O piloto australiano já não compete na MotoGP desde 2012, mas continua ligado àquela que foi a sua marca de referência, a Ducati, participando em alguns dos seus eventos, como aconteceu na World Ducati Week, realizada no início de julho. Foi um momento único, com os pilotos da Ducati a partilharem a pista de Misano com Casey Stoner e outras lendas do motociclismo. No entanto, ver na mesma imagem Marc Márquez, Pecco Bagnaia e Casey Stoner foi algo verdadeiramente especial.
O próprio australiano, em declarações ao GPOne, agradeceu os elogios recebidos durante o evento da marca italiana.
E não foram poucos. Pecco Bagnaia agradeceu publicamente a presença de Casey Stoner na World Ducati Week (WDW) e afirmou que o australiano é especial, capaz de ver aspetos que outros pilotos profissionais não conseguem identificar, ajudando através das suas observações. O mesmo foi referido por Davide Tardozzi em relação ao antigo campeão do mundo.
Sobre isso, Stoner comentou:
“Dei demasiado de mim próprio e, muitas vezes, não recebi as respostas que esperava. Parece que não existe qualquer reconhecimento quando fazemos este tipo de coisas. Foi uma grande honra ouvir o Pecco agradecer-me por isso, e fiz-lo sem qualquer outra razão que não fosse ajudá-lo. Mas não voltarei a fazer mais nada por ninguém no futuro.”
O australiano reforçou ainda os motivos pelos quais não pretende regressar ao paddock nem integrar qualquer equipa, pelo menos numa função de gestão:
“Não vou partilhar o meu conhecimento com ninguém sem receber nada em troca. Infelizmente, já o fiz demasiadas vezes no passado. As pessoas aproximam-se de ti quando precisam, aproveitam-se do que sabes e depois fazem-te desaparecer. Não vou cometer o mesmo erro outra vez. Não vou ajudar sem motivo e não o farei gratuitamente. Essa é a principal razão para mim.”
Meses antes já se tinha falado da possibilidade de Casey dedicar parte do seu tempo ao apoio de jovens talentos australianos. Questionado sobre essa hipótese, respondeu:
“O motociclismo na Austrália está realmente numa situação muito difícil. Não há praticamente nada. Não existe orçamento para fazer seja o que for e tudo é extremamente complicado, até mesmo ajudar alguém. E o problema é sempre o mesmo: exige muito tempo e eu já não quero gastar o meu tempo e a minha energia sem qualquer retorno, quando tenho a minha família a quem dedicar-me. Vou esperar pela oportunidade certa e talvez então decida ajudar. Mas não vou oferecer gratuitamente o meu conhecimento a pessoas que depois me viram as costas e acham que isso é normal. Agora as coisas são diferentes para mim.”
Sabendo-se que este será o último ano de Phillip Island no calendário da MotoGP, Stoner não escondeu a tristeza com a decisão:
“É algo realmente triste e, ao mesmo tempo, mostra-nos a direção que este desporto está a seguir. Já não se trata de enfrentar a pureza das corridas, algo pelo qual sempre lutei. O MotoGP está a cometer os mesmos erros que a Fórmula 1 cometeu. Estamos a enfrentar os mesmos problemas com uma aerodinâmica cada vez mais intrusiva e com cada vez mais dispositivos nas motos de que não precisamos. A Fórmula 1 apercebeu-se disso há alguns anos e, mesmo continuando a ser tecnologicamente muito avançada, não é comparável à forma como continuam a acrescentar elementos no MotoGP. Tem de haver algum limite.”
















