Além das conhecidas dificuldades da Fireblade, a troca constante de pilotos não tem ajudado

Com lesões a afastar os dois pilotos oficiais da equipa, o início da temporada de Superbike tem sido desastroso para a Honda. Jake Dixon continua afastado e o seu substituto até aqui, Jonathan rea,, concentrado no papel de tester, já não se conseguia motivar para lutar por resultados que não vê como a sua função principal. Para piorar as coisas, Somkiat Chantra regressou de lesão ainda longe de estar em forma, só para se magoar de novo em Assen e nem o anúncio da Honda que em Balaton Park será Yuki Kunii (abaixo) a substituir Rea ao lado do tailandês deverá fazer muita diferença.

O Campeonato Mundial de Superbike Motul de 2026, com três etapas em maio, chega a um terço da temporada e ver a Honda em dificuldades não é novidade.
No final de contas, apenas vimos falsas esperanças vindas da terra do sol nascente desde o regresso da Honda.
Os seus dois primeiros anos com Álvaro Bautista (agora na Ducati Barni Spark) e Leon Haslam foram tão bons como qualquer outro ano da HRC. Bautista chegou e caiu, mas conquistou pódios e mostrou ritmo de topo. Havia potencial na Fireblade, que só precisava de ser explorado para se tornar mais completa e menos agressiva.
Deposi, Lecuona e Vierge juntaram-se ao fabricante japonês A Honda mudou tudo em 2022 e trouxe dois pilotos que antes competiam em MotoGP.
Iker Lecuona era um piloto em bruto de MotoGP, enquanto Xavi Vierge era um piloto subestimado de Moto2. Ambos provaram ser pilotos sólidos, mas os resultados nunca corresponderam ao que a Honda fora capaz de alcançar com Bautista.
Alguns pódios e uma pole position foram a recompensa por quatro anos de trabalho árduo. Lecuona e Vierge saíram no inverno e, desde então, impressionaram a Ducati e a Yamaha com a sua velocidade e ética de trabalho. Agora é claro que os pilotos não eram o problema.

Um segundo reinício em 2026
Jake Dixon e Somkiat Chantra foram contratados para correr em 2026, mas ambos sofreram lesões durante grande parte da temporada.
Dixon, que espalhou simpatia e autógrafos em Portimão ainda com o pulso em gesso, ainda não competiu e será substituído por Yuki Kunii este fim de semana, enquanto Chantra esteve lesionado em duas das três etapas, tendo agora mesmo sido pronunciado apto para a Hungria. Ambos são vencedores de Grandes Prémios, mas a confiança de Chantra foi abalada no último ano e Dixon ainda não pilotou a sua moto numa corrida oficial.
Uma fratura no pulso durante os testes de pré-época afastou o piloto britânico das pistas e a reabilitação e recuperação têm-se revelado muito complicadas, exigindo paciência.
Esta não é uma capacidade normalmente associada aos pilotos, pelo que o facto de Dixon ficar de fora de mais uma etapa demonstra a gravidade da lesão. Para o bem da Honda, é essencial que Dixon regresse à moto o mais rapidamente possível, pois será o líder da equipa daqui para a frente.

A instabilidade não está a ajudar a Honda
Ao longo desta temporada, tem-se verificado uma constante rotatividade de pilotos substitutos. Ryan Vickers e Tetsuta Nagashima correram na Austrália. O hexacampeão do WorldSBK, Jonathan Rea, assumiu o posto em Portimão e Assen, e agora vamos ver Kunii na moto na Hungria.
As equipas precisam de estabilidade para ter sucesso, e a Honda não a tem tido nos últimos anos. A estabilidade é um requisito nas SBK, mas o mantra da Honda tem sido “fora com o velho, dentro com o novo”.
A gestão e a estrutura da equipa estão agora na sua terceira versão, com Leon Camier, José Escamez e Yuji Mori a servirem como chefes de equipa.
As estruturas implementadas na Honda fizeram com que a equipa se apoiasse na experiência do MotoGP e de Grande Prémio para inverter a situação. Isto provou ser um erro e, até que seja corrigido, é difícil ver como poderão encontrar melhorias.

Olhando para os pontos positivos
O sétimo ano do projecto HRC parece ser mais um ano de reconstrução. Com o seu piloto principal ainda a pelo menos uma etapa de regressar, podem ter um ano para recolher dados e preparar-se para 2027. A Honda já reformulou completamente a sua estrutura várias vezes, mas sempre enfrentou a pressão de apresentar resultados.
Esta pressão foi aliviada este ano devido às lesões dos seus pilotos e, com o WSBK a aproximar-se do verão, isto pode permitir que a Honda passe despercebida nos próximos meses.
Estão à procura do seu primeiro título desde James Toseland em 2007 e, embora haja um longo caminho pela frente, a SBK aguarda pacientemente que a Honda dê a volta.
















