A Aprilia ainda “não está” preparada para afirmar que tem a melhor moto do MotoGP em 2026, apesar de ter vencido quatro das cinco primeiras corridas da temporada.
A marca de Noale lidera atualmente os três campeonatos do MotoGP — pilotos, equipas e construtores — e conquistou no passado fim de semana, em Le Mans, o primeiro pódio totalmente preenchido por motos Aprilia na classe rainha.
Além disso, a Aprilia venceu quatro dos cinco Grandes Prémios disputados este ano, é a única fabricante a ter colocado uma moto no pódio em todas as rondas da temporada e soma também o maior número de vitórias em corridas Sprint, empatada com a Ducati. Jorge Martín venceu duas Sprints, tal como Marc Márquez pela Ducati, enquanto a KTM venceu uma com Pedro Acosta, na Tailândia.
Apesar deste domínio, o diretor de equipa da Aprilia Racing, Paolo Bonora, prefere manter os pés assentes na terra.
“Ainda não”, respondeu Bonora à TNT Sports quando questionado se a RS-GP é agora a melhor moto do MotoGP.
“Neste momento ainda não conquistámos nada. Temos apenas um objetivo no final do campeonato e, honestamente, acreditamos que a melhor forma de trabalhar é não colocar pressão extra nos pilotos.”
Bonora explicou ainda que a abordagem da Aprilia passa por manter os pilotos focados corrida após corrida.
“Não colocamos expectativas nos pilotos. Nas reuniões de quarta e quinta-feira dizemos claramente: ‘Esta é apenas mais uma corrida, continuem a trabalhar da mesma forma que fizeram na anterior. Ainda não conquistámos nada, por isso mantenham a calma, sejam pacientes, nós confiamos totalmente em vocês.’”
Entre os pilotos oficiais da Aprilia, Jorge Martín foi o grande destaque em França. O espanhol recuperou da sétima posição da grelha e anulou uma diferença superior a dois segundos para Marco Bezzecchi nas últimas dez voltas, conquistando assim a sua primeira vitória em Grande Prémio com a Aprilia.
Segundo Bonora, o salto competitivo de Martín começou no teste de Jerez.
“No lado do Jorge encontrámos uma posição melhor na moto durante os testes de Jerez”, explicou.
“Sente-se mais confortável. Também alterámos ligeiramente o setup. Não é muito diferente do do Marco, mas Jorge tem uma altura e peso diferentes, por isso a moto precisa de estar totalmente adaptada a ele. Depois de Jerez encontrámos algumas soluções para ele, tanto ao nível da ergonomia como da eletrónica.”
O ritmo impressionante de Martín acabou por evidenciar algumas dificuldades de Bezzecchi, que foi claramente mais lento do que o companheiro tanto na Sprint como na corrida principal em Le Mans. Ainda assim, é o italiano quem lidera o campeonato por apenas um ponto antes da ronda de Barcelona.
“Aqui faltou qualquer coisa ao Marco”, admitiu Bonora.
“Desde sexta-feira trabalhámos muito especialmente nas mudanças de direção, porque esta pista exige uma moto ágil mas também estável devido às longas retas e ao controlo do wheelie. Nesse aspeto encontrámos algo melhor no lado do Jorge. Provavelmente a confiança dele também estava num nível superior ao do Marco, e isso acabou por fazer a diferença na corrida.”
















