São muitos os olhares que acompanham cada passo de Marc Márquez. O espanhol iniciou a temporada de 2026 como campeão em título, depois de conquistar o Mundial em 2025, mas ainda condicionado por uma lesão no ombro que arrastava desde o GP da Indonésia desse ano. No entanto, tudo o que aconteceu desde então conduziu-o até ao lugar onde está hoje: líder do campeonato de MotoGP — graças ao maior número de vitórias — com 274 pontos, empatado com Jorge Martín. Uma posição alcançada após o triunfo no GP de San Marino, em Misano.
Se o piloto de Cervera mantiver o domínio nas corridas que faltam disputar em 2026, poderá conquistar mais um título mundial. Caso o consiga, será o seu oitavo campeonato na categoria rainha e o décimo no total do Mundial, ultrapassando assim Valentino Rossi, que terminou a carreira com nove títulos mundiais.
Quando ambos partilhavam a grelha de MotoGP, Márquez conquistou seis campeonatos enquanto Rossi não voltou a erguer qualquer título nesse período. Ainda assim, importa recordar que o espanhol chegou à categoria rainha com apenas 20 anos, enquanto o italiano já tinha 34.
Uma carreira marcada por lesões
A verdade é que a carreira de Marc Márquez foi muito mais marcada por lesões do que a de qualquer outro dos grandes nomes da história do motociclismo. A grave fratura no úmero sofrida em Jerez, em 2020, travou a sua trajetória vencedora, impedindo-o de voltar a conquistar um título entre 2019 e 2025.
Nem Giacomo Agostini nem Valentino Rossi passaram por um período tão complicado. Márquez foi submetido a quatro operações ao úmero, três ao ombro e enfrentou ainda dois episódios de diplopia. Por isso, o que poderá alcançar no final desta temporada ganha uma dimensão ainda maior.
Se conquistar o título de 2026, igualará Agostini em campeonatos da categoria rainha e voltará a ser campeão com duas marcas diferentes — Honda e Ducati — tal como fizeram Agostini e Rossi.
Uma recuperação improvável
Quando se lesionou no GP da Indonésia de 2025, parecia que as dificuldades estavam longe de terminar. Depois de finalmente começar a deixar para trás os problemas no braço direito, surgiu uma nova lesão no ombro.
A temporada de 2026 arrancou sob o domínio da Aprilia e de Marco Bezzecchi, enquanto Márquez lutava para recuperar a melhor forma física. O espanhol só voltou a vencer uma corrida de domingo no GP da Hungria e ainda sofreu uma fratura no quinto metatarso do pé direito em Le Mans.
A situação no campeonato também parecia quase impossível de inverter. À saída do GP de Itália, Márquez encontrava-se a 102 pontos do líder, Marco Bezzecchi. Poucos acreditavam que pudesse regressar à luta pelo título.
No entanto, uma sequência impressionante de vitórias e algumas contrariedades dos rivais mudaram completamente o cenário. Bezzecchi perdeu a liderança após erros e problemas físicos, Jorge Martín assumiu o comando da classificação e foi apenas em Misano que Márquez voltou a experimentar a sensação de liderar o Mundial.
O sonho do décimo título
A história de Marc Márquez é cada vez mais uma história de superação. Depois de anos marcados por lesões, operações e dúvidas sobre a continuidade da carreira, o espanhol está novamente no topo da classificação.
Com sete Grandes Prémios ainda por disputar, o desfecho da temporada continua em aberto. Mas uma coisa é certa: se conseguir transformar esta recuperação num novo título mundial, acrescentará mais um capítulo memorável a uma das carreiras mais extraordinárias da história do motociclismo.
E com a renovação já assegurada com a Ducati para 2027 e 2028, o espanhol continua a alimentar a ambição de aumentar ainda mais o seu legado. Se voltar a ser campeão este ano e mantiver esse nível nas próximas temporadas, a discussão sobre quem é o maior piloto de todos os tempos poderá ganhar novos contornos.
















