Com um arranque de temporada espetacular, a Aprilia está a afirmar-se como a referência do MotoGP. Os seus dois pilotos, Marco Bezzecchi e Jorge Martín, ocupam o primeiro e o segundo lugar da classificação geral do campeonato. As duas equipas da marca, a oficial e a Trackhouse, também lideram a classificação por equipas, em primeiro e segundo lugar, respetivamente. Isto coloca a Aprilia na liderança do campeonato de construtores, à frente da Ducati.
Apesar de a vitória de Alex Márquez em Jerez ter interrompido a sequência de cinco vitórias consecutivas da Aprilia e de Bezzecchi em Grandes Prémios, nos testes voltaram a dominar. Ai Ogura fez o melhor tempo, seguido pelo seu colega de equipa Raúl Fernández e pelo piloto oficial Bezzecchi. Após o dia de testes de segunda-feira, o diretor técnico da Aprilia, Fabiano Sterlacchini, fez o balanço da situação.
Entre todas as novidades testadas, destacavam-se umas asas que apenas Bezzecchi experimentou. “Digamos que é certamente muito cedo para tirar conclusões. Trouxemos alguns conceitos novos e tínhamos de validar em pista aquilo que víamos nas simulações e no túnel de vento, por isso fizemos esta primeira exploração. É um conceito novo e ele é o piloto mais indicado, dada a sua experiência e velocidade. Para já, é prematuro fazer qualquer previsão”, explicou.
O italiano falou também do desempenho da Aprilia em Jerez: “Concordo. Obviamente não vencemos e, portanto, ainda há trabalho a fazer. A Ducati e o Alex, em particular, estiveram muito fortes e eficazes, mas estamos satisfeitos. É como alguém que faz um exame de recurso e tira um oito: não é um 10, mas continua a ser um bom resultado”, resumiu.
Apesar de manter a prudência, Sterlacchini acredita que estes resultados mostram que a Aprilia está a consolidar-se como um construtor forte. “Há bases importantes, cada vez mais sólidas. Quanto mais avançamos nas corridas e confirmamos o desempenho em diferentes circuitos, mais consistentes são essas bases. No entanto, ainda temos de esperar por algumas corridas, especialmente as próximas três: Le Mans, Barcelona e Mugello. Barcelona é a pista com menos aderência de todo o campeonato, por isso ainda teremos de enfrentar fatores críticos importantes.”
Olhando para o futuro, a marca de Noale será a última a apresentar a moto de 2027, que deverá ser vista nas próximas semanas. Ainda assim, os pilotos só a poderão testar em Brno. “Independentemente de termos ido para a pista mais cedo ou mais tarde, o nosso objetivo era chegar o mais preparados possível. Demos prioridade aos testes em ambiente controlado, porque em pista é preciso ser muito preciso e completar todo o programa sem problemas. O regulamento aerodinâmico ainda não está totalmente definido. Este é apenas o início: temos o motor de 850cc e vamos começar toda a fase de desenvolvimento. É um projeto híbrido, no sentido em que há elementos já quase definitivos, como o motor, e outros que ainda são apenas hipóteses”, explicou.
Na temporada atual, a Aprilia surge como a principal candidata ao título. No entanto, Sterlacchini prefere manter os pés no chão: “Se olharmos para o presente, sim. Mas temos de ver o que vai acontecer no futuro e esperar por mais algumas corridas. Além disso, não quero que dentro da empresa se pense assim: és fraco se achas que já és forte”, concluiu.
















