Crónica: Os jovens lobos de 2016

Por a 11 Janeiro 2016 12:32

Como é hábito em todas as edições do Dakar, surgem sempre novos nomes que pretendem conquistar um lugar ao sol naquela que é a mais dura prova de todo-o-terreno do mundo. No entanto a fornada de 2016 parece ser uma ‘colheita’ especial que promete um futuro risonho. Isto numa fase em que os dois grandes dominadores da prova nos últimos 10 anos, Marc Coma e Cyril Despres, já penduraram o capacete. Muitos destes novos valores são provenientes do Enduro, que se tem revelado cada vez mais uma escola de valor.

Começamos pelo surpreendente Kevin Benavides. O piloto argentino apoiado pela Honda local surpreendeu tudo e todos ao andar com os homens da frente nas primeiras etapas. Aproveitando o facto de conhecer as estradas das primeiras jornadas como ninguém, Benavides chegou mesmo ao triunfo numa tirada logo ao terceiro dia. Se esta vitória podia gerar desconfiança, a verdade é que o piloto argentino já terminou no segundo lugar mais duas etapas. Como não podia deixar de ser a recompensa destas boas prestações é o quinto lugar que ocupa na classificação geral, sendo até ao momento o melhor estreante em prova.

A cinco segundos surge o pentacampeão do Mundo de Enduro, Antoine Meo. O piloto francês, que se estreia na prova logo aos comandos de uma KTM oficial, tem vindo progredir dia após dia, tendo alcançado o seu primeiro triunfo em etapas ao sétimo dia. Rapidez parece não faltar ao gaulês, que agora terá de conciliar esta vertente com a arte de bem navegar, um aspecto chave para se alcançar o sucesso no Dakar.

Outro nome a seguir durante a segunda semana de prova é Ricky Brabec. O ‘Sr. Bajas’ começou a prova de forma modesta, mas já conseguiu alcançar dois top 10 em sete etapas. Na classificação geral ocupa o 12ª posto e está à espreita de entrar no comboio dos 10 melhores da prova.

Quem também parece ter encontrado um ‘jovem lobo’ de qualidade é a Yamaha. O duas vezes vencedor do Enduro de Touquet, Adrien Van Beveren, tem demonstrado rapidez. No entanto falta ainda a consistência e a regularidade própria de um estreante nestas andanças.

Num segundo plano, mas não menos importante, surgem nomes como o tetracampeão do Mundo de Enduro, Ivan Cervantes, ou Adrien Metge e Armand Monleón. Este último tem a particularidade de ter a ´benção´ de Marc Coma: Monleón fez parte da equipa júnior do cinco vezes vencedor da prova e tem na sua ‘entourage’ o antigo chefe de mecânicos do piloto da KTM, Miquel Pujol.

Menos sorte teve Pela Renet. Numa fase em que ainda estava a sentir o pulso ao Dakar, o piloto da Husqvarna ficou a conhecer as armadilhas que estão por detrás desta prova. O piloto francês sofreu uma violenta queda durante a quarta etapa, tendo sofrido um traumatismo craniano com perda de consciência. Valeu a ajuda da Laia Sanz que permaneceu junto de Renet até à chegada da equipa médica.

O futuro destes pilotos não sabemos, mas parece não restarem muitas dúvidas quanto à rapidez e à sua capacidade para se bateram com os veteranos do Dakar.

Fotografia: Magnus Torquato

 

 

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