Depois de mais de três meses de ausência, Johann Zarco poderá finalmente voltar a subir à sua Honda para disputar o Grande Prémio de Aragão, deixando para trás o violento acidente sofrido em Montmeló, onde ficou seriamente lesionado no joelho. Após uma queda na segunda partida do GP da Catalunha, logo depois do arrepiante acidente de Álex Márquez, a perna de Zarco ficou presa na moto de Pecco Bagnaia, provocando lesões nos ligamentos anterior e posterior, bem como no menisco medial. No entanto, a espera chegou ao fim, já que o francês recebeu autorização médica (fit to ride) para competir em MotorLand Aragão.
Em declarações aos meios de comunicação, Zarco falou das suas expectativas para o fim de semana, mostrando satisfação por regressar à competição e explicando o processo de recuperação.
Zarco admite que a recuperação foi rápida, apesar da gravidade das lesões:
«É ótimo voltar. Estou bastante contente porque, pelo trabalho que fiz e pela forma como treinei, foi muito bom ver uma melhoria rápida, realmente mais rápida do que eu poderia esperar.»
O piloto francês explicou que pretende regressar sem pressões e desfrutar da oportunidade de voltar a pilotar:
«O principal teste foi o treino com a moto. E, passo a passo, isso foi sempre uma boa confirmação de que poderia regressar em Aragão. Sem qualquer pressão, levando o tempo necessário para desfrutar da velocidade aqui com uma moto de MotoGP.»
Apesar de já poder competir, Zarco reconhece que ainda não está totalmente recuperado e que precisará de mais tempo para recuperar a melhor forma física:
«Continuar a melhorar esta confiança e as sensações na perna esquerda, que já são boas, mas sabemos que o processo para estar a 100% precisa de tempo. Não sou futebolista nem esquiador, por isso, como piloto, a condição física que tenho neste momento é mais do que suficiente para voltar a competir.»
O melhor da recuperação foi o tempo passado com a família
Embora três meses afastado da competição possam parecer muito tempo, Zarco não considera que tenha sido um período excessivamente longo:
«Felizmente, a pausa foi apenas de três meses. Acho que é muito tempo, mas não o suficiente para perder todas as capacidades que tinha. Por isso, não acredito que seja difícil regressar. Será simplesmente um prazer, porque sou viciado em velocidade. Voltar a sentir essa velocidade será algo muito especial.»
O experiente piloto francês aproveitou ainda para refletir sobre o significado de ser um piloto de elite e sobre a forma como viveu a recuperação:
«Não foi assim tão difícil, porque o tempo passa muito depressa. E gostei de ter tempo livre, porque levo 17 anos a competir e nunca tinha passado um mês inteiro em casa com a minha família desde 2008. Simplesmente desfrutar desse momento com eles foi um prazer. Depois desse mês, todos os dias foram dedicados ao treino e à reabilitação. A minha mente estava tão ocupada que nunca tive tempo para pensar que me sentia mal ou que sentia demasiadas saudades do meu mundo. O único objetivo era melhorar e sentir-me bem. E, a partir daí, sabia que voltaria a competir.»
Apesar dos seus 36 anos e de já estar numa fase avançada da carreira, Zarco garantiu que continua motivado para competir e alcançar resultados importantes:
«Talvez o pensamento mais claro que tive durante este período tenha sido que ainda quero competir e que ainda quero competir para ter desempenho. Quando via os pilotos da Honda a passar dificuldades, não sentia falta desse momento. Estar em casa era bom, porque é realmente duro enfrentar essas dificuldades. Estou feliz por voltar, mas espero mesmo ter a velocidade necessária para estar onde acreditava poder estar antes da queda. Tenho esta sensação renovada de que continuo a sonhar e de que quero competir para alcançar um grande resultado.»
















