Casey Stoner é um daqueles pilotos que já conquistaram um lugar na história do MotoGP. O australiano conta no seu palmarés com dois títulos mundiais: um ao serviço da Ducati, em 2007, e outro com a equipa Repsol Honda, em 2011. Registou uma taxa de vitórias de 33%: 38 triunfos em 115 corridas, o equivalente a vencer uma vez a cada três domingos. Somou ainda 69 pódios, 39 pole positions e 29 voltas mais rápidas, além de deter o recorde de sete pole positions consecutivas, alcançado em 2008.
Dani Pedrosa partilhou a boxe com Stoner na equipa Repsol Honda em 2011 e 2012 e deixou o seu testemunho sobre o antigo colega de equipa na série de reportagens «Decod3d», da DAZN.
Vários pilotos e figuras próximas do mundo do motociclismo, como Cristian Gabarrini, antigo engenheiro de pista de Stoner, Jorge Lorenzo e Andrea Dovizioso, entre outros, participam na reportagem para traçar o perfil do australiano. Entre eles está Dani Pedrosa, que o define numa só palavra.
«Se tivesse de utilizar apenas uma palavra, diria que era selvagem», afirma o espanhol, destacando uma das características que mais distinguiam Stoner: «Interpretar as coisas de forma diferente e inventar algo que ninguém tinha visto antes».
Na opinião de Pedrosa, o estilo de pilotagem de Casey Stoner era único.
«Travava mais cedo, fechava o acelerador mais cedo, mas voltava a acelerar muito antes. Casey interpretava os circuitos de outra forma».
Características que ajudam a explicar porque é considerado um dos melhores pilotos da história.
«Tinha capacidades de pilotagem que ultrapassavam aquilo que, por vezes, eu próprio conseguiria imaginar. Ele e Marc Márquez são dois dos pilotos mais fortes que alguma vez vi em cima de uma moto».
Além disso, o australiano não era particularmente adepto da eletrónica, preferindo confiar sobretudo no seu talento e na sensibilidade ao guidão.
«Era bastante relutante em relação à eletrónica. Por isso, procurava utilizá-la o menos possível e manter o máximo de controlo nas suas mãos».
E nem a chuva era capaz de travar Stoner. Pelo contrário, também aí fazia a diferença.
«Tinha um pouco de inveja dele nesse aspeto. Era rapidíssimo à chuva. Em qualquer corrida disputada com chuva, parecia que corria sozinho».
A sua capacidade de adaptação era igualmente impressionante.
«Lembro-me de que Casey era um piloto a quem podias dar esta moto, aquela outra, a tua, a minha… qualquer uma. Ele continuava a ser rápido na mesma», recorda Pedrosa.
Casey Stoner retirou-se do Mundial de MotoGP em 2012, na temporada seguinte à conquista do seu segundo título mundial. Era um piloto que queria simplesmente pilotar, sem a exposição mediática que rodeia a modalidade, dando prioridade à família.
«Percebi o que é realmente importante: a família. A felicidade. O dinheiro não é tudo», afirmou o próprio australiano na conferência de imprensa em que anunciou a sua retirada.
Pedrosa resume essa decisão de forma bastante direta: «Disse: estes são os meus limites e não vou além daqui».
Stoner decidiu afastar-se do Mundial para permanecer fiel aos seus valores e às suas prioridades.
«Já não me importa que a minha carreira termine mais cedo, que deixe de ganhar o mesmo dinheiro que ganhava quando competia, que me isole completamente do mundo e deixe de estar tão exposto como até agora…», explica Pedrosa, ao descrever a forma como o antigo colega de equipa encarava a vida.
«Ele segue os seus próprios princípios», conclui o espanhol.














