Toprak Razgatlioglu viveu um fim de semana para esquecer em Mandalika. O campeão do mundo de Superbike, que se estreia esta temporada no MotoGP ao serviço da Pramac Yamaha, sofreu um violento highside na manhã de sábado, na curva 13, uma zona rápida do circuito, que lhe provocou uma luxação no ombro direito.
Apesar da gravidade da queda, o turco regressou às boxes de scooter e queria voltar à pista, mas a equipa encaminhou-o para o centro médico. Ainda assim, participou na qualificação, na qual terminou em 19.º, e concluiu a Sprint na mesma posição, a 23,8 segundos de Marc Márquez e apenas à frente de Aleix Espargaró.
No domingo, a situação não melhorou. Os comissários aplicaram-lhe uma penalização de três lugares na grelha por circular lentamente na trajetória ideal e atrapalhar Marco Bezzecchi. Com a ausência de Espargaró, Razgatlioglu acabou por partir da última posição. A sua corrida durou apenas oito voltas. De acordo com declarações recolhidas pelo site https://www.motosan.es, o piloto turco explicou como se sentia.
«Hoje, o meu maior problema é o ombro, não a moto. A moto é igual à dos outros pilotos da Yamaha», esclareceu.
O turco explicou que as dores aumentaram quando acordou no domingo: «Ontem não estava assim tão mal, mas hoje de manhã, quando me levantei, senti muitas dores e tinha menos mobilidade. Tomei um analgésico, mas a dor não é o principal problema. A maior dificuldade é não ter força depois de o ombro ter saído do lugar.»
Essa falta de força era particularmente evidente nos momentos decisivos de cada volta.
«Não sinto força, sobretudo nas travagens. A cada volta, fico pior. E, acima de tudo, as mudanças de direção são incríveis. Nas curvas 7 e 8, assim como nas curvas 13 e 14, sentia-me pior a cada volta, porque não me é fácil mudar de direção», explicou.
Além disso, sentia uma sensação estranha sempre que movimentava o braço: «Quando mexo um pouco o ombro, sinto como se ele já tivesse saído novamente do lugar.»
Razgatlioglu revelou que a equipa lhe deu a possibilidade de não participar na corrida.
«Hoje falei com a equipa e também me disseram que, se me sentisse mal, podia regressar às boxes ou não correr. Eu respondi-lhes: para que estamos aqui? Se for possível pilotar, vou tentar fazer o melhor que conseguir. Não sou um piloto estúpido, estou apenas a tentar. Se me sentir realmente mal, regresso às boxes, é simples. Mas estou satisfeito por tentar», afirmou.
O piloto agradeceu ainda a confiança dos seus mecânicos.
«Todos vieram até aqui por este fim de semana, pela corrida, e todos dão o seu melhor. Agradeço à equipa, que confia em mim e me dá a moto. Isto é trabalho de equipa.»
O turco lamentou sobretudo a forma como um fim de semana que tinha começado de forma positiva acabou por ficar comprometido.
«Estou muito triste com este fim de semana, porque na sexta-feira começámos de forma razoável. Normalmente, melhoro a cada dia, mas, depois da queda, tudo mudou, porque deixei de pensar apenas na moto e também tive de gerir o meu ombro. E o fim de semana ficou estragado», reconheceu.
Ainda assim, defendeu a sua atitude perante as dificuldades: «Estou aqui porque somos pilotos. Nunca desisto. Tinha de tentar por mim próprio.»
Com uma semana de intervalo até à próxima ronda, Razgatlioglu viajará para a Turquia, onde será submetido de imediato a uma ressonância magnética ao ombro.
«Amanhã regresso à Turquia. Vou fazer uma ressonância magnética imediatamente para avaliar o ombro e espero não ter de ser operado. Espero que o descanso seja suficiente para a próxima corrida», afirmou.
A pensar no Grande Prémio da Austrália, o piloto mostrou-se cauteloso, mas relativamente otimista: «Acho que no próximo fim de semana estarei mais forte do que hoje, mas vamos ver. Agora, só preciso de descansar.»
















