O mercado de pilotos para 2027 está a provocar uma autêntica revolução no WSBK. Enquanto vários pilotos provenientes do MotoGP procuram refúgio no campeonato de motos derivadas de série, os lugares disponíveis tornam-se cada vez mais escassos. E uma das primeiras vítimas poderá ser de peso: Álvaro Bautista, que está prestes a completar 42 anos, poderá ficar sem moto após a decisão da Barni Racing de apostar em Xavi Vierge. Uma situação que poderá acelerar a retirada do bicampeão do mundo.
Álvaro Bautista queria esperar. A Barni Racing, aparentemente, não. O espanhol tinha previsto utilizar os testes Michelin dos dias 9 e 10 de setembro, em Cremona, para avaliar os novos pneus do WorldSBK e só depois decidir se pretendia continuar a competir em 2027.
No entanto, segundo a Speedweek, a equipa já terá escolhido o seu futuro: Xavi Vierge deverá juntar-se à Barni Racing na próxima temporada. E, como Yari Montella já tem contrato garantido, Bautista fica praticamente sem lugar.
A situação seria muito menos preocupante para um piloto de 25 anos. Mas Bautista fará 42 anos em novembro. Além disso, as alternativas disponíveis estão a desaparecer rapidamente. A Go Eleven trabalha na possibilidade de contratar Alex Rins, também ele de saída do MotoGP. A Marc VDS poderá alinhar uma segunda moto, mas Aron Canet surge como uma das opções preferenciais caso esse projeto avance.
Bautista enfrenta ainda uma particularidade que se tornou um verdadeiro obstáculo: o regulamento do peso combinado entre moto e piloto.
A sua baixa estatura obriga-o atualmente a carregar um lastro significativo. Numa Ducati competitiva, Bautista já demonstrou que consegue lidar com essa limitação. Mas para outras equipas, a equação poderá ser muito menos atrativa.
O problema do espanhol vai muito além da idade. O mercado de 2027 parece uma verdadeira migração. Jack Miller está cada vez mais próximo da Yamaha no WorldSBK. Brad Binder é apontado à BMW. Alex Rins negocia com a Go Eleven. Franco Morbidelli também surge associado ao campeonato após a sua anunciada saída do MotoGP.
Por outras palavras, vários pilotos com vitórias em Grandes Prémios estão a chegar ao mercado de Superbikes ao mesmo tempo. E cada nova contratação fecha uma porta a outro piloto. É precisamente isso que poderá acontecer a Bautista.
A escolha de Xavi Vierge pela Barni poderá ter ainda outra consequência. A sua saída libertaria uma vaga na Yamaha e facilitaria significativamente a chegada de Jack Miller à R1 oficial.
O australiano pretende continuar a sua carreira após a provável saída da Pramac Yamaha no MotoGP. Dessa forma, o fabricante japonês teria a oportunidade de o manter dentro da sua estrutura. Estaríamos, assim, perante um efeito dominó: Vierge seguiria para a Barni, abrindo espaço para Miller na Yamaha, enquanto Bautista ficaria sem uma Ducati.
Existe, contudo, uma nuance importante. Álvaro Bautista ainda não anunciou a sua retirada. E o seu currículo impede qualquer pessoa de o descartar prematuramente. Campeão do mundo de 125cc em 2006, piloto de MotoGP durante muitos anos e bicampeão mundial de Superbike com a Ducati em 2022 e 2023, o espanhol possui uma experiência que poucos conseguem igualar.
Mas, desta vez, o calendário joga contra ele. Bautista queria testar os pneus Michelin antes de decidir se continuaria a competir. O mercado, porém, não parece disposto a esperar até setembro.
E poderá ser precisamente assim que a sua carreira termine: não porque Bautista tenha decidido que chegou o momento de parar, mas porque o enorme congestionamento provocado pelos pilotos que estão a deixar o MotoGP em 2027 tomou essa decisão antes dele.
















