Após vários meses de negociações, o MotoGP Sports Entertainment Group (MotoGP SEG), os cinco fabricantes presentes na categoria – Ducati, Aprilia, Honda, KTM e Yamaha – e as equipas satélite chegaram finalmente a um acordo comercial válido para o período de 2027 a 2031.
Um dos principais pontos de discórdia estava relacionado com o modelo económico do campeonato. Inspirados pelo modelo da Fórmula 1, os fabricantes pretendiam inicialmente receber uma percentagem dos lucros gerados pelo MotoGP. No entanto, acabaram por aceitar uma solução diferente: cada equipa receberá um montante fixo anual, inferior a oito milhões de euros por temporada.
O diretor-executivo da Tech3, Günther Steiner, analisou o novo acordo e considera que a decisão foi sensata.
“Toda a gente quer sempre mais. Faz parte da natureza humana”, afirmou. Contudo, o antigo responsável da Haas na Fórmula 1 acredita que era demasiado cedo para exigir uma repartição dos lucros numa fase em que a Liberty Media acabou de assumir o controlo do campeonato.
“A Liberty chegou recentemente. Primeiro é preciso dar-lhe tempo para mostrar aquilo de que é capaz. Depois, quando existirem mais receitas para todos, poderemos discutir a forma de as distribuir.”
Steiner recorda que um modelo baseado na divisão dos lucros também acarreta riscos. Caso as receitas diminuam, as equipas seriam diretamente afetadas.
“Imaginem que todos exigíamos uma parte dos lucros e que esses lucros caíam. Não estaríamos numa boa situação.”
Na sua opinião, a segurança proporcionada por uma remuneração garantida é, para já, a opção mais prudente.
“Neste momento, manter a situação atual é o melhor. Vamos ver como o campeonato evolui antes de discutir o próximo contrato.”
O dirigente acredita que o foco deve agora estar no crescimento do MotoGP sob a gestão da Liberty Media.
“Todos temos de contribuir para o desenvolvimento do campeonato e para gerar mais receitas. Neste momento, ainda não chegámos a esse ponto.”
Steiner considera ainda que o MotoGP acompanha uma tendência global do desporto. Desde a pandemia, várias competições aumentaram significativamente o número de eventos: a Fórmula 1 passou para 24 Grandes Prémios, o MotoGP realiza atualmente 22 rondas com corridas Sprint em todos os fins de semana e o Campeonato do Mundo de Futebol contará com 48 seleções.
Para o austríaco, esta expansão responde às novas formas de consumo dos adeptos.
“As pessoas querem cada vez mais conteúdo. Graças às novas tecnologias, conseguem consumi-lo em qualquer lugar. Enquanto o público o pedir, devemos continuar a oferecê-lo.”
Embora reconheça que existe o risco de saturação, Steiner destacou, em declarações ao Motorsport-Total, que a Liberty Media já demonstrou na Fórmula 1 ser possível aumentar o número de provas sem perder audiência, desde que cada evento mantenha uma identidade própria.
Para Steiner, o acordo agora alcançado representa uma decisão equilibrada. Ao optar pela estabilidade financeira em vez de apostar imediatamente numa divisão dos lucros, o MotoGP ganha tempo para crescer sob a liderança da Liberty Media.
O grande desafio dos próximos cinco anos não será apenas aumentar o número de corridas, mas também elevar o valor de cada evento. O objetivo passa por chegar à renegociação de 2031 com um campeonato mais forte financeiramente e com receitas suficientemente elevadas para que todos os intervenientes possam beneficiar de uma fatia mais significativa do bolo.
















