Primeiro foi a decisão de aceitar um novo desafio. Depois os elogios públicos a Casey Stoner e ao contributo que este dará à Ducati. Por fim, a exultação do trabalho que Gigi Dall’Igna realizou à frente da marca italiana quando no Red Bull Ring Andrea Ianonne venceu a sua primeira corrida e deu simultaneamente o primeiro triunfo em seis anos à Ducati.
Jorge Lorenzo pode ainda estar a vestir as cores da Yamaha, mas a sua cabeça já só vê vermelho à frente. E isso também não terá caído bem aos responsáveis japoneses. O que antes era disfarçado hoje era evidente: basta ver o comportamento dos mecânicos, e sobretudo dos altos dirigentes da Yamaha, quando Valentino Rossi está na frente, ou recupera posições, e compará-lo quando o mesmo sucede com o piloto espanhol.
Todos gostam e querem Valentino, do ponto de vista comercial e ao nível das relações pessoais. Mesmo que (já aqui o dissemos) o maiorquino tenha sido o responsável pelos últimos três títulos da Yamaha, o que não pode ser esquecido.
Em Brno, enquanto o espanhol teve uma corrida para esquecer, a referência italiana conseguiu aproveitar as condições difíceis do circuito para terminar num excelente segundo lugar, ultrapassando Lorenzo no campeonato – o seu novo “grande objetivo”, como admitiu há poucos dias, ciente que a margem que o separa de Marc Marquez é talvez demasiado grande para ser recuperada.
Ainda que Jorge insista que gostaria de se despedir com mais um título mundial (não duvido dessa vontade, mas ao mesmo tempo desconfio que a Yamaha gostasse que o seu piloto levasse o nº1 para a Ducati), não será fácil ao espanhol consegui-lo, até porque para isso terá antes de superar o seu grande rival interno. E num momento em que está de saída, quem é que a Yamaha irá privilegiar?
Nos testes de Brno, a equipa japonesa mostrou precisamente isso, permitindo que Rossi testasse um novo chassis e braço oscilante. Já Lorenzo ficou a ‘zeros’, não testando nenhuma das novas peças. Uma decisão ‘normal’, tendo em conta que está de saída para um rival directo, e que outros fariam, obviamente. Mas também uma que poderá ter implicações no campeonato de 2016, uma vez que Rossi já manifestou o seu desejo de contar com as novas soluções o mais rapidamente possível.
A perda de espaço de Lorenzo é evidente. Mas poderá ter consequências internas? Ganha mais a Yamaha em proteger as suas novidades tecnológicas e em privilegiar o seu piloto para os próximos dois anos, ou perde antes porque limita as suas próprias hipóteses de vencer o título de 2016, mesmo que Lorenzo o ‘leve’ consigo?
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