Dos triunfos no Sachsenring às dificuldades em Silverstone: a 12.ª ronda da temporada mostrou um Marc Márquez muito diferente daquele que impressionou antes da pausa de verão. No exigente circuito britânico, o nove vezes campeão do mundo não teve apenas de lidar com o elevado desgaste do pneu traseiro, que colocou quase todas as Ducati em dificuldades, mas também com um problema no braço direito, sobre o qual admitiu não ter tido total controlo durante o Grande Prémio.
Uma consequência dos problemas físicos e das limitações com que Márquez continua a conviver após os graves acidentes sofridos nos últimos anos. Em particular, as lesões no braço direito, primeiro em Jerez, em 2020, e mais recentemente na Indonésia, no ano passado.
Foi o próprio piloto espanhol quem deu uma ideia do impacto dessas lesões no seu desempenho e na sua vida quotidiana, numa entrevista concedida ao jornal britânico The i Paper.
“Tenho algumas limitações, mas felizmente consigo adaptar o meu estilo de pilotagem e ser competitivo neste momento. Não como gostaria, porque sinto que posso dar mais, mas o suficiente para lutar pelo pódio”, explicou.
“No dia a dia, não tenho muitas limitações físicas se cuidar bem de mim. Vou ao fisioterapeuta mais vezes do que gostaria, mas é a única forma de levar uma vida normal. Tenho de ter muito cuidado para dormir sobre o lado esquerdo ou de costas durante a noite.”
Márquez revelou ainda que teve de abdicar de algumas atividades que apreciava.
“Jogava muito padel, mas agora já não o posso fazer com o braço direito. Tentei aprender a jogar com o braço esquerdo, mas foi impossível.”
Apesar das limitações, o espanhol procura manter uma vida o mais normal possível.
“Gostava de jogar mais futebol. Mas existe sempre o risco de lesão, por isso não jogo tanto quanto gostaria. Adoro andar de bicicleta; faz parte do meu treino. Tento cuidar da minha namorada e da minha família e passar tempo com eles. Quando tenho tempo livre, jogo uma hora de Warzone na PlayStation com os meus amigos.”
O piloto de 33 anos tem contrato para continuar no MotoGP durante mais duas temporadas, mas admite que a sua continuidade dependerá da condição física.
“É isso que diz o meu contrato. Repito-o sempre. Se a minha condição física me permitir, gostava de continuar. Mas não serei o primeiro nem o último atleta a terminar a carreira por motivos de saúde.”
“Acredito que, mais cedo ou mais tarde, isso acontecerá, porque sofri muitas lesões e a dor aumenta todos os anos. Mas, por enquanto, consigo geri-la.”
Muitos apontam Pedro Acosta como o sucessor natural de Márquez, mas o espanhol prefere não fazer coroações antecipadas.
“O piloto que está atualmente no MotoGP e que tem talento para liderar a nova geração é Pedro Acosta. Tem menos 10 ou 11 anos do que eu e é um piloto com enorme talento. No próximo ano vamos correr ambos pela Ducati Lenovo, a melhor moto da grelha.”
Ainda assim, Márquez acredita que o futuro da modalidade vai muito além de Acosta.
“Depois há David Alonso, Brian Uriarte e Máximo Quiles, vindos das outras categorias. Não quero destacar demasiados nomes porque é difícil prever, mas estes rapazes são o futuro do nosso desporto.”
Por agora, contudo, Márquez deixa um aviso aos mais jovens:
“Mas, para já, ainda os mantenho atrás de mim aos 33 anos, por isso vamos ver se continuo assim.”
















