As declarações do 9 vezes Campeão, à boca da meta
Já se esperava e estava garantido, agora ou na prova seguinte, mas mesmo assim, a confirmação do título de Márquez deu azo a momentos emotivos entre o piloto e a equipa.
A corrida em Motegi viu Francesco Bagnaia conquistar a vitória ao partir da pole. Marc Márquez foi segundo à bandeira de xadrez, em mais uma incrível dobradinha da Ducati Lenovo Team após a conquistada na Sprint, completando um dia memorável para a Ducati… e mais para Márquez.

Apesar dos seus oito títulos anteriores, (que começaram ainda no Mundial de 125) o último dos quais viera em 2019 no tempo da Honda Repsol, Márquez ficou quase sem palavras, mas lá acabaria por dizer:
“É difícil encontrar palavras para descrever as emoções que estou a sentir agora. Depois dos desafios e das lesões de 2020, continuei a lutar, a lutar, a lutar, e agora posso dizer que estou em paz comigo mesmo. Este tem sido o meu maior desafio: desde que entrei para o MotoGP, tornei-me imediatamente muito competitivo e ganhei muito, antes de passar da glória para anos de dificuldades marcados por lesões, quedas e resultados pouco entusiasmantes.”

“Nunca desisti e mantive o foco em mim mesmo, seguindo os meus instintos e tomando decisões importantes – embora não fosse simples. É por isso que este título mundial é a melhor forma de fechar o ciclo. Obviamente, para voltar ao topo, tive de abraçar o projeto mais competitivo e conduzir a melhor moto concebida pelo fabricante mais vencedor dos últimos anos – isso certamente ajudou muito!”

“O mais complicado é que… o ser humano tem uma capacidade muito boa, que é esquecer o mau e recordar o bom humor, pelo menos os otimistas! Sempre vi a luz ao fundo do túnel, e fui ajudado a ver mais a luz. Seguiu a luz e fui respondendo às perguntas pensando em mim, sendo egoísta porque foi o que a minha gente me pediu. Entrei num buraco deposi da queda de Jerez, e piorei ainda mais a viver o momento, uma decisão que é minha culpa, podes escutar conselhos, mas no final a decisão tens de a tomar tu… Por isso digo que foi um Marc contra Marc e agora estou em paz”.

Com lágrimas nos olhos nesta parte, recordou o avô que perdeu há pouco:
“Tenho a certeza que o meu avô nos está a ver de lá de cima, todos os avôs estão aí, mas ele vivia tudo isto de perto e chegou a dizer-me, já basta, e eu disse que era a última vez, que era a última oportunidade de tentar!”

Também não esqueceu o irmão Alex quando comentou:
“O meu irmão, Alex, já o disse muitas vezes, há muitas pessoas à minha volta, mas ele ajudou-me muito, direta e indiretamente, sem querer. O simples facto de estar ativo aqui ajudou-me muito. As coisas não acontecem por acaso; estou num momento muito feliz da minha vida, muito estável em todos os sentidos. É uma coincidência, mas o destino guia alguém. O destino quis que o desfecho fosse no Japão com a minha antiga equipa, e foi o Joan Mir que nos levou para lá, e o círculo fechou-se e permitiu-me dizer que descansarei em paz quando tudo isto acabar!”

Quanto a igualar os títulos de Rossi, disse ainda:
“Mais do que um número, este Mundial tem sido o maior desafio da minha vida até ao momento. Veremos mais tarde. O desafio não é só aqui, mas também na minha vida pessoal. Tem sido o maior desafio, estar no topo, cair e voltar a subir. É pior quando se está no topo, porque se cai ainda mais. Já igualámos grandes nomes, seja Valentino, Agostini, Ángel Nieto, em vitórias, coisa que nunca poderia imaginar… mas continuamos a trabalhar.”
“Quero que as pessoas se lembrem de mim por me ter dedicado ao máximo, por inspirar os outros. A vida é procurar, tentar. Se não consegue, não é um fracasso; falhar é não tentar. Consegui, e dedico isso aos que me rodeiam, porque sofreram ainda mais do que eu!”
















