Marco Bezzecchi chegou a Sepang com a motivação intacta, depois de ter ficado sem competir no domingo na Austrália. Na entrada do seu blogue, intitulada «Sepang. Não há que desistir», o piloto da Aprilia faz o balanço de um fim de semana exigente na Malásia, marcado pelo calor, pela humidade e por um circuito que exige grande precisão.
Depois de uma sexta-feira positiva e de um terceiro lugar na Sprint disputada à chuva, o domingo terminou com um sexto lugar, aquém das suas expectativas. Ainda assim, Bezzecchi prefere destacar os progressos da equipa e mantém viva a luta pelo título mundial: enquanto existirem possibilidades matemáticas, não vai desistir.
Depois de não ter podido correr na Austrália, o italiano estava ansioso por voltar à ação em Sepang.
«Depois de Phillip Island, tinha muita vontade de voltar à pista. Na Austrália não tínhamos conseguido correr no domingo e, depois de um fim de semana em que tínhamos demonstrado ser competitivos, estava ainda com mais vontade de competir. Além disso, Sepang é um circuito de que gosto. É uma pista lindíssima, longa, com travagens fortes e curvas onde é preciso ser muito preciso. E faz um calor incrível, com uma humidade que realmente nos coloca à prova. Resumindo, não é propriamente um passeio. Sabíamos que seria um fim de semana exigente, mas queríamos dar continuidade ao trabalho realizado nas últimas corridas e tentar voltar a estar na frente.»
A sexta-feira foi um dia bastante positivo para Bezzecchi:
«Começámos bem na sexta-feira. Segundo lugar na FP1 e sexto nos treinos livres, o que nos permitiu passar diretamente à Q2. Em comparação com o ano passado, quando tivemos muitas dificuldades aqui, as sensações eram claramente melhores. Sentia-me confortável com a moto, sobretudo ao nível do ritmo de corrida, embora ainda houvesse alguns aspetos a aperfeiçoar. Em particular, na volta rápida, onde alguns décimos podem fazer uma grande diferença.»
No sábado, conseguiu alcançar o terceiro lugar na Sprint, disputada à chuva e em condições bastante desafiantes.
«No sábado conseguimos o quinto lugar na grelha. Não era mau, mas sabia que, para fazer uma boa Sprint, seria importante arrancar bem e manter-me desde o início junto dos primeiros. Depois, claro, também tivemos a influência do tempo. Começámos com a pista seca, mas a meio da corrida começou a chover. E quando isso acontece, com pneus slick e o asfalto a começar a ficar molhado, não é propriamente a situação mais divertida do mundo.
«É preciso perceber até onde podemos forçar, onde podemos travar e, sobretudo, que nível de aderência temos debaixo das rodas. No início cometi alguns erros e perdi terreno. Depois, volta após volta, consegui encontrar um ritmo melhor e recuperar posições, tentando perceber como as condições estavam a mudar e observando também os pilotos que seguiam à minha frente. Terceiro lugar, mais um pódio na Sprint, o sétimo da temporada. E, tendo em conta como tudo tinha decorrido, fiquei realmente satisfeito», acrescentou.
O domingo, por outro lado, não foi fácil.
«No domingo, a história foi diferente. Parti de quinto e, durante boa parte da corrida, mantive-me na quarta posição. Mas não foi uma corrida fácil. Muito pelo contrário. Tive muitas dificuldades para manter o ritmo que gostaria. Tentava pilotar de forma limpa, sem forçar demasiado os pneus, mas, volta após volta, tudo se tornava cada vez mais complicado. Na fase final, o Ai aproximou-se bastante por trás e, durante a ultrapassagem, chegámos mesmo a tocar-nos, o que me fez perder alguns metros. Pouco depois, cometi um pequeno erro, saí da trajetória ideal e perdi mais uma posição.»
No final, ficou longe do pódio, terminando em sexto.
«Não era o resultado que queria. Depois do pódio de sábado, esperava fazer melhor, mas desta vez não tivemos o suficiente. É uma pena, porque quando trabalhamos tanto durante todo o fim de semana e depois não conseguimos alcançar aquilo que esperávamos, fica sempre um certo amargo de boca. Mas também temos de olhar para os aspetos positivos. Demos um passo em frente em relação ao ano passado, subimos ao pódio na Sprint e colocámos as duas Aprilia entre os seis primeiros no domingo. E, acima de tudo, percebemos em que aspetos temos de trabalhar para melhorar.»
Bezzecchi saiu de Sepang a 67 pontos de Marc Márquez, mas continua a ter possibilidades matemáticas de lutar pelo título.
«Quanto ao Mundial, continuo a acreditar. Sei que a situação é complicada e que a diferença é considerável. Mas, se deixasse de acreditar, que sentido teria ir às corridas? Enquanto existir uma possibilidade, por pequena que seja, temos de tentar. Independentemente da classificação, quero continuar a dar tudo sempre que subo para a moto. Por mim, pela equipa e por todas as pessoas que trabalham diariamente para que possamos ser competitivos.»
A próxima paragem é o Qatar.
«Agora vamos para o Qatar. Não sei exatamente o que esperar. Espero ter um pouco menos de dificuldades do que em Sepang, mas, se não for esse o caso, continuaremos a trabalhar com a mesma atitude. Porque há uma coisa que é certa: vontade não nos falta. Obrigado a todos os elementos da equipa, à Aprilia e a todas as pessoas que também nos apoiaram aqui na Malásia. Não vamos atirar a toalha ao chão», concluiu Marco Bezzecchi.














