Marc Márquez saiu da Indonésia com um balanço melhor do que seria de esperar num dos circuitos onde sente mais dificuldades. O piloto de Cervera venceu a Sprint de sábado, recuperando a liderança do Mundial, e terminou a corrida de domingo na sexta posição, como a melhor Ducati, numa prova dominada por um quarteto de Aprilia. Marco Bezzecchi conquistou a vitória, Raúl Fernández foi segundo e Jorge Martín, terceiro, recuperou a liderança do campeonato, somando 355 pontos, contra os 353 de Márquez e os 309 de Bezzecchi. De acordo com declarações recolhidas pelo site Motosan, o número 93 fez um balanço positivo do fim de semana.
«Foi um fim de semana perfeito. Estou extremamente satisfeito por não ter perdido nenhum ponto para Martín este fim de semana e apenas três para Bezzecchi. Se me dissessem isto na quinta-feira, teria saltado de alegria, por isso temos de estar contentes», explicou.
Márquez reconheceu que a corrida longa foi exigente devido ao desgaste dos pneus, mas mostrou-se satisfeito com o resultado: «O importante é que soube sofrer, soube ser a primeira Ducati e soube desenrascar-me num fim de semana complicado, salvando a situação.»
Questionado sobre as dificuldades que sente neste circuito, tal como a Ducati, Márquez apontou o estilo de pilotagem exigido pelo traçado:
«Mandalika é um circuito onde temos muitos pontos fracos, onde é preciso ser muito preciso e onde não podemos maltratar a moto. O meu ponto forte de pilotagem surge quando podemos maltratar um pouco a moto e fazer mais stop and go.»
O espanhol recordou ainda que a Aprilia tem imposto o ritmo em circuitos com curvas rápidas, como os Países Baixos e Silverstone, e destacou a capacidade de manter a calma perante as dificuldades:
«Soube superar muitos problemas, pensando sempre no presente e não no passado, porque aqui, em Mandalika, nunca tinha terminado uma corrida de domingo.»
O piloto foi também questionado sobre a incerteza em torno do Grande Prémio do Qatar, que tem 37 pontos em disputa. Márquez preferiu não tomar posição sobre o assunto:
«Prefiro não dar a minha opinião para já, mas tenho muito claro que a vida é uma só e há muitas corridas. Não importa, a vida é a vida e uma corrida é apenas uma corrida.»
Quanto à luta pelo título, Márquez continua a considerar que não se trata de uma disputa a dois.
«Evidentemente, ainda há muitos pontos em jogo e já vimos que tudo pode acontecer. Bezzecchi será rápido em todos os circuitos, como demonstrou no ano passado», afirmou.
Acrescentou ainda: «É evidente que Martín é quem está mais perto, mas o interessante é que estou a lutar pelo campeonato contra duas Aprilia, que têm pontos fortes e pontos fracos. Nós vamos tentar concentrar-nos no nosso trabalho.»
O piloto de Cervera também deixou elogios a Máximo Quiles, que se sagrou campeão do mundo de Moto3 com cinco corridas ainda por disputar.
«O miúdo já não é assim tão miúdo. O adolescente está a crescer a passos largos, fez um campeonato extraordinário e está a demonstrar um nível impressionante», afirmou.
Sobre a subida de Quiles à Moto2 em 2027, Márquez prevê uma adaptação rápida:
«Espero e desejo que sinta algumas dificuldades, pelo menos durante algum tempo, porque essa é a melhor forma de aprender e ganhar experiência. No entanto, suspeito que não lhe vai custar muito a adaptar-se, porque é um piloto que, qualquer moto que lhe dês para treinar, consegue conduzir bem e depressa.»
Márquez comentou ainda a decisão da MotoGP de aplicar multas de 5.000 euros aos pilotos que não cumpram os compromissos relacionados com eventos promocionais. O espanhol defendeu o empenho dos pilotos no crescimento da modalidade, mas pediu que sejam estabelecidos limites.
«Os pilotos somos os primeiros a querer que o desporto cresça, mas, do meu ponto de vista enquanto piloto, há outras formas de crescer sem pressionar tanto e exigir tanto aos pilotos», afirmou.
Como exemplo, apontou as condições de calor na Indonésia:
«Vens do warm-up, estás todo suado, tens uma reunião rápida, mudas de roupa e passas 20 minutos debaixo do sol. Somos atletas de elite e trabalhamos para render ao máximo. A nossa vontade é fazer crescer o desporto, mas, evidentemente, com alguns limites. Não somos nós que tomamos as decisões, por isso adaptamo-nos.»
















