A Honda já começou a construir o seu futuro no MotoGP e deixou um sinal claro ao paddock: David Alonso não será tratado como mais um rookie. O construtor japonês confirmou que o colombiano terá ao seu lado Santi Hernández, o histórico chefe de mecânicos que acompanhou Marc Márquez na conquista de seis dos seus oito títulos mundiais.
A Honda confirmou um contrato plurianual com David Alonso, que permitirá ao fenómeno da Moto2 estrear-se no MotoGP em 2027. Embora ainda não esteja definido se competirá na equipa oficial Honda HRC ou na LCR Honda, há um ponto que já está fechado: Santi Hernández será o seu chefe de equipa.
Segundo o The Race, a presença de Hernández foi um dos fatores determinantes para convencer Alonso a assinar com a marca japonesa. Ou seja, a Honda não se limitou a contratar um piloto; ofereceu-lhe também uma estrutura capaz de replicar uma das parcerias mais bem-sucedidas da história recente do MotoGP.
Basta olhar para o percurso de Santi Hernández para perceber a importância da escolha. O técnico espanhol trabalha com Marc Márquez desde 2011. Juntos foram vice-campeões do mundo de Moto2 antes de conquistarem o título em 2012. Seguiu-se a histórica época de estreia de Márquez no MotoGP, em 2013, coroada com o título mundial logo no primeiro ano na categoria rainha. Ao todo, a dupla conquistou seis campeonatos do mundo de MotoGP ao serviço da Honda.
No paddock, poucos chefes de mecânicos possuem tanta experiência ao mais alto nível e, sobretudo, tanta capacidade para acompanhar e desenvolver jovens talentos destinados ao estrelato.
A nomeação de Santi Hernández para David Alonso faz parte de um plano muito mais amplo. Fabio Quartararo, cuja chegada à Honda para 2027 já foi confirmada, terá como chefe de mecânicos Christian Pupulin, atualmente responsável pela moto de Luca Marini.
Desta forma, a Honda já definiu a base do seu futuro projeto técnico: Fabio Quartararo com Christian Pupulin e David Alonso com Santi Hernández. Um alinhamento de enorme peso que demonstra a ambição da HRC em regressar ao topo na nova era das MotoGP de 850 cc.
Fica agora por responder uma questão importante: Alonso integrará de imediato a equipa oficial? Diogo Moreira continua igualmente na corrida a uma vaga ao lado de Quartararo e tem vindo a impressionar desde a sua chegada ao MotoGP, contando também com importantes apoios dentro da estrutura japonesa. A disputa entre os dois jovens talentos está longe de estar decidida.
Mas a Honda já tomou uma decisão fundamental: independentemente da equipa em que alinhe em 2027, David Alonso terá acesso ao melhor apoio técnico possível.
Esta reestruturação implica também algumas saídas. Joan Mir não continuará após 2026 e deverá relançar a carreira na Gresini Ducati. Luca Marini também parece destinado a abandonar a HRC, com a Tech3 KTM a surgir como o destino mais provável. É, portanto, o fim de um ciclo e o início de outro em Honda.
A escolha de Santi Hernández tem ainda um forte significado simbólico. Ao colocá-lo ao lado de David Alonso, a Honda estabelece implicitamente uma comparação ambiciosa com Marc Márquez. Ninguém pode garantir que o colombiano seguirá o mesmo caminho, mas a marca japonesa está a dar-lhe exatamente as mesmas ferramentas que ajudaram o piloto de Cervera a construir a sua lenda.
A estratégia da Honda é cada vez mais evidente: aproveitar a revolução regulamentar de 2027 para reconstruir completamente o seu projeto MotoGP em torno de uma nova geração liderada por Fabio Quartararo e David Alonso. E quando um fabricante como a Honda começa a posicionar as suas melhores peças mais de um ano antes da entrada em vigor de um novo regulamento, dificilmente será por acaso.
David Alonso ainda nem disputou a sua primeira corrida no MotoGP e já recebe o tratamento reservado aos futuros campeões do mundo. A Honda acabou de o demonstrar sem precisar de o dizer diretamente: acredita muito no seu potencial.
















