Embora não sejam os próprios pilotos de MotoGP a testar as futuras motos de 850 cc, os trabalhos de desenvolvimento continuam a um ritmo intenso para que as novas máquinas possam chegar o mais preparadas possível à estreia em 2027. Na Ducati, essa responsabilidade está principalmente a cargo de Michele Pirro, piloto de testes da marca italiana e peça fundamental no desenvolvimento da Desmosedici GP da nova geração, embora Nicolò Bulega também já tenha tido a oportunidade de experimentar o protótipo.
Com a temporada de 2026 ainda em curso, todas as fábricas do campeonato enfrentam o desafio de desenvolver simultaneamente duas motos: a atual, para continuar a lutar pelos resultados e pelos títulos, e a futura máquina de 850 cc que entrará em pista com o novo regulamento.
Na Ducati, esse processo tem sido facilitado pelo apoio do principal patrocinador da equipa, a Lenovo, que ajudou a ampliar a infraestrutura de computação de alto desempenho da Ducati Corse. Isso permite realizar mais simulações de motor e aerodinâmica, testar um maior número de soluções e acelerar significativamente o desenvolvimento da nova Desmosedici.
Nem será necessário esperar por 2027 para ver estas motos em ação, uma vez que os protótipos deverão participar no teste oficial de Valência, agendado para depois do último Grande Prémio da temporada.
A evolução tecnológica tem desempenhado um papel decisivo neste processo. A Ducati conseguiu reduzir os tempos de cálculo das simulações, acelerar as análises estruturais e aumentar significativamente a capacidade informática disponível, incluindo mais memória RAM e uma infraestrutura mais robusta.
Estas melhorias permitem aos engenheiros analisar várias soluções em simultâneo, tornando o processo de desenvolvimento mais rápido e preciso.
“A Lenovo voltou a fornecer-nos o apoio tecnológico de que necessitamos para otimizar o design e o desenvolvimento da moto”, explicou Davide Barana, diretor técnico da Ducati Corse, citado pela Speedweek.
O responsável destacou a complexidade do desafio que a marca enfrenta atualmente.
“Precisamos de capacidade de processamento suficiente para concluir o desenvolvimento da nossa Desmosedici GP de próxima geração, ao mesmo tempo que continuamos a desenvolver a moto de 2026 e a lutar pelo campeonato durante a temporada atual.”
O sistema de concessões atualmente em vigor na MotoGP também condiciona o desenvolvimento das motos, limitando o número de testes em pista disponíveis para algumas marcas.
Por essa razão, as simulações informáticas assumem um papel cada vez mais importante, permitindo recolher dados essenciais para o trabalho dos engenheiros sem necessidade de recorrer constantemente aos testes reais.
“Os sistemas informáticos de elevado desempenho e a análise de dados desempenham um papel crucial para acelerar ambos os programas de desenvolvimento”, admitiu Barana.
Estas novas ferramentas chegam numa fase importante para a Ducati, que já trabalha na moto destinada àquela que poderá ser uma das duplas mais mediáticas da MotoGP em 2027: Marc Márquez e Pedro Acosta.
Entretanto, Nicolò Bulega já teve a oportunidade de testar a futura Ducati de 850 cc e deixou indicações positivas sobre o projeto.
Segundo o italiano, a moto apresenta uma “base muito boa”, uma avaliação que ganha particular relevância tendo em conta que Bulega chega do Mundial de Superbike e não tem experiência recente com as atuais MotoGP de 1000 cc.
O futuro piloto da VR46 continuará a participar nos testes da nova Desmosedici, contribuindo para o desenvolvimento da moto que deverá marcar o início da nova era da MotoGP em 2027.
















