Sistema de equalização da nova classe é complexo e pouco transparente

As Sportbikes, o novo Campeonato Mundial que substituiu para este ano as SSP300, estrearam-se em Portimão, para a história, mas já há controvérsia a rodear a nova série.
Desde logo, é refrescante ver uma nova classe começar com tantas equipas, uma mistura de pilotos novos e veteranos, e tanto entusiasmo em redor da nova fórmula, que ao limitar severamente a preparação, visa ser uma das classes mais baratas do Mundial de disputar.
Pela primeira vez desde há muito, há Aprilia e Suzuki presentes no Paddock, de facto a Aprilia 660 de Mateo Vannucci fez a pole e a Suzuki de Fleerackers ficou na primeira fila, embora nas corridas as vitórias acabassem divididas por Veneman e Torres, ambos em Kawasaki.

A Kove, depois de levar de vencida o campeonato na sua estreia em SSP300 o ano passado, procura novamente a glória com a 450RR e a mesma combinação piloto-equipa-fabricante para 2026. No entanto, com 443 cc e apenas 70 cavalos, contra cerca de 90 de algumas das outras, a chinesa está em desvantagem e aqui é que o sistema de equalização, ou BoP, da FIM devia ter entrado em ação. As Kove, ao terem menor cilindrada, podem apresentar um peso conjunto de moto-piloto de 216 Kg, quando todas as outras têm de apresentar pelo menos 240 e mesmo 244 no caso da Suzuki, que é uma 800.

A Aprilia, que não tinha representantes no paddock de WorldSBK desde 2020, regressa ao paddock do Mundial de Sportbike com a RS 660 Factory, pilotada por quatro pilotos, incluindo o multicampeão do Mundial de SSP300, Matteo Vannucci (Revo-M2).
A moto possui um motor bicilíndrico de 659 cc com uma aerodinâmica inspirada no MotoGP, que produz cerca de 105 cavalos de potência e como tal tem de apresentar um peso mínimo de 235 Kg.
A outra maneira de equilibrar a performance é através dum limite de rotações, que em teoria irá sendo avaliado ao longo da época de três em três rondas.
Tal como a Aprilia, a Suzuki regressa ao paddock do WorldSBK com a sua moto do Mundial de Sportbike. Três pilotos estão competir com a GSX-8R, com destaque para o bicampeão mundial de SSP300, Jeffrey Buis (Track & Trades Wixx Racing) que já conseguiu um 4º lugar na primeira corrida.
Outra marca a juntar-se é a fabricante britânica Triumph, que já causou impacto nas WorldSSP nas últimas temporadas, e agora espera fazer o mesmo no WorldSPB.

Harrison Dessoy da Peter Hickman Performance Triumph foi 12º na segunda corrida de Portimão, o seu companheiro de equipa, Fenton Seabright, não pontuou na Triumph Daytona 660 de três cilindros em linha, que com uma potência máxima de 95 cavalos é das mais potentes e obrigada a ter um peso mínimo de 240 kg, mas tem dos maiores pesos ‘hard’ (só a moto!) mínimos com 165 kg..
Depois, há as Yamaha no WorldSPB com a R7, pelotão dos mais numerosos com 12 motos, de que faz parte a nova inscrição de Tomás Alonso pelo Miguel Oliveira racing Team. O pior é que a moto só chegou muito tarde e um talento confirmado como Tomás Alonso, com Top 10 a seu crédito nas SSP300 em Portimão, foi último destacado na qualificação (em 34º) e nas duas corridas que lançaram o campeonato, 22º na primeira e 29º na 2º. Não esperem muito melhor nas outras pistas.

Por último, a Kawasaki ZX-6R 636, que apesar dos anos do modelo, continua a ter, não só a melhor moto, mas as equipas mais experientes na vencedora Kawasaki MTM e na Prodina italiana, que começaram logo a dar cartas, vencendo as duas corridas com Veneman na MTM e a dupla de pilotos espanhóis Torres e Salvador na Prodina.
O problema, que já está a causar polémica, é que o sistema de equilíbrio para conseguir a equalização de desempenho entre máquinas tão diversas, se baseia num algoritmo que pode incluir, entre outros, concessões no motor, mapa de binário limitado com limites de rotação e peso mínimo e também inclui um cálculo de equilíbrio que analisa diversas áreas de desempenho, incluindo velocidades em reta e curva verificadas por GPS. Com tantos parâmetros em jogo, receia-se que nunca seja óbvio nem transparente. Adicionalmente, a Honda CBR600RR está homologada para competir em 2026, pelo que, mesmo não estando nenhuma na grelha de momento, existe a possibilidade de sete fabricantes competirem entre si em algum momento da temporada.
















