O mercado de transferências de pilotos entrou numa nova dimensão. Enquanto as potências europeias ganhavam tempo, a Honda abriu os cordões à bolsa e ofereceu um contrato de “piloto oficial” para garantir o prodígio colombiano de Moto2: David Alonso. A mensagem é clara: aos 19 anos, Alonso é a peça-chave do puzzle da HRC para 2027, ao lado de Fabio Quartararo. Mas atenção: por trás do brilho do contrato oficial, já se desenha uma luta de poder dentro da equipa japonesa.
Ao atrair David Alonso com a promessa de estatuto de piloto oficial a partir de 2027, o fabricante japonês causa impacto no mercado… mas levanta desde já uma grande dúvida: a realidade dessa promessa.
Porque por trás do anúncio atrativo, o funcionamento interno da Honda conta uma história completamente diferente.
O prodígio colombiano, um dos talentos mais aguardados da sua geração, tomou uma decisão ousada: rejeitar a Ducati e a Yamaha, duas referências atuais do paddock, para um projeto ainda em reconstrução. Uma escolha que depende de uma única condição: obter imediatamente o estatuto de piloto oficial. E, nesse ponto, a Honda disse sim. Mas esse “sim” já está a mostrar fragilidades.
No papel, o cenário parece claro. Os contratos de Joan Mir e Luca Marini terminam no final de 2026. A chegada de Alonso ao lado de Fabio Quartararo parece, portanto, natural.
Mas a realidade do paddock é sempre mais complexa. Diogo Moreira já está integrado no sistema da Honda… com estatuto de piloto oficial na LCR Honda e, sobretudo, com uma promessa clara: uma progressão gradual até à equipa de fábrica.
É precisamente este ponto que leva Ricard Jové a levantar dúvidas: “David Alonso estará na Honda… mas duvido muito que vá para a equipa de fábrica.”
Ao colocar Diogo Moreira frente a David Alonso, a Honda está a correr um grande risco… um risco muito grande.
O problema não é desportivo, é político. A Honda enfrenta uma contradição explosiva. Por um lado, Alonso exige — e obtém — estatuto imediato de piloto oficial. Por outro, Moreira segue um caminho pré-definido rumo à equipa de fábrica.
Jové faz a pergunta que todo o paddock sussurra: “Como é que vai reagir se outro piloto chegar e entrar diretamente na equipa de fábrica?”
















