Há cerca de um mês, na Motosan, falava-se do chamado “Pacto da Concórdia” em MotoGP, do qual se esperavam novidades após a corrida em Austin. Antes disso, tanto a Dorna como a MSMA e as equipas do Mundial não chegavam a qualquer acordo, afetando diretamente vários aspetos do campeonato. Um deles é o anúncio de contratações, já que estas negociações acabaram por travar completamente o mercado. Poucas novidades foram anunciadas na grelha para 2027 por este motivo, e há também outros temas que precisam de ser debatidos entre todos.
Após o Grande Prémio dos Estados Unidos esperava-se uma resposta final. No entanto, o contrato colocado em cima da mesa ainda não foi assinado e as negociações estão a prolongar-se ainda mais. Passaram-se as três semanas sem corridas de MotoGP até chegar a Jerez, o primeiro palco europeu e a quarta ronda do calendário de 2026. Aí costuma haver sempre grande envolvimento de marcas e patrocinadores, além de um jantar organizado pela Dorna ou, como agora se chama, MotoGP Sports Entertainment Group.
A esse evento compareceriam muitas personalidades importantes, com convite para equipas, patrocinadores e qualquer entidade ligada ao campeonato. Estaria também presente Derek Chang, presidente e diretor executivo da Liberty Media. No entanto, houve convidados que não compareceram ao jantar — nem avisaram da ausência — como as representações da Aprilia, KTM e Yamaha. Por outro lado, pela Ducati estiveram Davide Tardozzi e Artur Vilalta, e pela Honda marcou presença Alberto Puig.
É evidente que as três marcas ausentes são precisamente aquelas que discordam das premissas propostas no contrato. Naturalmente, para a Dorna não foi bem recebido que estas três fabricantes não estivessem presentes, mas ao mesmo tempo isso serviu para acelerar um processo que já se arrasta há cerca de um ano. Por esse motivo, também se deslocou a Jerez um dos membros mais importantes da Liberty Media, Sean Bratches.
As condições comerciais entre 2027 e 2031 são o principal ponto em discussão, num campeonato que já começa a sofrer alterações. A Liberty Media quer expandir a popularidade do MotoGP e atrair novos fãs, além de incluir mais países no calendário. Mas um ponto importante para as equipas é o salário, já que se pretende impor um valor fixo em vez do modelo variável atual (bónus, entre outros).
Após a ausência da Aprilia, KTM e Yamaha no jantar de Jerez, a Dorna decidiu acelerar as negociações e definir um prazo limite para chegar a acordo. Também pretende negociar de forma individual com cada fábrica, em vez de todas em conjunto, para melhor se adaptar às necessidades de cada marca. Esta estratégia já deu frutos, uma vez que a Honda foi a primeira a assinar. A próxima poderá ser a Ducati, que está quase convencida, enquanto as outras três continuam em oposição.
Não existe uma data oficial confirmada, mas a próxima corrida é o Grande Prémio de França, na semana seguinte. Acredita-se que essa poderá ser a data limite imposta pela Dorna para concluir as negociações. Além disso, tudo precisa de ficar fechado o quanto antes, já que normalmente estes assuntos são resolvidos muito antes do fim da temporada. Só assim a organização do MotoGP poderá avançar com os acordos separados com cada fabricante.
















