Os pilotos de MotoGP passam a vida a ultrapassar limites. Aprendem a lidar com a velocidade, a dor, as lesões e uma pressão constante. Mas ninguém lhes ensina verdadeiramente a gerir as emoções. E Aleix Espargaró acaba de fazer uma confissão particularmente tocante.
Três anos depois de ter dado uma palmada no capacete de Franco Morbidelli durante o Grande Prémio do Qatar, o antigo piloto da Aprilia continua a considerar esse episódio como um dos maiores erros da sua vida. Não por causa da penalização ou da multa que recebeu, mas porque, um dia, teve de o explicar ao seu filho.
“O meu filho Max perguntou-me: ‘Porque é que lhe bateste?’”, contou o espanhol. “Apeteceu-me morrer. Não sabia o que lhe responder.”
Esta simples frase resume talvez melhor do que qualquer polémica a carga emocional que o desporto de alto rendimento pode gerar.
Aleix Espargaró nunca foi um piloto politicamente correto. Foi provavelmente isso que lhe valeu tantos admiradores como críticos ao longo da carreira. Expressou várias vezes a sua frustração com a equipa diante das câmaras, assumiu posições fortes sobre diversos temas e, por vezes, deixou que as emoções falassem mais alto.
“Sempre fui uma pessoa acessível e amigável. Sou alguém frontal, e isso é simultaneamente uma qualidade e um defeito.”
Hoje, porém, não procura desculpas para o sucedido.
“Bater em Morbidelli foi um dos maiores erros da minha vida”, admite sem rodeios.
É uma confissão rara num paddock onde os pilotos raramente reconhecem os próprios erros de forma tão direta.
O testemunho de Espargaró também chama a atenção para um tema ainda pouco debatido no motociclismo: a preparação psicológica dos pilotos.
Quando os adeptos assistem a um Grande Prémio no sofá de casa, veem atletas milionários a pilotar as motos mais sofisticadas do mundo. O que não veem é um coração a bater a mais de 180 pulsações por minuto, uma descarga constante de adrenalina e decisões tomadas em frações de segundo sob enorme pressão emocional.
“Muitas pessoas veem isto do sofá e pensam: ‘Que idiota!’. Mas é preciso lembrar que estamos no calor do momento, com o coração a bater loucamente, por isso não pensamos realmente com clareza”, explicou num vídeo no YouTube.
















