Iker Lecuona pode orgulhar-se da excelente temporada que está a realizar no Mundial de Superbike. Recém-chegado à Aruba.it Racing Ducati, o piloto valenciano adaptou-se rapidamente à Ducati Panigale V4R e instalou-se numa sólida segunda posição do campeonato. No entanto, isso não era suficiente para o espanhol, que tinha um objetivo muito claro: derrotar o seu companheiro de equipa e líder da classificação, Nicolò Bulega. A tão desejada vitória chegou finalmente na Corrida 1 da ronda do Reino Unido, após uma batalha intensa.
“Gritava dentro do capacete durante toda a última volta da Corrida 1. Para ganhar, estava até disposto a cair. O duelo com Nicolò Bulega foi equilibrado, autêntico e intenso: ambos cometemos pequenos erros e estávamos no limite. No final consegui vencer, quebrando a minha má série no Mundial. Sentia-me como uma criança em cima da moto”, revelou em declarações citadas pela MotoSprint.
Na Superpole Race, contudo, acabou por cair.
“Dois quilómetros por hora. E fiquei pelo caminho. Esse pequeno detalhe privou-me de uma possível dobradinha. Ainda assim, estou satisfeito com o nível que alcancei, algo que não era nada garantido no início da temporada. Ganhei uma enorme confiança na moto e sinto-me muito bem com a equipa. Claro que gostava de ter repetido a vitória de sábado. É uma oportunidade adiada, porque ainda temos quatro rondas e 12 corridas pela frente. Vou voltar a tentar.”
Lecuona também teve a oportunidade de regressar ao MotoGP com a Gresini Racing. Primeiro substituiu Alex Márquez no Grande Prémio da Hungria e este fim de semana voltará ao paddock para ocupar o lugar do lesionado Fermín Aldeguer.
“Falando da Hungria, correu bastante bem, apesar de ter de descobrir e aprender tudo praticamente do zero. Não competia no MotoGP desde 2023 e reencontrei uma categoria que evoluiu muito entretanto. No Superbike divertimo-nos bastante, mas pilotar um protótipo deste nível é outra história. A Ducati atual é um mundo completamente diferente das KTM e Honda que pilotei anteriormente.”
Apesar disso, o valenciano garante que não está obcecado com um regresso definitivo ao MotoGP.
“Se surgir uma oportunidade, aproveito-a. Mas nem penso muito nisso. No meu terceiro ano com a HRC no Superbike tive uma oportunidade concreta para subir ao MotoGP. No último momento voltaram atrás e retiraram a proposta. Foi uma desilusão difícil de aceitar. Por isso, agora desfruto do que estou a fazer com a Ducati no Superbike. Se receber uma proposta nos próximos dois anos, aceitarei. Caso contrário, paciência.”
Quem tudo indica que estará no MotoGP em 2027 é Nicolò Bulega.
“Pode dar-se muito bem porque tem um talento incrível. Fico feliz por ele dar esse salto, porque merece esta oportunidade. É rápido, forte e pode ser muito competitivo. O Bulega merece essa oportunidade e, olhando para todo o paddock das motos derivadas de série, apenas nós os dois a mereceríamos. Há uma grande diferença entre nós e os restantes. E quem disser o contrário é um idiota.”
Lecuona também comentou a estreia de Toprak Razgatlioglu no MotoGP com a Yamaha.
“Está a fazer um bom trabalho, apesar de algumas quedas no início. Observei a situação e percebi a dinâmica: estava a tentar travar com os pneus Michelin da mesma forma que fazia com os Pirelli. Ainda assim, os resultados são positivos, porque está sempre próximo dos pilotos Yamaha com mais experiência. Em algumas ocasiões até ficou à frente deles. É uma pena que a M1 não esteja ao mais alto nível.”
Com a possível saída de Bulega para o MotoGP, Lecuona também falou sobre o tipo de companheiro de equipa que gostaria de ter no futuro.
“Gostaria de alguém vindo do paddock das motos derivadas de série, não do MotoGP nem de categorias relacionadas. Acho que faz sentido apostar num jovem e dar-lhe dois anos para aprender e crescer. Se fosse eu a decidir, procuraria alguém com fome. Porque ter apetite não basta. É preciso ter fome de resultados e fome de vencer na vida”, concluiu.
















