Miguel Oliveira fecha a estreia no WorldSBK com quatro pódios e prepara nova ofensiva com a BMW
A primeira temporada de Miguel Oliveira no Campeonato do Mundo de Superbike foi uma experiência de altos e baixos. Na estreia numa nova categoria, depois de vários anos no MotoGP, o piloto português mostrou que tem velocidade para lutar pelos lugares da frente aos comandos da BMW M 1000 RR da ROKiT BMW Motorrad WorldSBK Team. No entanto, uma lesão grave a meio da época e alguns fins de semana complicados impediram-no de manter uma trajetória consistente.
O momento mais marcante chegou logo na segunda ronda do campeonato, em Portimão. Perante o público português, Oliveira conquistou três terceiros lugares — na Corrida 1, na Superpole Race e na Corrida 2 — e assinou um fim de semana memorável na sua estreia competitiva em casa no WorldSBK. O resultado confirmou o potencial da combinação entre o piloto de Almada e a BMW, além de demonstrar que a adaptação à nova moto podia produzir frutos rapidamente.
A prestação no Algarve foi um dos pontos altos de uma temporada em que Oliveira terminou com quatro pódios. O português voltou a mostrar competitividade no Estoril, na penúltima ronda do campeonato, ao conseguir dois quartos lugares. Na Superpole Race, ficou a apenas um décimo de segundo do pódio, enquanto na Corrida 1 terminou a 1,7 segundos do terceiro classificado. Foram sinais de evolução importantes, sobretudo depois de uma fase difícil da época.
A campanha sofreu, contudo, um duro golpe em Balaton Park. Uma queda provocou lesões no ombro esquerdo, fraturas nas costelas e na omoplata, além de uma concussão. Oliveira foi obrigado a falhar corridas e regressou posteriormente ainda condicionado fisicamente. A recuperação afetou a continuidade do trabalho com a equipa e dificultou a tarefa de transformar o potencial demonstrado em resultados regulares.
Depois do regresso, o português atravessou fins de semana em que não conseguiu alcançar o nível que pretendia. Em Magny-Cours, por exemplo, os resultados ficaram aquém das expectativas, apesar do trabalho realizado nos testes anteriores. A equipa continuou, porém, a procurar soluções para melhorar o comportamento da BMW, nomeadamente nas travagens, na tração à saída das curvas lentas e nas mudanças de direção.
O final da temporada voltou a oferecer motivos para otimismo. No Estoril, Oliveira esteve novamente perto do pódio e mostrou maior confiança nas ultrapassagens, antes de encerrar o campeonato em Jerez com um décimo lugar na Corrida 2, depois de ter abandonado a primeira corrida devido a um problema técnico. O resultado ajudou a BMW a garantir o terceiro lugar no campeonato de construtores.
No balanço global, a época de estreia deixa duas conclusões: Oliveira demonstrou capacidade para lutar pelos pódios, mas a lesão e a falta de regularidade limitaram o seu rendimento. A experiência acumulada com a BMW M 1000 RR, a adaptação às exigências do WorldSBK e o trabalho desenvolvido ao longo do ano poderão constituir uma base importante para o próximo passo.
Brad Binder traz um novo desafio para 2027
Em 2027, Oliveira continuará na BMW e terá Brad Binder como colega de equipa. O sul-africano chega ao WorldSBK depois de sete temporadas no MotoGP, onde conquistou duas vitórias e nove pódios adicionais. A mudança representa um novo capítulo para Binder, mas também uma oportunidade para a BMW reforçar a sua formação com dois pilotos habituados à exigência da categoria rainha.
Os dois conhecem-se bem. Foram colegas de equipa em diferentes fases das suas carreiras, desde as categorias de formação até ao MotoGP, pelo que não terão de começar do zero no que diz respeito à relação pessoal e ao conhecimento mútuo. Essa familiaridade poderá ajudar no trabalho de garagem, na comunicação com os engenheiros e na comparação de dados entre duas motos com especificações semelhantes.
Para Oliveira, a segunda temporada será particularmente importante. Depois de aprender os circuitos, os pneus e as características da BMW durante o ano de estreia, o português poderá começar 2027 com uma base de trabalho mais sólida. Se conseguir realizar uma pré-temporada consistente e evitar novos contratempos físicos, o objetivo passará por transformar os pódios pontuais em presenças mais frequentes na luta pelos primeiros lugares.
A chegada de Binder também elevará o nível de comparação dentro da equipa. O sul-africano é conhecido pelo estilo agressivo nas travagens e terá de adaptar a sua pilotagem às exigências das motos de Superbike. A sua rapidez poderá ajudar a equipa a identificar áreas de melhoria, enquanto Oliveira terá a oportunidade de medir a sua evolução diretamente contra um piloto que conhece bem do MotoGP.
A BMW terá, por isso, uma dupla com experiência de Grandes Prémios, mas ainda com trabalho de adaptação ao WorldSBK. O desafio não será apenas conseguir resultados individuais: será também aproximar a M 1000 RR dos lugares cimeiros de forma consistente e transformar o potencial demonstrado em resultados ao longo de todo o campeonato.
Para Miguel Oliveira, 2027 poderá ser a época de consolidar o que começou a construir em 2026. Os quatro pódios da estreia provaram que a velocidade existe. O próximo passo será encontrar a regularidade que faltou, manter-se fisicamente apto e aproveitar o conhecimento adquirido para lutar mais vezes pelas posições de destaque. Com Binder do outro lado da garagem, a nova temporada promete ser exigente — e poderá ser decisiva para perceber até onde pode chegar o projeto de Oliveira com a BMW.
Estatísticas finais de Miguel Oliveira em 2026
Os dados finais confirmam o balanço da época:
- 11.º lugar no campeonato, com 142 pontos.
- 4 pódios na temporada, incluindo o triplo pódio em Portimão.
- Melhor fim de semana: Portimão, com três terceiros lugares.
- Estoril: dois quartos lugares, ficando muito perto de regressar ao pódio.
- Final de Jerez: 10.º lugar na Corrida 2, depois de um abandono por problema técnico na Corrida 1.
- BMW: 3.º lugar no campeonato de construtores.













