz o mesmo. Aliás, aquilo que os outros pilotos da KTM fizeram, de alguma forma, foi desmoronar-se», apontou.
No entanto, considera que ainda existe um passo que permitiria medir definitivamente o valor do piloto de Múrcia.
«Gostaria de ver uma vitória do Pedro com a KTM. Porque isso acabaria por elevar o seu valor para o nível que realmente merece», reconheceu.
















